Capitulo 13
What was supposed to happen...
O relógio batia exatamente às 6 horas da manhã. Mariane se virou de lado e ficou encarando o despertador. Era segunda-feira, tinha que ir pra escola. Não sentia a mínima vontade de levantar, aliás, desde o “incidente” com Laila, não tinha vontade de fazer nada. Ficou apenas se virando para lá e para cá na sua cama e como havia virado de costume, chorou. Chorava todo dia. Não conseguia tirar a imagem de Laila de sua cabeça. Não conseguia esquecer aqueles olhos completamente negros. Culpava-se por tudo aquilo, tudo mesmo.


-Já está na hora Mariane, vamos.
-Já vou mãe.
-Porque não passou a noite na sua casa?
-Ah, nada. Fiquei com saudades.
-Também senti sua falta, agora vai se arrumar. Vai se atrasar.
-Tá bom, tô levantando.
Começou a se levantar e se espreguiçou. O que faria quando chegasse na escola? Sentaria sozinha? Provavelmente, não tinha muitas pessoas com quem gostava de falar. Falaria com Felipe e Yuri depois do que aconteceu normalmente? Também não. Seria muito estranho e desconfortável. Não estavam se falando esses dias, e ela tinha certeza que era devido a aquilo.
O melhor mesmo era esperar e ver o que acontecia. Apenas chegaria na escola, sentaria em seu lugar e por fim copiaria a matéria. Não tinha muito mais o que fazer. E se fosse pra ficar chorando, o melhor mesmo era ir pra sua casa onde morava com Laila.
***
Felipe não dormiu a noite toda. Apenas havia ficando sentado em sua varanda olha o céu, as estrelas, a lua e por fim, o sol nascendo. Só aquilo o acalmava depois do que havia acontecido. Só aquilo o faria pensar sobre o que faria depois.
Bateram às 6H10M da manhã. Entrou para seu quarto e começou a se arrumar. Esbarrou em uma foto antiga. Ele, Laila, Mariane e Yuri em uma pizzaria. Época feliz. Felipe fazia caretas para as duas rirem e ficarem envergonhadas, Yuri o acompanhava. Lembrou-se de que naquela época ele e as meninas eram da organização. Mesmo assim, nada os impedia de ser feliz. Certo? Errado. Mesmo naqueles momentos tinham que andar ligados. Poderiam sofrer um ataque a qualquer segundo. Mas mesmo assim, eram felizes momentos, pena que apenas momentos.
***
Yuri se levantou devagar. Mesmo depois de ver tudo aquilo, ainda ficava duvidas em sua cabeça. Aliás, não conseguia entender aquilo tudo. Bi-habilidades, habilidades, totens. Nada daquilo fazia o mínimo sentido para ele. Mas ainda assim sabia que eram reais. Também sabia que ainda havia muito mais que aquilo, e ele não tinha ideia do que era. Era tudo completamente desconhecido, não tinha mais certeza de absolutamente nada.
Foi em direção ao guarda roupa e pegou a camisa de escola com sua jeans e tênis de sempre. Tomou banho e se arrumou devagar, não ligaria se perdesse o primeiro tempo mesmo. Era artes. De acordo com ele, se resolvia depois com a professora.
***
Mariane chegou na escola e largou a mochila no primeiro lugar livre que viu. Se virou para ir ao banheiro e viu Yuri entrando pela porta, então disse:
-Bom dia.
-Bom dia. – Respondeu de um jeito que quase não se entendia – Viu o Felipe por ai?
-Não, também queria falar com ele.
-É sobre...
-É.
Ambos ficaram em silencio absoluto, o único barulho era do vento ao lado de fora e do ar condicionado todo empoeirado que havia na sala.
Ficaram se encarando por alguns segundos, até que Mariane começou a chorar. Yuri a abraçou e então disse:
-Calma, vai ficar tudo bem.
Mariane apenas soluçava algumas palavras que não eram possíveis ser entendidas. Ela o apertava cada vez mais forte, e então olhou em seus olhos. Parou de chorar, Yuri foi se aproximando dela. Podiam sentir a respiração um do outro, os batimentos um do outro.
Mariane olhou para a porta e viu Felipe em pé os encarando, então se afastou de Yuri e disse:
-Bom... Bom dia.
-Bom dia, para os dois.
Yuri nada disse, apenas deu um sorriso forçado. Então falou:
-Posso falar com você?
-Estou bem sim, obrigado por perguntar. E você?
Yuri olho em volta e não viu ninguém. Então sem pensar duas vezes foi em direção a Felipe e o colocou contra a parede, então disse:
-Você não tem sentimentos? Laila desapareceu, ela se tornou em um demônio. E ainda assim você age como se fosse normal?
Felipe segurou seus braços e o rodou, então o jogou contra a parede, fazendo-o cair com o impacto, então socou sua barriga e disse:
-É, eu ajo, sabe por quê? Porque eu me importo. Eu estivo durante muitos e muitos anos apenas a protegendo de tudo isso, tudo. E você achava que seus probleminhas pessoas eram muitos. Não parava de reclamar e ir chorar no ombro dos amiguinhos de como a vida era injusta, e pelo menos isso você acertou. Não é nada justa. E sabe de uma coisa, não era nem pra você estar aqui, se não fosse por mim você é quem estaria sumido. Eu não a ajudei pra te salvar. Por que mesmo sem a nossa ajuda, naquele estado, ela sabe se virar. Feliz agora?
Yuri se manteve em silencio e sem reação. Felipe se levantou e o deu mais um chute no braço. Mariane apenas ficou observando sem nada falar, então começou a chorar de novo. Felipe jogou sua mochila para um canto qualquer com força, fazendo a mesa que tacou até cair. Então se retirou de sala.
Yuri não se levantou, ficou ali, deitado. Sentia-se péssimo, não se lembrava da parte que Felipe o salvava, aliás, ele não se lembrava de nada daquele dia, apenas que Laila havia ido embora. Eles contaram uma versão diferente daquela, porque não haviam contado a verdadeira desde o inicio? Olhou para Mariane. Ela estava se abraçando e chorando. Levantou-se devagar e colocou a mochila no lado da de Mariane. Olhou para ela e então se retirou de sala.
***
-Aproveite que ela está triste e arranque tudo dela, agente precisa parar o Marcos.
-Felipe senhor, é como ele se refere.
-Estás mostrando respeito a aquele traidor? Quer se juntar a ele?
-Não.
-Não? Não o que moleque, mostre seu respeito.
Um barulho de um tapa cortou a discussão que estava acontecendo ali.
-Desculpe senhor. Não, não tenho nenhum interesse em me juntar ao Felipe. Senhor.
-Ora seu... Tirem-no daqui. E o ensine uma boa lição.
-Mas porque senhor?
-Eu não preciso de motivos, mas irei te dizer o que tive agora. Eu já disse, ele é Marcos, não Felipe. – Colocou a mão sobre o queixo do outro – Entendeste?
Então lhe deu um tapa no rosto.
-Tudo bem senhor, estás certo.
O homem começa a rir insanamente.
-Senhor...
O homem para de rir e fala:
-O que ainda quer?
-Ela também é uma traidora, certo? Senhor.
-Achas mesmo que ela escapou por causa dele? Deixei com que ela fosse levada, assim conseguiríamos mais informações. Agora se apresse e vá receber sua lição. Não me incomode novamente.
-Sim senhor. Senhor.
***
Guilherme estava subindo as rampas da escola quando esbarrou com Felipe, então disse:
-Sua energia está perturbada, aconteceu algo?
-Desde quando você se importa?
-Desde nunca, só é bom saber o que está acontecendo ao adversário.
-Eu realmente te ensinei bem.
-Devo muito a você, mas não tudo. Já melhorei muito do que me ensinou.
-Eu não te ensinei tudo, apenas de levei até a entrada dele. O resto fez por mérito próprio.
-Por que falou então que me ensinou bem?
-Porque se não fosse pelo meu pontapé inicial, você ainda não seria nada.
Guilherme ficou em silencio. Tal como Felipe. Então Felipe continuou a andar para o andar de baixo. Guilherme o ficou encarando, então acariciou o próprio rosto e continuou a subir para a sala. Chegando lá encontrou Mariane sentada sozinha. Já batia 7H, mas ninguém estava dentro de sala ainda, até mesmo o professor sempre se atrasava cerca de meia-hora.
-E ai, como você tá?
Só agora tinha notado que ele havia entrado em sala, então disse:
-Desculpa, não vi você entrando. Tô indo, e você?
-Também. Cadê a Laila? Geralmente vocês chegam juntas.
-Ela... Acho que ela não vem hoje.
-Ah sim, entendo. Você parece meio triste, aconteceu algo?
Guilherme colocou a mão sobre a mão de Mariane, então foi interrompido por Yuri entrando e falando:
-Arrã. Com licença.
Guilherme puxou sua mão de volta e voltou aonde seria seu lugar. Yuri ficou encarando-o, quase o intimidando.
O sinal soou quebrando todo o silencio daquele ambiente de tensão. Uma multidão de 35 alunos adentrou a pequena porta. Mariane tentou observar, mas não viu Felipe entrando.
***
-O que você...
-Achou mesmo que eu ia sumir para sempre Felipe? Mesmo?
-Mas...
-Mas o cacete, deixa eu subir logo, estamos atrasados.
A porta foi empurrada bruscamente. Mariane e Yuri olharam rapidamente, e quase tão rápido quanto olharam para a porta ficaram boquiabertos.
-Olá pessoal, porque tá todo mundo me encarando?
-Eu falei pra você que isso ia acontecer.
-Cala a boca Felipe.
A pessoa entrou e sentou atrás de Mariane e ao lado de Felipe, sem falar nenhuma palavra, então começou a copiar a matéria no quadro. Mariane e Yuri ficaram encarando-a sem falar nem mesmo uma única palavra.
-O que foi vocês dois? Parece que nem me conhecem mais. Alou sou eu.
Quase como se fosse combinado, Mariane e Yuri falaram:
-La... Laila?
-É, sou eu. Tudo bem com vocês?
Então Laila abriu um pequeno sorriso malicioso. Quase como se tivesse planejado tudo aquilo.
Reações: