Olá galero ;) Hoje eu tenho um anúncio especial para fazer: O ÚLTIMO CAPÍTULO DE O REINO DOS CORAÇÕES ESTÁ PRÓXIMO. SERÃO 18 CAPÍTULOS NO TOTAL, OU SEJA, HÁ SOMENTE MAIS 5 CAPÍTULOS PARA SEMPRE POSTADOS. E, como tal, RESPOSTAS ESTÃO CHEGANDO, a começar por este capítulo. Os capítulos 13 e 14 serão de suma importância para o fim da saga, pois os dois terão importantíssimas respostas que boa parte de vocês espera desde o inicio. Enfim, não vou atiçar vocês. Curtam aí.


13

1

            Eles haviam cuidado o melhor que podiam da perna do Anjo; as cinzas foram reunidas sob os pés quase desfeitos, como se assim ele fosse voltar a estar completo. Mas o corpo continuava a degradar-se, e logo, não restaria mais nada senão material para o vento levar.
            – Foi há quinze minutos – dissera Luciani quando Gabriela e os outros chegaram – O Sugador quase nos destruiu, e quando estava quase morto, partiu para cima do Anjo... bastou um segundo, e as mandíbulas se fecharam sobre as asas. Nós os matamos logo a seguir, mas ele já havia arrancado um pedaço. Desde então, o Anjo não acorda, não tem reação... parece algum tipo de choque, mas...
            – Quinze minutos, e já se foi metade do pé – calculou Kurt. – O resto da perna não deve durar mais do que duas horas... e o resto do corpo, não deve durar mais do que doze horas...
            – E o que acontece depois? – Gabriela perguntou, abrindo a boca pela primeira vez. – O que acontece com o Anjo?
            Ela, assim como todos os outros, sabia, mas não queria admitir.
            E Kurt não queria ser aquele que teria de dizê-lo em voz alta.
            As palavras permaneceram entaladas na garganta de ambos. Mas o rosto de Gabriela se retorcia de dor. Os segundos em silêncio foram suficientes para ela dar as costas e caminhar para longe do grupo, subindo o morro mais próximo, do outro lado do quarteirão; ali, delimitava-se o fim da cidade, adentrando a área rural que eles mal sabiam que existia até poucas horas antes. Mas ela simplesmente olhou para a lua, parando no meio do caminho, totalmente vulnerável a vampiros, Sugadores, ou o que quer que viesse. E não se importava.
            Kurt caminhou atrás.
            – Gabriela...
            – Ele estará morto. Morto em algumas horas. E nós... eu só posso assistir.
            Kurt nada disse.
            – Ele me salvou – continuou ela. – Eles NOS salvou! E nós não podemos fazer nada!
            Kurt suspirou e deixou sua arma no chão.
            – Venha cá... – mas Gabriela se afastou do abraço.
            – Não! Não me toque! Você não entende, não pode entender! Você odeia ele! Você...
            Mas ela não se livrou dos braços de Kurt quando eles a envolveram. Os raios, que tão prontamente haviam alcançado suas mãos, se apagaram da mesma forma. As lágrimas, presas em seus olhos, libertaram-se em forma de soluços.
            – Ele era nossa única chance... – disse ela. – Nossa única chance!, de sair deste lugar! Ele tinha todas as respostas!
            Mas não era somente por sua saída do Reino dos Corações que ela receava... afinal... o Anjo era seu amigo, não era?
            Mas então, eles ouviram o clangor de uma batalha.
            – O que é isso? – Gabriela se perguntou, temendo por seus outros amigos... mas a batalha estava muito mais próxima.
            Subindo o que restava do morro, ela sentiu sua face corar diante da cor alaranjada de chamas cálidas. Kurt seguiu-a, e juntos, ambos observaram o fogo queimar as árvores e a plantação desconhecida lá embaixo, que deveria servir como fonte de comida por meses e meses, mesmo que isso significasse entrar em novos confrontos com os Sugadores.
            E, dentre as chamas, estavam pessoas, vampiros, Kitsunes e todo tipo de monstro, lutando juntos contra succubus e Sugadores; e na mesma medida em que matavam, caíam mortos como soldados.

2

            Os outros chegaram em pouquíssimo tempo, muito bem armados.
            – O Anjo...
            – Ele está bem, Gabriela. Ele está seguro; afinal, todas as criaturas do Reino estão aqui!
            Juntos, os 7 olharam lá para baixo, observando a batalha queimar.
            – Por que os monstros estão lutando? – Gabriela perguntou-se em voz alta, secando as lágrimas – Eles não deveriam se unir contra nós?
            – Os Sugadores e as succubus estão contra nós... – Kurt rapidamente chegou à conclusão. – Os outros, não...
            As palavras ecoaram na mente de cada um, dentre o terror.
            – Ei, espera! – Marieta tocou Kurt quando ele armou-se com um fuzil. – Aonde está indo?
            – Para a batalha!
            – O quê?!
            – Enlouqueceu de vez? – Gabriela gritou. – Quer morrer?
            – Não! – ele pegou uma faca e enfiou para dentro de seu cinto, pendurando-a para qualquer necessidade. – Estou tentando achar nossa saída! Se capturarmos uma succubus, podemos ter algumas respostas!
            Gabriela se aproximou.
            – Eu já perdi o Anjo – disse ela. – Já perdi minha vida, uma chance de ser normal, já perdi tudo por ser uma bruxa... por favor, não me faça perder você também!
            E, com uma carícia no rosto, rápida e infame, Kurt a beijou mais uma vez, pouco importando os 5 outros espectadores; no final das contas, eles já deviam saber.
            – Então venham comigo – disse ele para o grupo. – Vamos juntos! E sairemos juntos! Não poupem munição! Estaremos seguros ao fim da batalha!
            E eles foram.

3

            Os raios de Gabriela anunciaram a chegada dos 7.
            Ela, na linha de frente, causou belas explosões, fazendo tudo voar – procurou atingir somente succubus e Sugadores. Mesmo os vampiros em transição não eram ameaça: na mesma medida que antes desejavam somente o sangue dos humanos, agora pareciam saber que seus verdadeiros inimigos eram os subordinados da desconhecida Rainha. Mas, ao fim da batalha, eles manteriam essa consciência?
            As balas foram vorazmente cuspidas para fora dos fuzis e pistolas do grupo. Marieta, ainda que armada, realizava exorcismos à distância, abrindo caminho o máximo possível.
            As outras pessoas, que estavam presentes tanto no desfile quanto no baile do castelo, ora corriam, ora lutavam. Algumas eram devoradas pelos Sugadores, outras, dotadas de força sobre-humana, partiam esses monstros ao meio com as próprias mãos.
            – Kurt!
            O grito de Gabriela chamou sua atenção para a succubus que pulava em sua direção... Mas a própria Gabriela fê-la cair longe com um raio, explodindo sua cabeça.
            – Cuidado!
            Um Sugador, com suas mandíbulas abertas, abocanhou uma árvore, erguendo-a no ar e atirando-a numa direção qualquer – a de Gabriela.
            Ela se abaixou no último segundo, e o tronco morto da árvore, já apodrecido devido ao veneno do Sugador, zuniu sobre sua cabeça, acabando por acertar os vampiro, succubus e humanos desconhecidos às suas costas.
            O sangue jorrou.
            Kitsunes e Tricksters assumiam formas diferentes – as primeiras obviamente se transformavam em raposas, mas os Tricksters transfiguravam-se em gigantescos e horrendos monstros, destruindo tudo no caminho. Tudo o que Gabriela podia fazer era não ficar no caminho para não ser morta.
             – Levante-se! – Kurt ajudou-a, enquanto um filete de sangue descia por sua testa. – Vamos seguir com o plano!
            – Qual succubus você quer pegar? – Gabriela gritou de volta para fazer-se ouvir sobre o som dos tiros e das explosões, enquanto seus raios destruíam os corpos dos Sugadores no caminho.
            Kurt olhou de um lado para o outro, atirando no meio tempo. Passados vários segundos, ele apontou:
            – Aquela!
            A succubus loira estava correndo, sugando toda a energia de um dos humanos desconhecidos. Mas então, um Kitsune abocanhou-a na altura das costelas, rasgando suas costas ao meio e fazendo todos os órgãos internos e estrutura óssea se espalharam na rua já manchada de muito sangue derramado. O resto do corpo pendeu, vazio, como um lençol posto para secar no varal.
            – Merda! – Kurt gritou, mas rapidamente se decidiu por outra. – Aquela!
            A nova succubus, dessa vez intensamente morena e muito alta, era também muito rápida. Sua velocidade chegava ao dobro da corrida de Kurt – mas não da de Gabriela. A garota acelerou em seus pés, propelindo-se no ar acima da succubus...
            Mas a criatura sentiu sua presença, jogando-a ao chão com um soco que rachou as estruturas de concreto.
            – Ora, ora – disse a succubus. Acontece uma rebelião e a garota do momento está no meio. Parece até que você gosta de facilitar as coisas.
            Mas então, o sangue cobriu sua face, e a succubus caiu morta no chão. Sua nuca estava estraçalhada, e o crânio, oco. Quem a matara fora um homem humano e absolutamente comum, que agora segurava um cérebro sangrento e arrebentado nas mãos.
            – O que diabos você está fazendo?! – O homem gritou. – Se esconda! Fuja! Você não deveria estar aqui!
            Então, a terra tremeu sob os pés de ambos.
            – Vamos! – continuou ele. – Estão todos batendo em retirada! Tanto nós quanto os subordinados da Rainha! Por enquanto, isso é uma vitória, mas corram! Temos que nos esconder por enquanto!
            E eles obedeceram.

4

            – No que vocês estavam pensando?! – disse o homem. – Estavam querendo se matar?! Vocês são humanos, pelo amor de Deus!
            – E você não é? – Gabriela indagou. – Afinal, quem diabos é você?
            O homem bufou, incrédulo.
            – Vocês não fazem a mínima ideia não é? – ele respondeu.
            – Gabriela – Marieta chamou. – Não fique perto deste homem. Eu não me sinto bem perto dele. Há algo...
            – Sim, pode apostar que há! – o homem interrompeu-a. – Creio que a adorável estadia no Reino Dos Corações tenha tirado seus bons modos, senhora? Poderia pelo menos cochichar, para que meus sentimentos não fossem atingidos?
            – Não temos razão para confiar em você. – disse Marieta. – E, se acabar por se provar uma ameaça, o mataremos. Então, educação não é bem a pedida aqui, não acha?
            – E pelo jeito nunca será!
            – Chega de conversa afiada! – Kurt interrompeu. – Quem, ou o que é você?
            O homem encarou-os nos olhos. Mesmo que nenhum deles tivesse a intenção de ameaça-lo, o perigo estava claro na expressão dos 7 sobreviventes, e de suas poucas balas que restavam.
            – Eu não tenho nome – ele começou. – Nem posso ter. Eu não me lembro... desde o dia da minha morte, eu não me lembro.
            – Da sua morte? – indagou Kurt, e não foi nada sutil ao deixar sua mão tocar a pistola.
            – Sim. Estou morto, que grande novidade. Mas, por favor, não pense que sou uma ameaça. Sou mais pacífico que muito dos vivos... tomem isso como uma indireta, se quiserem.
            Nenhum deles relaxou.
            – Eles me nomearam de 1984, por que fui o 1984º a chegar aqui. Todos temos esta nomeação... Aqueles que vocês exorcizaram era o 5009º. Ele era muito novo neste lugar, tanto quanto vocês na época, enlouqueceu de vez. Vocês fizeram bem em se livrarem dele, senão, nós o faríamos.
            – Nós quem?
            1984 suspirou.
            – Nós, os mortos. Nós, que morremos na Terra e viemos para cá... para O Reino dos Corações. Assim como vocês, mas não somos como vocês: nós fomos escolhidos dentre os mais fortes e mais inteligentes... Hitler foi um dos 100 primeiros a chegar aqui. Che Guevara, um dos 500 primeiros. Ambos morreram aqui dentro. Quem morre aqui dentro, cai direto para o Inferno... todos os idiotas que acharam que poderiam se divertir um pouco aqui dentro, com um baile ou um desfile de merda, morreram por suas ações... se sobrevivermos até o fim, talvez possamos ir para o céu. Só talvez.
            – Mais fortes?
            – Sim. Os mais capazes dentre a humanidade, ora de comandar, ora de lutar, ora de pensar. Por que você acha que este lugar se chama O Reino Dos Corações?! NÓS somos os Corações! Nossas almas! Este lugar foi feito para nos agregar!
            O silêncio perdurou-se no choque.
            – Nós... – Gabriela sussurrou. – Foi por isso que nós 10 viemos para cá, também? Estamos mortos?
