Capitulo 14
…Happened
Mariane e Yuri não conseguiam prestar atenção na aula, não haviam processado tudo aquilo. Ao contrario de Felipe a Laila que prestaram atenção na aula toda. Ficaram parados até o intervalo bater, então desceram. Não ficaram juntos, apenas observaram Felipe e Laila conversando o tempo todo. Ficavam se perguntando o que havia acontecido ou se Felipe sabia que ela ainda não havia... Bem, se sabia o que tinha acontecido.


***
-E agora que você voltou, vai fazer o que? - Perguntou Felipe.
-Sei lá, talvez ajudar vocês. – Respondeu Laila.
-Você não pode. A organização já mandou dois atrás de você. E era só reconhecimento.
-É, tô sabendo.
-Você se lembra do Sérgio e do Caio. Eles não são o auge, mas são bem importantes. E se mandaram eles pra simplesmente identificação, imagina a execução.
-É, eu sei. Por isso você vai me ajudar.
-Vou?
-Fala serio, admite que está intrigado.
-Com?
-Como eu te enganei tão bem. Você não sabia que eu sabia que eu tava morta.
-Talvez.
-Talvez o cacete. Você não sabia. E pelo que eu conheço de você. Não suporta essa ideia. Nem um pouco. Odeia quando é enganado.
-O que você quer?
-Eu te ajudo com o que vocês precisarem...
-Mas...
-Mas, eu quero que você me proteja.
-Deles?
-É. Você ainda é o mais forte.
-Não sei como eles estão ultimamente.
-Você sabe que tirando os principais, lá dentro, não tem ninguém que se compare a sua força.
-Não devia subestima-los. Ninguém sabe a força total dos outros lá dentro.
-Quem você teme que chegue ao seu nível é o Guilherme, mas ainda assim você sabe como para-lo, certo?
-Também temo aos principais. Nunca entendi a força deles.
Quando Laila ia falar algo o sinal bateu. Todos subiram devagar. Mariane e Yuri sempre olhavam e pensavam em como era a vida antes de tudo aquilo. Quando tudo era simples e o que tinha que se preocupar era com a lição e as provas que tinham que fazer.
Entraram na sala e viram todos sentados, inclusive Laila e Felipe. Não se sentiam bem com aquilo. Chegavam a se sentir, e de certa forma estavam, excluídos.
-Porque os dois agem como se não tive acontecido nada?
-Não sei, mas... Não importa o motivo, é realmente estranho.
-Aliás, o que aconteceu com ela?
-Eu sei lá, eu vi uma luz e de repente ela sumiu, pouco tempo depois Felipe subiu com você nas costas e mandou o Sérgio e Caio embora.
-Sergio e Caio?
-É.
Yuri ficou encarando Mariane sem entender nada, então ela disse:
-Ah sim, eu esqueço que você nunca foi da organização.
-Eles são da organização?
-E dos importantes. São realmente fortes, o único que sabe a força e a fraqueza das habilidades dele é o Felipe. Aliás, o Felipe sabe a fraqueza e força da habilidade de todo mundo.
-Qual é exatamente a habilidade do Felipe?
-Não sei, ninguém sabe. Ele nunca disse, ninguém nunca entendeu também. É um mistério.
-Como assim? Depois de usa-la, da pra saber qual é, certo?
-Teria que ser assim, mas todos em que ele usou a habilidade está morto ou tem a memoria apagada. Que é o seu caso.
-Eu não estava só desacordado?
-Você não consegue se lembrar de nada, certo? Mesmo trocando de lugar com seu totem, você vê tudo que tá acontecendo do lado de fora.
-Não lembro, de nada. Tá uma tela branca.
-Entendo. Então, você teve a mente apagada.
-Então... Apagar memoria é a habilidade dele, certo?
-Talvez, mas rumores dizem que ele tem mais de 100 habilidades. Já viram muitos traços fortes de muitas outras, mas ninguém nunca descobre o que realmente aconteceu.
-E ele nunca fala?
-Não. Era pra ele saber, porque pra entrar na organização você tem que falar sua habilidade pra eles verem se vale a pena.
-E ele não falou?
-Não.
-Como ele entrou então?
-O avaliador era uma dos principais. E exigiu que ele mostrasse. E ele falou que não.
-O que aconteceu depois?
-O avaliador foi atacar ele por desrespeito. E numa luta que não durou nem 10 segundos, Felipe derrubou ele.
-Os outros principais ficaram surpresos, então ele foi aceito, o como ele que matou o avaliador, ele virou um dos principais.
-Ele já entrou como um principal.
-Difícil de acreditar né?
-Um pouco.
-Mas não se sabe nada dele?
-Não. Nadinha mesmo.
-E você, como entrou?
-Eu era indefesa, e fui atacada por um bi-habilidade. Não ia ter a menor chance. Nem eu nem Laila. Na hora certa Felipe apareceu e sumiu com o cara, não deu nem tempo de ver. Desde então ele colocou agente na organização. E fez agente aprender a brigar e controlar tudo.
-Porque saíram?
-Conflitos. Felipe tava de saco cheio, então saiu. E como eu e Laila seguíamos ele, saímos também. Mesmo que fosse contra as regras, Felipe deu um jeito, ele sempre dá.
-Mas no dia do treino, você falou alguma coisa sobre totem com ele. Que você ensinou ele ou algo assim.
-Ah, isso. Felipe não era nada bom com o totem dele. Eu ajudei ele a entrar na mente.
-Qual o totem dele?
-Também não sei.
-Ele esconde tudo de vocês?
-Basicamente sim.
Então ambos ficaram em silencio.
Yuri foi chegando para o lado de Mariane. Os dois se entreolharam e ficaram com expressão seria. Mariane mordeu os lábios como se estivesse se segurando para algo. Yuri foi se aproximando devagar. Então colocou a mãos no pescoço de Mariane e a deu um beijo, um longo e molhado beijo. Se abraçavam, se sentiam. Se adoravam.
O beijo foi cortado pelo som do sinal avisando que era hora da saída. O professor passou ao lado dos dois e apenas fez um olhar de reprovação, mas nada disse e nem fez.
***
-Senhor. Venho fazer o pedido para que sejamos transferidos para uma área especifica.
-E qual seria essa?
-A escola de Marcos, e que o resto também seja.
-O que eu ganharia com isso? Vocês me são mais uteis em outros lugares.
-Pelo que eu fiquei sabendo, nosso maior problema são Laila e Fe... Marcos. Lá eu terei controle sobre eles, e eles não poderão fazer nada.
-Interessante. Isso me faz muito sentido. Muito mesmo. Será concedido, serão transferidos para lá.
-Obrigado senhor, te agradecemos.
-Tudo bem, agora podem se retirar.
***
Yuri havia acabado de entrar em casa, estava sozinho. Para variar. Tacou-se em seu sofá e ficou encarando o teto, pensando em tudo que havia acontecido. Então de leve tocou seus lábios e sorriu, ao menos uma coisa boa havia acontecido aquele dia. Então virou o resto de lado e adormeceu.
***
Yuri havia acordado, estava caído, no meio de algo que parecia um campo de batalha. A seu lado estava Felipe, morto. Então olhou para frente e viu outras pessoas. Estavam sentados no que parecia ser um trono, o trono de um rei. Eles apenas observavam. Yuri olhou em volta, havia centenas de pessoas mortas, um mar de sangue estava por perto. Então avistou algo que parecia familiar.
Esfregou os olhos, agora havia reconhecido. Torre Eiffel. As tais pessoas estavam sentados embaixo dela. Faziam um circulo, e nada entrava ou saia de lá. Olho novamente para o lado, não via mais Felipe. Então se levantou e tentou se manter em pé, falhando. Apenas na segunda conseguiu se manter de pé sem cambalear.
Sentiu uma dor gigantesca em sua barriga. Só agora notara, estava em carne viva.
-É realmente assim que vai acabar?
Yuri virou para o lado e viu Sérgio em pé ao seu lado, estava muito ferido também.
Apenas responde com um som débil.
-Você quer que acabe assim?
-Não.
Então uma outra voz disse:
-Então as chance de mudar é agora.
Virou-se e viu Felipe, então disse:
-Felipe! O que está acontecendo?
-Não posso te falar. É como te contar o futuro.
-Volte para seu tempo e fale com Felipe exatamente o que está acontecendo aqui.
Virou-se viu Laila dessa vez.
-Você não é você de agora, já deve ter notado. Pergunte para o Felipe sobre a 3ª habilidade. Depois que ele te explicar você vai entender. Então fale para ele o que está vendo aqui.
Virou-se e viu Mariane.
-Ele provavelmente vai querer saber como você vai saber disso. Diga que o ouviu falar com Laila.
Olhou para todos. Estavam feridos seriamente, assim como ele. Então Felipe se aproximou dele e sussurrou: “Boa sorte”. Então colocou a mão na testa de Yuri.
***
-Yuri e Mariane vão começar a perguntar o que está acontecendo, o que vamos falar?
-Não sei Felipe. O que falar? A verdade?
-Não, eles não podem saber, não era nem para você saber. De lá eles. Você só sabe por que virou um...
-Demônio. Eu virei um demônio, para de falar como se fosse uma doença. E eu já sei disso desde que era um espirito simples.
-Foi por isso que recusou ir para algum lugar?
-É. Exatamente.
O celular de Felipe começou a tocar, então ele atendeu. E uma pessoa ofegante, então perguntou:
-Alô? Quem ta ai?
-Fe... Felipe?
-Fala Yuri, o que aconteceu?
-Eu preciso falar com você pessoalmente. Agora!
Reações: