Capitulo 12
Just a talk
E ai, mudou a dupla?
-Não, agora eu trabalho em trio. Deixe-me te apresentar, esse é o Daniel.
-E o Sergio?
-Tá lá fora, observando aquele corpo que está lá.
Felipe arregalou os olhos, sabia que era o corpo de Yuri, e sabia que ele não estava pronto pra lutar contra Sergio. Seria suicídio. Seu pensamento foi cortado quando Daniel disse:


-Ele tá ganhando tempo, ataca logo.
Caio o fuzilou com os olhos e então disse:
-Relaxa. Só estamos colocando o papo em dia, certo Marcos?
-Felipe.
-Cara, você ficou tão chato assim quando?
-Não me chame de “cara”. Eu nunca mudei. Não com vocês da Organização.
-É verdade, sempre foi um chato.
-Um chato que te deu uma surra.
-Há há, naquela época eu ainda era fraco.
-Você ainda é. Alias, já falou pro seu amiguinho qual a sua habilidade?
-Ná, ele não precisa saber.
-Eu sei que você tá ganhando tempo. Quanto mais se concentra no seu adversário melhor. Mas sério. Você vai tomar uma surra do mesmo jeito.
-Você ainda lembra-se da minha habilidade e como ela funciona? Estou honrado.
-Dificilmente acredito que esteja.
-Desculpe interromper o encontro das amigas, mas... Ela já completou a fase de transformação. Vamos embora Caio, não temos mais o que fazer aqui.
-Como assim não temos? Ela é um espirito, só que mais forte.
-Não, ela seria um espirito mais forte se a aura dela mudasse. Mas por algum motivo, ela não vai mudar. Está presa a algo, não posso controlar nada assim.
-VOCÊ VAI CONSEGUIR!
-Desculpe Caio, mas não. Não vou.
-Seu inso...
-Se você não ficasse de papinho não teria acontecido, culpe a si mesmo.
Caio levantou o braço para atacar Daniel quando Sérgio atravessou a janela do segundo andar como se tivesse sido arremessado. Então Felipe disse:
-Oh damn it...
-O que foi? – Perguntou Caio – O que aconteceu?
-Ele caiu na contenção, agora ela vai se libertar.
-Mas quem diabos conseguiria fazer isso com ele fora da organização? – Caio parou por alguns segundos para pensar e então se lembrou – Quem era aquele lá no quintal morto?
-Não estava morto. Tava em transe, sabe, com totem.
-Você não...
-É, fiz.
-Seu imbecil.
-Diz o que foi expulso 3 vezes da organização e se não fosse por mim, não teria voltado.
-Ah, vai se...
Antes de terminar a frase foi interrompido por duas terríveis energias explodindo. Todos ficaram paralisados, então Felipe disse:
-Todo mundo aqui, vocês vão controlar a Laila.
-Mal acabei de ser arremessado e já recebo ordem? – Diz Sérgio de levantando e limpando alguns cacos que grudaram em sua roupa.
-E você? Vai fugir? – Perguntou Caio para Felipe.
-Não, vou cuidar do outro.
-Você vai...
-É, vou.
-Tão forte?
-Provavelmente.
-Ah, sim... Assim que conseguirem controla-la e “desativa-la”, vocês irão embora.
-Vamos?
-É, vão.
Caio deu os ombros, então Felipe parou em frente à janela e viu Yuri em pé no meio do quintal. Estava com as costas arqueadas. E o encarando, de longe Felipe via seus olhos, amarelos cintilantes. Seus dedos estavam dobrados como se estivesse com unhas na ponta, e na verdade, estava. Sua respiração era funda, quase como se não aguentasse. Aquilo tudo. Suas vestes estavam em sua maioria rasgadas. Então Yuri soltou um rugido, alto o suficiente pra que pessoas a quase 1Km de distancia ouvir.
-Vai ser interessante. – Disse Felipe, o encarando.
***
-MAS O QUE DIABOS VOCÊ TA FAZENDO? NÃO PRECISAVA AQUILO TUDO, ELE AINDA É UM HUMANO. – Gritava Yuri com o leão.
-Mas ele ia te ferir, tenho que te proteger, você concordando ou não.
-Espera, aquele em pé lá na janela, é o Felipe?