            – Não – 1984 admitiu. – Vocês vieram por um motivo diferente... não sei qual, mas sei que é diferente. Posso sentir. Vocês... não são fantasmas, como nós! Vocês estão vivos! Saíram do planeta Terra vivos, e vivos aqui chegaram!
            – O que somos então?!
            – Eu não sei – 1984 repetiu. – Mas todos nós estamos aqui pelo mesmo propósito...
            – ... a Rainha – completou Khaled. – A Rainha nos trouxe aqui.
            – Exato! Nós, os fantasmas, somos um exército. É fácil de se perceber isso, com tantos gênios de tantas áreas diferentes presos aqui dentro. Ela quer nos usar para seus próprios fins nefastos... dos quais não temos conhecimento. Mas mesmo nós podemos nos rebelar! A batalha, há poucos momentos, foi exatamente por isso! Alguns de nós se recusam a se tornarem Sugadores ou succubus, alguns de nós querem paz!
            As explosões recomeçaram ao longe.
            – A batalha irá recomeçar – disse 1984. – Fiquem escondidos! Você não podem morrer aqui dentro, ou correm o risco de se tornarem fantasmas, também! E se isso acontecer, talvez nunca mais saíam deste lugar, o que seria uma vitória da Rainha! Vamos todos juntos achar nossa saída! Mas por enquanto, fiquem aqui...
            Ele foi interrompido pela imensa quantidade de Sugadores pulando para fora da área rural do Reino e invadindo as ruas.
            – Fujam! – disse 1984, antes de partir para a luta.
            – Vocês ouviram ele! – Kurt não se acanhou em gritar, e Gabriela atirou seus raios para matar quatro ou cinco Sugadores antes que a nova leva chegasse.
            Mas eles então ouviram o gemido.
            O som gutural de alguém à beira da morte.
            – Está ouvindo? – Gabriela perguntou.
            – Sim – Kurt respondeu.
            Ambos se viraram.
            O Anjo estava ali, acordado e caminhando... manco. Uma de suas pernas havia virado cinza, e a cada passo que caminhava, seu corpo desfazia-se pouco mais.
            – Anjo! – Gabriela gritou, e então ele caiu em seus braços.
            – Eu tenho... uma missão – disse o Anjo.
            – Não, shhh, descanse, só descanse...
            – Não posso... não devo...
            Gabriela sentiu as lágrimas descendo-lhe a face. Os outros encaravam a cena.
            – Por favor... – implorou ela. – Por favor...
            – Minha missão... deve estar completa...
            O Anjo estendeu a mão pálida, quase morta, indicando para que Gabriela a pegasse.
            – O... o quê?
            – Pegue, Gabriela – disse o Anjo... algumas de suas últimas palavras. – Pegue.
            E ela pegou.
            Assim que tocou na pele fria do Anjo, um choque percorreu seu corpo na forma de seus raios. Ela gritou, e seu olhar voltou-se para o céu, aterrorizada. Ela ouviu Kurt gritando ao longe, mas logo, todas as cores pareceram misturar-se num turbilhão sombrio; as formas não eram mais formas, e os objetos tornaram-se nuvens líquidas num furacão gigantesco. Então, não houve som, nem mais nada, senão escuridão. Todas as sensações sumiram... e ela não sabia aonde estava.
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