Capitulo 10
Scream
Laila e Mariana estavam abaixadas e abraçadas e chorando. Felipe estava na sacada olhando o céu. Não sabia quando Yuri iria acordar, então esperaria ali, tinha certeza que saberia quando ele iria acordar. Só ouvia ambas as meninas chorando uma com a outra. No meio aviam algumas discussões sobre o que Mariana havia feito, mas eram rapidamente apaziguadas.
Depois de uns vinte minutos de choro haviam parado, Felipe foi seguindo em direção e elas e puxou um papel do bolso e jogou na mão de Mariane, então disse:
-Leiam e ajam normalmente. É melhor o Yuri não saber, não agora. E Mariane, precisarei de você lá em baixo, daqui a pouco.
-Pode deixar, eu vou descer.
Mariane deixou o papel no chão e o ficou encarando por cerca de um eterno único minuto. Esticou seu braço e pegou o papel, não queria, mas tinha que ler o que estava escrito.


***
Felipe chegou ao quarto onde Yuri estava para ver como ele estava. Ainda estava em coma. Ficou o encarando por cerca de um minuto. Então se virou para voltar para sala quando sentiu uma energia enorme crescendo, se virou e viu Yuri sentando na cama. Então disse:
-Só vou perguntar uma vez, quem está ai?
-Um dementador – Disse Yuri ainda coçando o olho – claro que sou eu.
-Ah, Yuri, é você.
-Mas que diabos aconteceu aqui?
-Ah, nada, relaxa.
Yuri começou a se levantar da cama quando ouviu um sussurro e seu corpo se moveu automaticamente se jogando para o lado. Olhou para a parede e viu uma faca encravada nela. Felipe olhou e disse:
-Então você conseguiu mesmo? Não que desviar de uma faca seja difícil, ainda mais essa que eu joguei fraca, mas ainda assim, sem ver, muito bom.
Yuri então ficou o encarando sem saber o que fazer, então disse:
-Mas que por...
Então Felipe pegou outra faca e jogou. Yuri pulou para o lado de novo saindo da frente da faca. Antes que pudesse fazer qualquer coisa Felipe o chutou no estomago o fazendo sair do chão e batendo na parede. Felipe colocou o pé sobre o peito de Yuri então disse:
-Não basta só se fundir, tem que também conseguir usar as habilidades que ele te dá.
Felipe então fechou a mão e deu um sono no ombro de Yuri. Quase se pode ouvir um estalo de tamanha força que foi dado o soco. Yuri se contorceu de dor. Não sabia o porquê, mas conseguir ver boa parte dos movimentos, mas seu corpo não o acompanhava, e estava cansado, muito cansado. Felipe se afastou um pouco então disse:
-1 minuto, é o tempo que você tem pra fugir daqui e se recuperar.
Yuri o ficou encarando, então Felipe falou:
-É serio, seu tempo tá passando, se você não sair, vai ser muito pior.
Quase sem força Yuri se levantou e começou a correr para fora da casa. Estava em uma casa com quintal grande, bem grande. Começou a olhar em volta, o quintal tinha muitas arvores e mato que ia até sua cintura de tão grande.
Seu corpo estava pulsando, principalmente sua perna, começou a ficar ofegante. Avistou uma arvore com mais folhas que as outras, mal dava pra ver por dentro dela. Correu em direção a ela, então em um salto conseguiu alcançar um galho bem alto. Não sabia como havia feio aquilo, o galho estava a uns 4 metros do chão, e como se fosse a coisa mais comum do mundo o havia alcançado. Mas não teve tempo para pensar, em uma agilidade que não reconhecia de si mesmo já estava bem no meio da arvore, quase invisível. Quando se ajeitou viu Felipe saindo da casa, com algumas facas a mão.
Felipe saiu e não olhou para os lados, apenas fechou os olhos. Yuri o ficou encarando de longe, não sabe como, mas ouviu Felipe respirando forte, como se fosse para sentir algum cheiro.
Felipe pegou uma das facas e jogou na direção de Yuri, como se tivesse certeza de que ele estaria ali. Yuri pulou da arvore, e caiu exatamente em pé, estranhou, já havia subido uns 4 metros em um salto, subiu mais uns 2 ou 3 para se esconder melhor, e em um salto conseguiu cair exatamente em pé sem muito mal sentir a queda. Definitivamente tinha algo errado, ou certo, não sabia. Felipe então sorriu e disse:
-Sério? Em uma arvore que só tem folha? Seria mais esperto abaixar no mato atrás de uma arvore. O mato não ia me deixar tacar na parede e desviar na sua direção, e nem ia te acertar diretamente porque o tronco ia de proteger.
Yuri olhou e disse:
-Mas como você...?
-Ah, simples. Eu tenho contato com meu totem, mesma coisa que você, só que eu sei usar as habilidades que ele me proporciona. É o que eu tô tentando te ensinar.
-Assim? Se é doido? Tá tacando faca em mim. Acha mesmo que eu vou aprender assim?
