Olá galero ;) Estamos de volta aqui, com O REINO DOS CORAÇÕES, depois de uma pausa de um mês! E, depois de um mês, temos muitas mudanças vindo na história também... vocês verão. Enquanto isso, quem ainda não leu os trechos de ECOS, o outro livro que eu estou escrevendo e que provavelmente será lançado esse ano, que eu postei no dia 10? Se você ainda não leu, basta clicar aqui. Mas, sem mais delongas, aqui está o capítulo 6!



6

Valhalla

Valhalla – 30 Seconds to Mars

            – Ela está melhorando! – Natalie saiu correndo de dentro do beco com Jéssica nos braços – Ela está se curando!
            Lentamente, Khaled e Kuruno, que haviam sido abatidos por Danii, também se levantaram, e um baixo crepitar saía de algum lugar além de suas peles: os ferimentos começavam a se fechar debaixo do sangue coagulado.
            Kurt olhou para as próprias mãos, cheias de cortes e arranhões, e onde havia machucados, ele sentiu a pele queimar: ela estava se suturando sozinha.
            E então, todos olharam para Gabriela: quando ela se aproximou e tentou tocar Kurt, ele se afastou sem sutileza alguma.
            – O que você é? – ele pensou alto demais, sob os olhos magoados da garota.
            Porém, antes que qualquer um pudesse fazer qualquer coisa, as casas que continuavam de pé explodiram, levantando uma nuvem de poeira e concreto. Então, prédios inteiros e restos de construção levantaram voo...
            Casas inteiras quicavam no chão, criando um nevoeiro empoeirado onde ninguém conseguia se ver, e quase esmagando os 9 restantes...
            – O castelo! – Gabriela gritou – Entrem no castelo!
            Os portões do castelo estavam abertos...
            Enquanto corriam, seus gritos ecoavam, e a terra tremia a cada casa que caía dos céus...
            Todos viram Gabriela entrar, e seguiram ela portões adentro – então, todas as casas pareceram atraídas para lá... e os portões se fecharam no último instante, condenando todos ao escuro.
            Alguém teve a ideia de ligar a lanterna – Marieta. Kurt fez o mesmo, iluminando o rosto de cada um dos sobreviventes.
            – Estão todos aqui?
            – Onde está Gabriela? – Luciani perguntou.
            – O... o que?
            – Onde está Gabriela? Ela... ela está aqui, não está?
            Kurt iluminou tudo ao redor – uma, duas, três vezes. Gabriela, a primeira a entrar no castelo, não estava.

2

            Estava escuro, e Gabriela não conseguia enxergar... Não importava o quanto andava para frente, ou para qualquer um dos lados – ela não encontrava parede alguma, senão o chão... E o ar, o ar! era gelado... Seu pulmão congelava...
            Então, ela viu a luz – começou como um pontinho, do tamanho de uma moeda, e foi crescendo, crescendo e crescendo, até...
            Ela estava cega, e agora não conseguia enxergar pelo excesso de luz.
            Então, ela sentiu uma mão sobre a sua – viu uma sombra a seu lado, ofuscada por aquela gigantesca iluminação; uma forma humana.
            – Confie em mim – dizia a forma, e sua voz ecoava pelo infinito lugar inteiro – Venha comigo.
            Ela confiou, e obedeceu, dando um passo a frente junto dele...
            Os dois caíram, mas não numa queda normal: ela sentiu como se a gravidade fosse multiplicada por dez, e seu corpo fosse atraído para um chão que nunca chegava na velocidade da luz... Sentiu como se tivesse deixado os olhos, o coração, os pulmões e o estomago lá em cima, e sua cordas vocais estavam a ponto de se arrebentarem de tanto gritar...
            E a escuridão voltou.
            Mas, como no nascer do sol, a luz foi crescendo, de pouco em pouco... até que estivesse suportável para olhos humanos.
            Ela estava deitada, e sentia algo pegajoso contra seu cabelo e seus braços nus... Ela percebeu que não estava mais semi-nua – usava camiseta e jeans surrados e muito sujos. Então, ao se levantar e olhar ao redor por um segundo, percebeu que estava numa praia – mas não numa praia qualquer. O céu cinzento era limitado apenas pelo mar azul e triste, balançando em suas ondas – às costas de Gabriela, estava o gigantesco penhasco de mil metros do qual ela acabara de cair...
            ... e ao seu lado, estava o Anjo.
            – Você! – disse ela, mas não numa acusação: apenas surpresa.
            – Eu – respondeu ele, sem emoção.
            – O que... o que está fazendo aqui?
            O Anjo suspirou.
            – É meu dever...
            – E qual seria ele?
            – Te mostrar como sair daqui.
            Diante destas palavras, o coração de Gabriela se acelerou.
            – A saída do Reino dos Corações? Para todos nós?
            O Anjo assentiu, e logo depois, soltou uma risada de escárnio – o primeiro sinal de emoção desde que Gabriela encontrara com ele da primeira vez.
            – Depois de tudo que eles fizeram com você, você ainda se preocupa com eles?
            Gabriela olhou-o torto.
            – Eles fizeram o que comigo?
            Foi a vez do Anjo piscar.
            – Eles... – ele pareceu pensar duas vezes – Nada. Não é nada.
            Gabriela se aproximou um pouco, com as palavras na ponta da língua.
            – Anjo...
            – Temos que começar logo – disse ele, se levantando e sacudindo a areia da roupa; estava muito frio, devido à brisa vinda do mar, mas ainda assim ele usava apenas calças pretas rasgadas na altura do joelho, e não parecia se importar com isso – Já está na hora de começar.
            Então ele deu-lhe as costas, exibindo suas grandes e lustrosas asas negras enquanto caminhava.
            – Ei! – Gabriela gritou – Espere!
            O Anjo se voltou para ela, e ele disse:
            – Você salvou minha vida.
            O Anjo não respondeu nada.
            – Naquele dia, com os zumbis... ou vampiros... Você matou todos eles, e salvou minha vida.
             – É... eu acho que sim.
            Então ele se virou novamente, e voltou a caminhar.
            Gabriela o seguiu, correndo para o acompanhar – e foi então que a grande luz voltou, partindo do corpo do Anjo, e lentamente engoliu a ele, a ela, a praia... até que não sobrasse nada além daquela escuridão alva.