-Aparentemente sim.
-Beleza, ele vai me tirar daqui.
-Não teria tanta certeza, ele fede a vontade de luta. Não vai pegar leve, então, nem eu.
-O que você quer dizer com “nem eu”?
-Você vai ver. Ai vem ele.
***
Felipe havia pulado da janela em direção a Yuri em apenas um salto. Chegando perto Yuri passou a mão pela terra e jogou contra Felipe enquanto isso pulou para o lado para sair do lugar. Felipe colocou o braço na frente e se protegeu, então caiu e se levantou sem tirar os olhos de Yuri. Não queria admitir, mas sabia que não ia poder pegar pesado.
-Yuri, é com você que eu estou falando. Faz uma força ai cara, não deixe ele te controlar.
Silencio absoluto, apenas se encaravam.
-Tipo, se você não colaborar, eu vou ter que te machucar. E nós não queremos isso, nem um pouco, certo?
Silencio ainda.
-Por favor, cara. Não quero fazer isso.
Silencio. Não havia nem sinal de resposta. Felipe o ficou encarando quando Yuri pulou em sua direção em um ataque direto. Felipe pulou para o lado, não notou, mas havia tomado um chute certeiro na boca do estomago, o fazendo cair de joelhos. Não demorou muito a sentir o gosto de sangue em sua boca. Havia mesmo tomado aquele golpe sem nem ao menos perceber? Então se lembrou de um detalhe, leões são fortes. Muito fortes. Então se levantou e o ficou encarando.
Novamente veio em um ataque direto, quando estava se aproximando, Felipe foi contra ele e segurou seus pulsos, então o rodou e o jogou contra a parede. Quase pode ouvir o barulho dos ossos se quebrando na parede. Quase. Aquilo não ia acontecer, ainda mais com Yuri daquele modo. Então Yuri o ficou encarando. Então se moveu depressa em direção ao muro, quando Felipe notou o que queria foi em direção ao muro também, quase foi tarde.
Yuri havia tentado pular por cima do muro e escapar, quando estava quase passando, Felipe o segurou pela perna e o puxou de volta, o empurrando contra o chão. Então disse:
-Vamos, de igual pra igual. Habilidades de totem contra habilidades de totem.
Novamente Yuri correu contra o muro, Felipe foi em sua direção. Quando pulou para segurar Yuri, o mesmo parou e o segurou pela perna, então o girou e tacou Felipe contra a parede. Então pegou sua cabeça e bateu mais outras inúmeras vezes, sem pena. Completamente frio.
Na ultima vez que fosse fazer isso, Felipe se tacou para o lado e deu certa distancia. Já estava completamente ensanguentado. Mas não iria desistir, não mesmo. Após alguns segundos encarando Felipe começou a sorrir, pouco tempo depois estava gargalhando insanamente. Não entendeu o porquê, mas queria dar aquelas gargalhadas doentias. Gargalhadas de loucura, por relembrar como era uma luta boa. Por relembrar o que é vontade de lutar.
-Então é assim? É assim que eu vou relembrar de tudo? Que patético.
Felipe então começou a correr em direção a Yuri. Não pararia, não seria parado. Apenas iria atacar, estando consciente ou não. Quando chegou perto de Yuri mudou de direção e o atacou pelo lado. O acertou um golpe bem entre a costela e a pélvis. Yuri caiu, mas tão rápido quanto caiu também se levantou. Procurou Felipe, já não o via mais. Não sentia o cheiro. Nem mesmo o ouvia. De repente sentiu algo pegando em sua nuca. Colocou a mão para tatear, e sentiu que era Felipe. De onde ele veio?
Colocou a mão envolvendo o rosto de Felipe e então o jogou para sua frente, no chão. Quando ia dar um soco em seguida, teve sua mão presa pela de Felipe. Sentiu como se sua mão estivesse sendo esmagada. Sem dó. Felipe girou seu braço, pode sentir os ossos quebrando. E então o puxou para o chão fazendo-o cair de cara.
Felipe prendeu os braços de Yuri com o peso das pernas, então colocou os dedões do lado dos olhos e odo meio embaixo no maxilar de Yuri. Então sorriu e disse:
-É assim que acaba. Você jamais iria me vencer.
