Capitulo 17
Descobertas
-Você por acaso pode me falar o que acabou de acontecer aqui? – Pergunta Yuri nervoso com aquilo tudo.

-Se eu soubesse, eu te falaria. – Responde Felipe não estando no seu melhor humor.
-Quer dizer que o senhor bonzão Felipe não sabe de algo?
-Yuri, calma. Não tem como ele saber de tudo, ninguém sabe. – Diz Mariane tentando acalmar um pouco Yuri.
-Calma o cacete, ele... Você! Você deveria saber de...
Felipe aparece na frente de Yuri e o dá um soco, fazendo com que o mesmo caísse no chão. Mariane rapidamente levou as mãos a boca. Não esperava por aquilo, ninguém esperava. Felipe se aproximou de Yuri ainda no chão e diz:
-Beleza, é o seguinte. Eu não sei de tudo. Mas de uma coisa eu sei. Se você ficar me enchendo a droga do saco, minha paciência vai acabar. E acredite em mim ou não, isso nunca termina bem pra outra pessoa, certo? Mocinha...
Yuri fica em silencio então olha para as mãos de Felipe. Estavam manchadas de sangue, seu sangue. Então simplesmente concorda e relaxa os músculos. Felipe da um sorriso e então diz:
-Muito bem, vocês tiveram contato com ele. Mais do que eu, o que aconteceu exatamente?
-Não lembro de muita coisa, só lembro de ver o Yuri. A gente estava... –Mariane da uma longa pausa e encara Yuri e Felipe, então continua – se preparando para sair. Depois disso, nada mesmo.
-Eu lembro dele entrar e falar algo em relação a dormir, ou algo assim. Boa noite, bom sono, bons sonhos... Isso, bons sonhos, foi isso. Depois disso, tudo em branco.


Felipe fica em silencio absoluto.
Então começa a andar em direção a porta e fala:
-Vamos fazer a busca, não temos tempo para ficar aqui parado.
-Mas não sabemos nada sobre ele. –Indaga Yuri.
Então Felipe responde em tom sarcástico:
-Serio? Meu Deus, nem notei isso, mesmo. Mas sabe o que a gente pode fazer? Descobrir! Alguém mais tem algum comentário estupido?
Mariane olha para Yuri, e então vai em direção a Felipe. Yuri fica alguns segundos parados e então decide prosseguir.
***
-Escuta, Felipe. De-desculpa... Eu sei que você tá tentando e...
-Yuri, relaxa. Eu te entendo. Na verdade, você tem razão. Eu conheço tanto sobre isso tudo. E não consigo descobrir nem qual a habilidade dele.
Yuri fica em silencio quando de repente Felipe para e ouve algo.
Felipe olha para Yuri e Mariane, mandando-os dar a volta em um ônibus abandonado através de gestos. Ele mesmo sobe no ônibus e prossegue sem fazer barulho. Felipe faz um sinal com que parem. Ficam alguns segundos parados, então Felipe começa uma contagem regressiva com os dedos.
Cinco. Eles começavam a se aproximar devagar.
Quatro. Pararam de um modo que o homem não tivesse visão periférica
Três. Felipe pegou o canivete e o armou, Mariane com um espécie de leque com laminas e Yuri uma barra de ferro que havia ali no chão.
Dois. Todos se prepararam para bater
Um. Uma respiração final.
Zero. Mariane se virou e colocou o leque na direção do homem, mas não se aproximou. Yuri segurou de longe mirando no rosto a qualquer movimento. Felipe caiu em frente ao homem e colocou a ponta do canivete embaixo do queixo do homem.
-Quem é você? –Perguntou Felipe com uma voz calma.
O homem começou a resmungar algumas palavras, quase como se estivesse bêbado. Então Yuri disse:
-Cara, ele tá bêbado, vamos embora, antes que as coisas fiquem bem ruim e...
-Ele não tá bêbado –indagou Mariane- A energia dele está estabilizada e defensiva. O corpo dele está sem nenhuma tremedeira.
-Quase perfeito –retrucou Felipe- Mas isso tudo pode ser enganado por uma ilusão, facilmente. Tem uma coisa que a miragem não vai poder enganar. Os olhos. Quando se está bêbado, existe um pequeno, quase mínimo, movimento da pupila. É tão pequeno que se tentar fazer essa ilusão, vai sair errado. E você, meu caro amigo falso-bêbado. Não tem esse movimento. Então repito, quem é você?
O homem começa a bater palmas e então diz:
-O que dizem sobre você, é verdade então. Certo? Realmente incrível.
-De novo, quem é você? –Felipe aperta um pouco mais a ponta, fazendo com que escorra um pouco de sangue pelo canivete que brilhava ao sol.
-Tudo bem, tudo bem. Eu sou apenas um... Interessado, vamos dizer assim. Certo? Eu não quero dar nomes, nem você. Então, vamos nos manter sem nomes.
-Tudo bem, sem problemas para mim. –Felipe abriu um pequeno sorriso falso- Pois então, prossiga...
-Eu sou um interessado. E o cara que atacou vocês, me mandou entregar isso. –O homem tirou uma carta do bolso e entregou a Yuri –Pois bem, tudo que ele havia me pedido eu fiz, e a parte dele é realmente real. Você é um cara importante. Sua abordagem. Incrível. Eu pressenti os seus amigos, principalmente o seu amiguinho ali. –diz aquilo apontando para Yuri- Eu ia ataca-los, mas a sua? Nem sinal dela existir. E seus movimentos se suti...
Felipe corta a garganta do homem superficialmente e diz:
-Tá me enchendo o saco já, pode parar de falar.
-PORQUE VOCÊ FEZ ISSO? ELE NÃO FEZ NADA COM A GENTE! –Berra Yuri com Felipe.
-É serio, para de gritar. Não suporto pessoas histéricas. É um saco. E não se esquece, você foi o que teve a energia mais a mostra, trata de diminuir isso, se não fosse por mim aqui, você ia ser o 1º a cair. Então fala menos e treina mais.
-Tá pegando pesado com ele Felipe. Ele começou tudo agora. Atura. Pelo menos um pouco.
-Você falando sobre aturar? Ual, irônico isso. Muito mesmo, se lembra na época da organização? Quando você tratava dos novatos. Lembra-se do que você fazia? Você...
-O fato é que. –Mariane interrompe Felipe- Não estamos mais lá, então, por favor, se adapte ao lugar que você está agora. Ok?
-Não quer discutir. O melhor que a gente pode fazer é ler a carta. Yuri se incomodaria de ler?
-Um pouco.
-Meu Deus, vocês são muito chatos. Ruim demais. Me da essa merda. –Felipe toma a carta da mão de Yuri- Eu vou ler em algum outro lugar, e tentar pegar a energia de quem escreveu. Por favor, pelo menos fiquem aqui. Certo?
Ambos fizeram com que sim com a cabeça e permaneceram em silencio.
Felipe se virou e saiu na direção oposta a eles, como se soubesse que tinha algo de errado na carta.
Yuri esticou um pouco o pescoço para ver onde Felipe estava e logo notou que não estava em nenhum lugar por perto. Então se virou e deu um beijo em Mariane. Mariane retribuiu no inicio e então afastou Yuri e ficou com uma expressão, digamos, morta.
Yuri tenta beija-la de novo, mas ela se desvia, então ele pergunta:
-O que tá acontecendo?
-Nada, só que... –Mariane fez uma longa pausa- Não, não é nada.
-É claro que é.
-Eu prefiro não falar.
-Mari... Por favor, fala.
-Eu não quero.
-Mari, eu tô aqui pra você, pro que você quiser e precisar. Mas pra isso, eu preciso que você confie em mim. Certo?
-Eu sei disso, mas é que sobre isso... Eu não quer falar, não agora.
Mariane da um beijo em Yuri, que retribui com gosto. Yuri e Mariane dão um sorriso e voltam a se beijar como dois apaixonados.
***
Felipe da certa distancia e nota que não tinha ninguém olhando, então abre a carta. Por alguns segundos hesitou em abrir, mas decidiu que era melhor fazer logo aquilo. Se ficasse enrolando poderia falar no que quer que aquilo fosse.
Mesmo se decidindo por abrir perguntas não paravam de vir a sua cabeça. “Será que isso é o melhor mesmo?”. “Tem certeza que isso não é uma armadilha?”. “Não estou caindo no jogo dele, estou? Não posso me dar o luxo de cair em tal jogo”. “Porque não voltar lá e mandar o Yuri abrir? Assim eu não estou em perigo”. Pensamentos como esses não paravam de aparecer em sua cabeça.
Ainda não havia tirado a carta do envelope. Muito mal havia aberto o envelope. Estava suando, não de medo, mas sim de excitação. Excitação por encontrar alguém que fosse um adversário inteligente. Alguém que lhe oferecesse jogos. Algo que realmente gostava, e gostava muito daquilo. Então abriu um envelope. Apenas sorriu. O que sentiu havia esclarecido muitas coisas. Leu e apenas deu um sorriso. Então amassou o papel e colocou no bolso, então disse:
-Eu pensei que você ia ficar em casa.
-Eu ia. Mas não consegui, precisava saber se estava tudo bem.
-Já disse que por enquanto nada rola entre a gente, né?
-Eu sei, mas eu precisava ver. Enfim, o que você descobriu na carta?
-Nada demais. Depois de falo.
-Conta, por favor.
-Laila, não. Por favor.
Laila ficou em silencio e então sumiu. Felipe ficou em silencio. E sentou-se no chão e esperou um pouco, queria dar um tempo ao casal.
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