3

            – Ela entrou aqui! – Luciani disse – Ela entrou no castelo! Eu vi! Eu juro! Ela foi a primeira!
            As lanternas corriam pelas paredes de pedra, com se ali pudessem encontrar Gabriela.
            – Eu tenho certeza – disse Marieta –, que ela deve estar apenas perdida nestes corredores.
            – Então vamos procura-la! – disse Tae – Por que ela sequer saiu de perto de nós?
            Mas então, todos os olhares caíram em quem ainda estava em silêncio.
            – Kurt?
            – Eu não tenho certeza se devemos procurar por ela – ele respondeu, sem cuidado ao atirar as palavras.
            – O... o que?
            – Por que ela não está perto de nós? – ele se perguntou – Por que ela fugiu? Por que ela mandou todos nós entrarmos no castelo? E se for uma armadilha, hein? E se for ela, com, com os raiozinhos dela, não for a culpada de tudo? E se nós não estivemos esse tempo todo caindo direitinho na brincadeira dela? E se ela sequer for humana?
            – Kurt, ela pode morrer se não formos atrás dela...
            – E nós podemos morrer se formos atrás dela!
            – Ora, cale a boca – Marieta interviu – Se não fosse por ela, agora você provavelmente estaria morto de hemorragia! Se não fosse pelos raiozinhos dela, suas costelas continuariam quebradas, e você não teria forças para correr, e sua cabeça seria esmagada por aquelas casas lá fora! É muito fácil, realmente muito fácil deixar para lá, mas ela é a razão por que você ainda está vivo. Você pode desconfiar dela tão facilmente quanto eu posso desconfiar de todos vocês, e pegar minha pistola, e enfiar uma bala na cabeça de cada um até que todas as suspeitas estejam mortas e eu possa viver em paz e sozinha até arranjar um jeito de sair deste lugar!
            Ela suspirou uma vez.
            – Então, vire homem e faça o que você tem que fazer por aquela garota.
            Kurt engoliu em seco, e virou as costas. Sacando sua arma, apontou-a para frente, junto com a lanterna, e disse:
            – Procurem por ela. Mas não tenham esperanças: vocês já devem estar acostumados com a natureza deste lugar.

4

            A luz sumiu, e Gabriela se viu no meio de sua antiga escola – a escola que frequentava antes do Reino Dos Corações. E Anjo estava a seu lado.
            – O que estamos fazendo aqui? – ela perguntou.
            – É aqui que você viveu, certo?
            Ela olhou ao redor. Estavam no corredor que dava para as inúmeras salas, e, naquele momento, parecia não passar das sete da manhã – hora da entrada. A maioria dos alunos ainda estava nos corredores, e os poucos que estavam dentro das salas deviam estar desenhando nas mesas ou rabiscando o mural, ou talvez colocando alguma coisa pontuda na cadeira do professor.
            E, no meio de todas essas pessoas, Gabriela – a Gabriela antes do Reino dos Corações – surgiu. Ela estava de salto alto, short mínimo, mal escondendo as coxas, e casaco – ela lembrava que usara aquele casaco por que, naquele dia, não usava a camisa do uniforme escolar por baixo; usava apenas seu sutiã.
            E aquela Gabriela passou por a Gabriela-de-agora e o Anjo sem vê-los – aquela era uma memória.
            A Gabriela-da-memória entrou na sala, sorrindo, e todos explodiram em gritos, palmas e assovios. Era proibido que se vestisse assim na escola, mas ela deu uma voltinha, sob o olhar de todos. Sentou-se em seu lugar, em meio a um bando de meninas e meninos, e não abriu a mochila – não abrira pelo resto do dia. Tirou o kit de maquiagem, cartas para jogar truco e o celular com internet e MP3 – era o que faria pelo resto da aula, pouco ligando se o professor gostava ou não.
            A primeira aula seria a de artes; a pobrezinha da professora Silvana vivia com medo da turma, e naquele dia, não seria diferente: ninguém calaria a boca; ninguém exibiria o mínimo de respeito; talvez, até jogassem algo no quadro, ou um lápis contra sua cabeça.
            Era assim que as coisas funcionavam com Gabriela-da-memória por perto.
            Então, de repente, Gabriela via duas imagens ao mesmo tempo, como num filme em 3D sem os óculos especiais – não, a imagem na verdade tremia... Como um terremoto visual. As cores e os traços confundiam-se pela sala, e as pessoas não passavam de borrões – ela olhou para Anjo, mas ele não tremia; o corpo dele continuava firme, fora do terremoto, talvez por não fazer parte da memória.
            Então, quando tudo parou, nada era o mesmo.
            Os alunos agarravam-se uns aos outros – as roupas caíam. Gabriela não se lembrava daquilo – aquilo não fazia parte da memória. Os amigos dos quais ela se lembrava beijavam-se, como se estivessem em privacidade – mas estavam no meio da sala de aula, com metade da sala fazendo a mesma coisa.
            Os gemidos de seus amigos ecoavam.
            Ela não se lembrava o nome do garoto gótico, mas ele estava agarrando sua melhor amiga – uma vadia. Eles tiravam a camisa, e as calças – em público –, e envolviam as pernas um no outro...
            Essa é a vida.
            Gabriela estava enjoada; o ar se tornou mais pesado, enquanto todos os seus amigos, conhecidos, seja quem for, caía no chão, agarrado com alguém. Alguns chegavam a se entrelaçar com três, quatro pessoas ao mesmo tempo, arrancando suas roupas e espancando-lhes – mas ninguém se importava, todos adoravam...
            É um teste, é um jogo.
            Você passou?
            Ela saiu da sala.
            Saiu correndo, por que já não aguentava.
            No corredor, encontrou a professora Silvana jogada no chão – uma senhorinha de 60 anos com os seios de fora –, e, em cima dela, nu, estava o diretor do colégio; careca, narigudo, e, mais do que nunca, nojento.
            Jogue de novo.
            Na esperança que você vê, é onde você tem estado.
            Ela gritou, horrorizada, mas ninguém conseguia ouvi-la.
            E ela correu pelos corredores – pessoas nuas penetravam umas às outras, jogadas no chão, na parede, em qualquer lugar. Ela chegou bem na hora enquanto um desconhecido, gordo e de óculos, esfaqueava repetidamente as costas de uma magra e popular loira – dez, vinte, trinta vezes; o sangue jorrava nos seios nus da garota, e na barriga redondo do desconhecido, e enquanto ela lentamente morria, gemia de prazer, também, à medida que o desconhecido a esfaqueava, e fazia sexo com ela...
            É a fama! São as drogas!
            Os gemidos...
            É a panelinha da qual você não faz parte!
            Para cada lado que Gabriela olhava, havia uma orgia sangrenta: enquanto uma garota da 6ª série beijava os seios de uma veterana do terceiro ano, um garoto de no máximo sete anos fazia a cabeça da mesma veterana se chocar contra a parede, repetidas vezes e com força, até que a cabeça começasse a sangrar, e a estourar...
            O jorro de sangue atingiu Gabriela, e ela gritou.
            É o medo!
            Ela correu para os banheiros, encontrando corpos nus e sem cabeças, sexo e seios decapitados no caminho – e, assim que entrou pelas portas, encontrou o corpo de uma das garotas da sua sala, sentada na pia, com uma faca cravada entre os dois seios. O sangue tingia o piso, branquinho, e a torneira, encontrando seu caminho até o ralo...
            Gabriela caiu, e achou que nunca mais vomitaria tanto quanto agora.
            Todo mundo é, mas eu não posso ser!
            E, enquanto ela chorava baixinho e desesperada, ela ouviu outros soluços, vindos da terceira cabine.
            Ela levantou, quase escorrendo em seu próprio vômito e no sangue, e lentamente avançou, como se tivesse medo que algo pudesse pular sobre ela. Então, ao abrir a porta da cabine, deu de cara com a Gabriela-da-memória.
            Ela ainda vestia seu casaco, e seu short. Ela chorava. Ela estava limpa, sem sangue – apenas lágrimas. E continuava virgem, como a própria Gabriela ainda era.
            Foi naquele dia que ela descobrira que sofria de depressão.
            Foi naquele dia em que ela imaginara o mundo horroroso, cheio de medo e angústia em que vivia.
            Esse era aquele mundo.
            O mundo em escarlate, que não poderia ser real.
            Gabriela se ajoelhou, diante da Gabriela-da-memória – ela não podia vê-la, é claro. Olhou em seus olhos, maquiados e borrados de tantas lágrimas, enquanto ela fungava desesperadamente.
            Aquela era ela.
            Então por que não sentia... nada?
            Ela sentiu uma mão em seu ombro – o Anjo estava ali, e ajudou-a a se levantar... então abraçou-a, chamando para muito perto.
            – Essa é quem você realmente é? – perguntou ele, e Gabriela não soube responder.
            Ela simplesmente sentiu o corpo alto e quente do Anjo contra o seu, enquanto olhava naqueles olhos imensamente negros.
            – Você sabe do que você sofria? – perguntou ele – Sua doença?
            Ela assentiu.
            – Você sente ela agora?
            Ela negou.
            O Anjo brincou com uma mecha de cabelo, caída em sua testa, e disse:
            – Você não precisa mais de remédios, não é? E sabe o por quê?
            Por que ela morrera, sem morrer.
            Ela voltara a vida, quando a vida nunca havia lhe deixado.
            O que quer que a succubus tenha levado... ela levou consigo a depressão.
            O Anjo se aproximou – ela podia sentir sua respiração gélida... as asas negras envolveram os dois, aquecendo ambos os corpos e pressionando-os um contra o outro...
            As mãos do Anjo viajavam por seu corpo, e Gabriela não se importava.
            – Você é a razão pela qual não consigo me controlar...
            Gabriela sentiu os lábios do Anjo contra os seus, e deixou-se levar pela sensação quente que eles proporcionavam.
            Ela sentiu as mãos do Anjo puxando-a para si, como se pretendesse que os corpos se unissem e se tornassem um só – as mãos dela viajaram pelas costas dele, tocando na plumagem fina e macia de suas asas negras, sentindo a mistura quente e fria sobrenatural de seu corpo...
            Então, a gigantesca luz cegante voltou, e ela deixou de sentir o corpo do Anjo contra o seu, e se viu caindo novamente.

5

            Quando a queda caiu, ela estava no escuro, deitada em algum lugar frio – percebeu então que era apenas um chão frio.
            Lentamente, seus olhos capturaram a luz, no cantinho superior da sala: era possível ver uma escada de madeira. Olhando ao redor e vendo apenas escuridão, ela subiu – lá do topo, pôde ver algumas mesas, cadeiras e estantes: aquele era um porão.
            Assim que saiu de lá, deu de cara com um corredor de madeira, com uma mesinha e um tapete bonitos; ouviu uma porta sendo batida, e olhou para a direita: alguém acabara de sair, e, com o impacto da porta, fez um jarro de flores cair.
            O que chamou sua atenção foi algo lá de cima – uma vibração, como um tremor de terra. Era possível ver o teto tremendo, enquanto o resto da casa permanecia parada – como o terremoto visual que havia presenciado a pouco.
            Ela subiu mais uma escada, chegando ao segundo andar, e a primeira coisa que viu, na parede oposta, foi...
            Um calendário.
            20 de maio.
            1939.
            Ela ofegou, suspirando, de olhos arregalados – principalmente por que sabia que poderia muito bem ser verdade.
            As luzes falharam, e ela viu, no escuro, um único quarto brilhando envolto de um tipo de energia azulada – o quarto que, quando havia luz, vibrava.
            Ela lentamente abriu a porta, e, assim que entrou no quarto, ele parou de vibrar; em vez disso, o corredor e todo o resto da casa pareceram vibrar no lugar – talvez, fosse uma questão de vibrações diferentes, e quando se acostumava a uma, se desacostumava a outra.
            No quarto, não havia nada – apenas um berço simples, com lençóis branquinhos; deveria haver um bebê ali...
            Mas não se ouvia nenhum choro – nenhuma respiração.
            Não deveria haver nada ali.
            Gabriela aos poucos se aproximou... Passo a passo, ouvindo a madeira do piso gemer...
            Era um berço simples feito de madeira, com lençóis branquinhos e bonitos...
            E havia um bebê ali.
            Gabriela pôs a mão sobre a boca para não gritar, e recuou correndo para trás, quase tropeçando, até que atingisse a parede.
            O bebê estava morto, com a garganta cortada; não deveria ter mais do que seis meses de vida. O sangue lentamente manchava os lençóis, passando do limpo branquinho para um sujo e cada vez mais escuro vermelho... até que começou a gotejar no chão.
            Então, Gabriela ouviu vozes.
            Estou cansado desta guerra!
            Eu vou cuspir na cara de todas essas putas!
            Esse é o mundo em seus joelhos!
            Do armário, no fundo do quarto, saiu uma pessoa de olhos vermelhos e andar vacilante – um vampiro em transição. Ele abriu sua bocarra, exibindo dentes podres, e tentou atacar Gabriela...
            Esse é o paraíso que todos parecem precisar O REINO DOS CORAÇÕES!
            Ela gritou, e, sem querer, um raio partiu de sua mão e atingiu o pescoço do vampiro, decapitando-o.
            Ela olhou ao redor, e saiu da sala, deixando o vampiro e o bebê morto caídos.
            Essa é a luz!
            Assim que chegou ao corredor, haviam dois vampiros lhe esperando. Ela gritou e correu para a escada, deixando que seus raios involuntários fizessem o trabalho: a cabeça de ambos os vampiros explodiu – mas haviam mais subindo as escadas.
            Esse é o foco que você parece não encontrar!
            Gabriela tentou acertá-los com seus pés, mas acabou caindo – então, o raio partiu-os ao meio, e ela rolou escada abaixo.
            VOCÊ É A RAZÃO PELA QUAL NÃO POSSO ME CONTROLAR!
            A adrenalina não permitiu-a sentir a dor – antes que pudesse se levantar, o terremoto visual recomeçou, e um vampiro caiu em cima dela, enquanto uma gigantesca luz a cegava pela última vez, e...

6

            Ela gritava, e corria no escuro, e então parou.
            Gabriela não estava mais na casa.
            Em vez disso, uma luz, cegante, mas não gigante, foi apontada para seu rosto – a lanterna. Ela protegeu os olhos com as mãos.
            E então, segurando a lanterna, viu Kurt. E ele lhe apontava uma arma.
            – Kurt! – disse ela, tentada a dar um passo para frente, mas recuou – ele não havia abaixado a arma.
            Eles se encararam – Kurt mordia os lábios, apenas olhando-a, sem dizer nada; Gabriela sabia que a arma estava destravada. Bastava ele puxar o gatilho e...
            – Gabriela! – Natalie chegou, abraçando-a, e Kurt rapidamente escondeu a arma antes que alguém percebesse.
            – Gabriela! Você está bem?
            – Eu... estou. – disse ela, encarando Kurt de longe enquanto Natalie a abraçava e a enchia de beijos no rosto.
            – Eu não sei o que você fez – disse ela – Mas por sua causa, minha Jéssica se curou! Por causa daqueles, daqueles raios, havia alguma coisa com eles! Gabriela, o que era aquilo?
            – Eu... eu não sei...
            – Mas eu sei.
            Marieta chegava no corredor, apontando a outra lanterna; o resto do grupo – Kuruno, Tae, Khaled, Luciani – acabara de chegar, seguindo-a.
            – Marieta...
            Todos mundo é, mas você não pode ser...
            – Eu sei o que você é – disse ela, suspirando, e então lhe lançou um olhar cheio de significado – Você é uma bruxa.
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