Yuri começa a tentar sair, mas seu corpo não se mexia. Então Felipe diz:
-Relaxa, eu usei uma habilidade, seu corpo não vai se mexer até que minha vontade mude.
Felipe fechou os olhos e virou sua cabeça para o céu.
***
Todos estavam na parede, presos, controlados. Laila sentada no meio do quarto, balançando o corpo. Quase como uma esquizofrênica. Mariane olhou nos olhos de Laila, era possível ver medo em seus olhos. Uma escuridão e sofrimento imerso nos olhos completamente negros. Não conseguia acreditar que era a mesma Laila de algumas semanas.
-Por que você está tentando me controlar menino?
Daniel arregalou os olhos. Ela sabia que era ele. Nunca tinha visto algo tão forte. Estava apavorando com o que ela seria capaz de fazer.
-Eu te fiz uma pergunta. Não vai responder?
-Eu... Eu não estou tentando controla-la.
-Mentindo também? Não é algo lá bom de fazer, venha até aqui.
Daniel começou a se mexer involuntariamente. Tentava resistir, mas era inútil. Agora sabia como era ser controlado. E não era nada bom.
Quando chegou a alguns centímetros dela parou, então ela disse:
-Você não pode me controlar. Eu ainda sou material, toque em mim.
Laila pegou a mão de Daniel e colocou em sua barriga, então continuou:
-Viu? Não tem como, eu sei sobre sua técnica, sei sobre você. Não vai funcionar.
Daniel não conseguia se mexer, falar, nem mesmo pensar era possível. Estava apavorado.
Caio começou a fazer esforço, então conseguiu mexer a mão. Quase que no mesmo segundo que se mexeu Laila o encarou seriamente. Então ela disse:
-Daniel, volte para o seu canto. – Na mesma hora o corpo de Daniel foi arremessado e “fixado” na parede – E você ai, Caio certo? Achas mesmo que pode sair?
Caio ficou encarando-a, então disse:
-Bitch!
Laila levantou o pulso em direção a ele e o fechou. Caio começou a se contorcer de dor. Então começou a cuspir sangue.
-Olha lá o respeito comigo garoto. Você não é de nada, nada mesmo.
Então começou a girar a mão, fazendo Caio cuspir mais sangue e se contorcer.
-PARA! – Gritou Mariane.
Laila virou o rosto para Mariane, e a encarou. Então disse:
-Quer dizer que você também? Sabe, eles dois eu entendo, mas você esteve comigo a vida toda. Não vai deixar eu me defender?
-Eu... Você... Você não é assim. Eu te conheço, você não é assim.
-Talvez eu sempre tenha sido, e você não me conhecesse.
-Não, eu sei que você não é assim.
Mariane começou a se soltar aos poucos. E foi andando até Laila. Laila tentava joga-la de volta a parede, mas não conseguia. Laila começou a se ajoelhar e fazer força. Nada. Mariane continuava a vir de pouco em pouco. Quando chegou perto de Laila e ia encostar, Laila levantou o rosto, sorriu e disse:
-Brincadeirinha.
Então jogou Mariana no teto e a deixou cair no chão, então a levantou e jogou de volta na parede. Todos ficaram encarando-a, então uma onda de energia veio forte seguida de uma gargalhada. Laila olhou para janela e então perguntou:
-Então Mariane... Aquele é o Felipe?
Mariane se matem em silencio e vira o rosto, então Laila diz:
-É, é ele. Conheço essa sua virada de rosto. Daqui ele é o único que consegue me parar, suponho eu. Vou terminar logo com você pra...
Laila arregala os olhos em direção a janela. Uma luz começa a adentrar pela janela, então Laila grita e desaparece. Todos os 4 caem no chão atordoados. Não havia mais ninguém no cômodo além deles. Estava tudo em silêncio.
Ficaram parados por alguns minutos, então Felipe entra pela porta com Yuri em seu ombro. Então ele larga Yuri no chão e pergunta:
-Cadê a Laila?
-Uma luz entrou aqui. E ela desapareceu.
Felipe resmunga um “Damn” e então diz:
-Depois a gente procura por ela, por momento vamos descansar. E vocês três, sumam. A não ser que queiram ser os próximos a desaparecer misteriosamente.
-Não precisa falar duas vezes, já estamos indo. – Diz Caio.
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