Capitulo 18

Let’s talk

Yuri estava sentado em seu quarto. Pegava o celular toda hora para ver a hora, ou pelo menos queria pensar nisso. De alguma forma seu celular sempre parava na agenda em cima do contato que mais queria falar. Mariane.
Não aguentava rolar mais na cama, quando finalmente pegou o celular decidido a ligar. Começou a discar quando ouviu um barulho, por instinto pulou para o lado e pegou a faca que tinha embaixo da sua cama. Não pensou duas vezes e arremessou.


-Uau. Essa passou perto. Muito perto, sabe que não se taca faca adoidada assim por ai. Certo?
-Felipe... Não faz mais isso, serio. Me assustou.
-Tá de zoa né? Eu só estava andando.
Yuri enrugou o rosto quando pegou uma mochila que Felipe havia jogado para ele.
-Pra que isso?
-Já sei como encurralar nosso conhecido do sono.
-Ainda não desistiu?
-Ele me atacou. Quem faz isso nunca sai impune.
-Não é esse o motivo né?
-Não.
-É por causa da carta né?
-É.
-Então vamos.
-Isso ai.
-Vamos chamar a Mariane e...
-Não, sem Mariane.
-O quê? Por quê?
-Ele vai atacar pelos mais fracos, ela e Laila na mesma casa. Dois coelhos numa cajadada só.
-O que?! O que a gente tá fazendo aqui parado? Vamos avisa-las logo.
Yuri se pôs a correr quando Felipe o segurou e disse:
-Nós vamos para lá. Mas sem avisa-las.
-Mas elas vão estar em perigo.
-E vão estar em muito mais se fizermos isso. Porque ele vai aparecer lá e se ver a gente vai recuar. E vem depois, com mais força. Então, vamos acabar logo com isso agora.
-A gente não pode correr esse risco.
-Podemos sim. E vamos.
-Não. Você vai, eu não.
-Yuri, pelo amor de Deus. Vamos ser racionais. Não vai acontecer nada. Se. Apenas se estivermos lá sem avisa-las.
-Como você tem tanta certeza?
-Eu tenho. Relaxa.
-Se alguma coisa acontecer com ela...
-Eu já disse que não vai. Certo?
-E qual é o plano?
-Bom, primeiramente...
***
Mariane e Laila estavam sentadas vendo televisão. Mariane ainda ficava se afastando de Laila. Ainda era estranho pra ela. Laila tentava puxar algum assunto, mas nunca conseguia terminar, o clima só ia de mal a pior. Muito pior.
De repente Laila se levanta e fica com os olhos negros. Mariane se assusta. Laila fica olhando a porta então faz um sinal para Mariane sair da sala e olhar a porta dos fundos. Assim que Mariane chega à cozinha começa a ver tudo embaçado. A porta se abre a sua frente e um homem entra. Então ela cai, dormindo.
O homem pega uma faca e vai se aproximando devagar de Mariane e pega uma faca. O homem sorri e tenta perfurar Mariane. No momento que ia perfurar Laila empurra o homem para longe.
-Então foi você. Naquele dia.
-Hihi. Então você realmente é uma demônio. Não sabia que minhas habilidades funcionavam com vocês também. Chega a ser interessante.
-Tenho certeza que sim.
O homem estica a mão em direção a Laila e fecha. No mesmo instante a visão de Laila começa a embaçar e suas pálpebras a pesar. Com muito esforço ela caminha em direção a tesoura em cima do balcão. Assim que consegue alcançar desaparece. O homem sorri e volta em direção a Mariane, quando vai tentar d novo Laila reaparece e vai pra cima dele.
O homem a segura pelos braços e a levanta no ar, então diz:
-Então boa...
O homem começa a ver as coisas embaçadas e se sente sonolento. Então ouve:
-Eu te disse Yuri, tudo deu certo.
-É. É. Você tava certo, de novo.
-E então senhor sem nome? É bom experimentar do próprio remédio?
O homem sorri e tem como sua ultima visão Felipe entrando pela porta dos fundos.
***
O homem acorda dentro de um quarto com diversos objetos dispersos pelo chão e mesas.
-Eu reconheço esses objetos. São de tortura. Onde eu estou?
-Na minha sala de diversão, que alias, eu não uso há muito tempo.
-Desde a época da organização?
Felipe o encara. Como ele sabia? Os membros ficam em completo sigilo. Ainda mais alguém com o nível que ele tinha. E pior, como ele sabia da organização?
-Se você está se perguntando como eu sei da organização eu te respondo. Eles me chamaram, a muito tempo. Eu recusei. Eles disseram que tinham que me matar então. Bom, eu me diverti um pouco com os dois carinhas que foram.
-Que carinhas?
-Não faço ideia. Hihi.
-Mas como você sabe de mim.
-Bom, eu achei a localidade deles. Entrei e vi lá uma pasta. “Mais perigosos”. Você era o top da lista. Então, te deixei por ultimo. Os outros estão meio que mortos.
-Todos eles?
-É.
-Bom. Muito bom. Ah sim, eu sei que tá tentando usar sua habilidade. Para. A habilidade da Mariane é neutralizar a dos outros. Imagino que já entenda o resto.
-Sério? Habilidade útil. Então você sabe brigar corpo a corpo?
Mariane olha pra ele e diz:
-Não. Nunca fui boa nisso. Sou melhor na parte de interrogação, nos tempos de organização eu fazia parte dessa equipe.
-Interessante.
Felipe dá um gancho no homem e então pergunta:
-Ótimo. Qual sua habilidade?
-Tão rápido? Assim sem desenrolo?
Felipe pega uma agulha e então começa a apertar no umbigo do homem. O corpo do homem começa a formigar inteiro, então ele diz:
-O que você pensa que tá fazendo?
-Acertando um dos seus pontos vitais. Vai me responder ou não?
-Tá bom. Tá bom. Eu sou um Sandman.
-Pera, aquela lenda urbana do cara que faz as pessoas dormir? Você não precisa de uma espécie de areia pra isso?
-Não, isso é só lenda. Não acha muito absurdo?
-Não.
-Verdade, não é.
Yuri vem do fundo da sala e pergunta:
-E então, o que você quer?
-Eu? Nada. Só fui mandado conhecer vocês. Só sou um fantoche.
-Na sua primeira carta. Você disse que tinha algo que interessava ao Felipe.
-E tenho, mas receio que tenho que ficar a sós com ele.
Todos ficaram em silencio, então Felipe diz:
-Consegue manter sua habilidade lá de fora Mariane?
Mariane fez que sim com a cabeça e saiu do quarto. Os outros fizeram o mesmo. Então Felipe:
-E ai, o que é que você tem pra mim Lucas?
-Pensei que nunca fosse falar meu nome. Nem que fosse descobrir
-Você foi o primeiro a sair da Organização. Por mais que eles tenham concordado com sua saída, ainda tinha seus arquivos.
-Eles sempre são muito precavidos.
-Verdade.
Felipe foi até ele e disse:
-E então, o que tem?
-Já começou. Me mandaram aqui para te avisar.
-Eu sei que já começou. Já vi certas atividades.
-Querem um encontro com você. Aparentemente é uma das únicas ameaças, e a mais perigosa delas.
-Que tipo de acordo?
-Onde eles e você saem lucrando.
-E o resto do pessoal?
-Não estão incluídos no acordo.
-Então você pode falar para eles que eu não vou fazer acordo nenhum.
-Eles estão garantindo sua vida.
-E eu quero a dos meus amigos garantida.
-Sabe, me falaram que você era mais coração de pedra.
-Eles me conheceram em uma época diferente.
-Sei. E então, posso ir?
-Pode. Vô falar com a Mariane pra te liberar. Mas antes, vamos fazer um acordo. Um pacto pra ser mais exato.
-Eu não sou louco de fazer um pacto com você.
-Já sabe dessa minha habilidade também?
-Todo mundo sabe.
-Pois bem, é assim que funciona. Ou eu te prendo aqui e te torturo até você aceitar, ou você aceita logo numa boa.
O homem fica em silencio e com uma expressão preocupada. Então diz:
-Por favor, não...
-Já tá decidido, e então?
-Tudo bem, eu faço.
-Se compromete em me dizer tudo que está acontecendo ou está pra acontecer e proteger aos meus amigos? Pode me deixar fora dessa ultima parte do trato, eu me viro sozinho.
-Tudo bem então. Estou.
Felipe estica a mão até onde a do homem estava presa, então o homem diz:
-Mas... Tem que me garantir uma coisa.
-Qual?
-Ninguém vai saber disso. Que eu estou te ajudando.
-A não ser meus amigos.
-Tudo bem.
O homem aperta a mão de Felipe e uma grande onda de energia se espalha fazendo com que algumas lâmpadas estourem.
***
-O que será que eles estão falando? –Pergunta Laila inquieta.
-Odeio quando Felipe pede pra falar com os outros a sós, nunca é boa coisa. –Diz Mariane.
-Por quê? O que ele faz geralmente?
-Ninguém sabe, mas sempre acontece alguma coisa estranha depois. E ruim, que só beneficia a ele mesmo. –Diz Laila se encolhendo.
De repente uma onda de energia sai da sala, lâmpadas começam a estourar e faz Laila desaparecer.
Laila reaparece dentro da sala no mesmo tempo que Mariane e Yuri entram. Laila grita:
-Você não tinha bloqueado as habilidades deles?!
-Claro que tinha! De ambos!
-Tá. Tá. –Diz Felipe passando a mãos nos olhos– Agora já era.
-Cadê ele? –Pergunta Yuri mais calmo que as meninas.
-Liberei ele.
-Por...
-Já consegui o que eu queria, e ele já estava prestes a se livrar da habilidade da Mariane.
-Como ele ia escapar da minha habilidade?
-Ele era um Sandman...
-Pera, ele não era o Lucas. Era? –Pergunta Laila.
-Era. Mais respondendo sua pergunta. Um Sandman fica mais forte quando ele está em um ambiente com muita areia, ou no caso desse quarto, poeira. Ele estava chegando a uma força que eu não ia mais conseguir lidar com ele. Ele ia matar todo mundo.
-E como você tem tanta certeza disso? –Pergunta Yuri.
-Tendo. –Responde friamente Felipe– Bom, vamos pra casa. Tivemos um dia longo hoje. Vamos dormir.
-Nem sei se eu consigo. –Dizem os três ao mesmo tempo.
-Então, boa noite.
Felipe começa a caminhar de volta pra casa. Mariane e Laila vão com Yuri para casa delas conversar.
***
Felipe estava andando em uma rua escura, quando sente algo.
-Eu sei que você sabe que eu estou aqui.
-Você...
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