Felipe se manteve em silencio, então sorriu e jogou outra faca fazendo Yuri pular para o lado para desviar de novo, então disse:
-É.
Yuri se levantou e viu outra faca vindo. Como se tivessem desacelerado o tempo, ele viu a faca se movendo em câmera lenta. O que deveria ser apenas um segundo estava demorando minutos em sua cabeça, mas não era só a faca, tudo estava devagar. Avistou um beija-flor, conseguia ver suas asas batendo devagar, o que ele achava impossível ser visto a olho humano. Então voltou o olhar para a faca, esticou o braço e conseguiu agarra-la. Assim que agarrou sua visão voltou ao normal, então Felipe olhou e disse:
-Parabéns, você acabou de usar a visão. Agora falta o olfato e audição. Por ultimo vamos tentar todos juntos.
Yuri então girou a faca na mão. Foi meio desajeitado, mas nada que não tenha conseguido. Então correu em direção a Felipe, que virou para outro lado e tacou a faca. Quando estava quase alcançando Felipe, a faca que ele havia tacado na direção oposta veio de seu lado, fazendo-o se cortar na canela. Quando a faca o cortou ele caiu no chão com dor. Apenas conseguiu gritar. Ouviu Felipe levantando, então com esforço se levantou e recuou. Então Felipe disse:
-Dependendo do oponente, o melhor a se usar é a visão, geralmente esses são os que usam armas de médio alcance. Outros que é melhor a audição, geralmente esses são os de longo alcance. Mas muito cuidado com os de curto alcance, contra eles, é bom usar visão ou audição, pois dependendo do usuário, pode torna-la de longo alcance. Como é o exemplo da faca, a principio é um de curto alcance, mas se eu arremessa-la eu posso te atacar de longe. E de varias formas, diretamente ou indiretamente, por isso é bom usar a audição e visão contra um desses.
Yuri o encarou. Sem mais nem menos levantou e começou a correr para ataca-lo. Felipe tacou duas facas para trás e se virou tacando uma para frente. Yuri continuou correndo, então pulou. Havia desviado de uma das três. Continuou correndo e ouviu outra batendo na parede ao seu lado. Então abaixou e rolou cambalhota. Havia desviado de mais uma. Só faltava uma. Onde estava? Não queria saber, só tinha que chegar a Felipe, sabia que com certeza a faca não iria naquela direção.
Quando chegou a certa distancia, tacou a faca em direção a Felipe e pulou. Felipe agarrou a faca e tacou para cima. Com a outra mão pegou no pescoço de Yuri. De repente sentiu uma dor súbita na parte de trás da sua perna. Então Felipe disse:
-Você veio correndo na minha direção achando que não ia tacar nada que viesse aqui de novo. Não esperava que eu fosse imaginar que você imaginaria isso.
Yuri ficou com os olhos arregalados. Não entendia como. Era aparentemente impossível derrubar Felipe, ele estava sempre uns dez movimentos à frente.
Felipe o jogou para trás, só agora tinha notado que a faca não tinha tanto força a ponto de perfurar sua perna, mas ainda assim havia machucado bastante. De repente conseguiu ouvir um barulho de algo. Como se visse em sua direção cortando o vento. Na mesma hora pulou para trás, uma faca havia caído do céu, lembrou-se que a faca que ele havia tacado e Felipe havia agarrado jogando-a para o alto. Já havia calculado aquilo também.
Pegou a faca que estava no chão. E já estava de pé de novo, embora quase não se aguentasse em pé. Felipe pegou mais facas, e o encarou. Então Yuri disse:
-Serio? Mais facas? Tem um estoque ai? Ou magia negra sabe-se lá.
-Por ai. Um estoque.
Felipe jogou duas facas em direção a Yuri e tacou outras para uma direção aleatória. Yuri encarou as facas vindas e as viu vindo em câmera lenta. Tentou concentrar a mesma sensação no ouvido, pegou as duas que vinham em sua direção e conseguiu ouvir o zumbido da outra que estava vindo. Virou-se pegou a outra que vinha. Ao pegar seu sangue suou frio, estava na direção de sua nuca, se ele falhasse provavelmente morreria ali. Então ouviu Felipe falando:
-Parabéns, você aprende rápido. Usou a audição, ou pelo menos aparentou saber usar. Agora vamos ao ultimo, olfato.
Felipe pegou 5 facas e tacou todas de uma vez em direções completamente diferentes. Yuri ficou parado e abriu os braços esperando alguma delas. Conseguiu ouvir 6 coisas diferentes. “Espera, foram apenas 5 facas” pensou Yuri. Pulou e pegou a primeira. Virou-se para trás e pegou a segunda. Chegou para o lado e desviou da terceira. Preparou-se para pular da quarta que iria vir rasteira. Quando ia fazer sentiu seu corpo sendo puxado para baixo, fazendo com que tivesse a panturrilha acertada pela faca, por alguns instantes parou para sentir a dor, então a outra faca acertou seu braço. Yuri caiu com uma mão sobre o braço e a outra sobre a panturrilha. Felipe se aproximou e disse:
-Quando se está em um ambiente assim, onde podem se esconder. Ou quando se invade um território inimigo, use o olfato. É muito mais seguro que qualquer outro sentido para identificar. É até o mais preciso. Você a ouviu. Mas não tinha certeza se era verdade ou não, o que é certo, mas no olfato, você teria certeza que era ela.
-Espera, ela quem?
-Eu bobão.
Yuri se virou e vi Mariane em pé em cima do galho. Quando ela havia chegado ali, e como se movimentou tão rápido a ponto de Yuri só saber que tinha alguém depois que ela o acertou? Não queria saber, mas queria fazer aquilo. Não sabia o porquê, mas agora sentia uma necessidade de liderança, ser o mais forte e o melhor.
Felipe se afastou e disse:
-Tudo bem, vamos tentar de novo. Só que dessa vez eu também vou atacar. Ou quer uma demonstração com Mariane pra você ver como é mais ou menos?
-Quero. Mas espera, Mariane, você sabe usar o totem?
Mariane olha para o lado como se o desprezasse por fazer aquele comentário, então disse:
-Claro que sei. E inclusive eu ajudei o Felipe a melhorar os sentidos dele.
-Não, não ajudou. – disse Felipe – Você só disse algo que me ajudou a entender melhor, mas nada de mais, alguma hora eu ia pensar nisso.
-Não, não ia.
Felipe jogou três facas em direções aleatórias, Mariane sem sair do lugar só estendeu um dos braços e o rodou no ar, quando Yuri olhou ela estava segurando as três facas, sem nenhum corte.
-Andou treinando? – Perguntou Felipe.
-Ná, sempre fui boa nisso, até melhor que você. – Ao terminar de falar Mariane abriu um sorriso provocador.
Yuri olhou para Felipe querendo rir. Mariane começou a correr em direção a Felipe e ajeitou as duas facas na mão como quem vai para perfurar, talvez até mesmo matar. Felipe sorriu e colocou uma das mãos no bolso da calça. Quando Mariane chegou perto de Felipe ele pulou para trás e pegou no braço dela. Então a girou no ar e jogou contra a parede. Antes de bater com as costas ela colocou as pernas e se empurrou de novo contra ele. Jogou uma faca e tentou perfura-lo com a outra.
“Acertou e vai mata-lo!” Yuri pensou. Quando o acertou o corpo dele se desfez. Yuri ficou paralisado. Quando aquilo havia ocorrido? Não viu nem mesmo ele saindo do lugar. Mariane então começou a se desfazer também. Quando haviam feito qualquer coisa? Onde estavam? De repente viu uma faísca saindo do meio do nada e aparecendo Felipe e Mariane com as facas travadas entre eles.
Olhou melhor para o olho de Felipe, a pupila era apenas um risco, como o de um gato. Olhou para o de Mariane, a pupila estava minúscula. Ficou olhando os dois, sem saber o que fazer ou falar. Então parou e pensou, pegou uma faca que havia ali perto, olhou o seu olho pelo reflexo, estava parecido com o de Felipe, só havia algo diferente. Algumas partes de sua íris estavam com reflexos amarelos. E seu olho normal era castanho escuro.
Quando olhou novamente Mariane estava caída no chão e Felipe estava segurando uma faca no pescoço dela. “Agora sim, acabou” pensou Yuri. Felipe se levantou e foi andando em direção a Yuri, então disse:
-Agora, é você. Só vou dar uma dica, todas as ilusões afetam sua visão, uma parte a audição, e a minoria o olfato. Boa sorte.
Assim que terminou de falar Felipe desapareceu bem na frente dos olhos de Yuri. Yuri segurou as facas de um jeito que pudesse reagir rápido ao mínimo sinal diferente. Então piscou o olhos e viu uns dez Felipes a sua frente. Pegou um pouco de areia na sua mão e jogou na direção deles. Cinco desapareceram quando a areia os tocaram. Os outros começaram a correr em direção a Yuri. Tentou se concentrar e ouviu os passos de apenas três. Não sabia de qual se defender, mas sabia que um deles era o verdadeiro, e estava vindo para ataca-lo.
Sem saber o que fazer fechou os olhos e respirou fundo, conseguiu sentir um cheiro mais forte vindo de uma das direções, então abriu o olho, só haviam dois vindo, e não sabia qual se defender. Quando os dois se aproximaram Yuri virou as costas para eles e jogou a faca na direção oposta. Então fechou os olhos.
Apenas conseguiu ouvir um parabéns saindo da boca de Felipe. Os dois que vinham eram ilusões. Felipe estava vindo por trás dele. Então Felipe disse:
-Muito bem, só não me acertou porque eu segurei a faca e imaginei que você fosse saber de onde eu vinha de verdade. Então eu...
Felipe foi cortado por um grito vindo da direção do quarto de Laila. Felipe olhou para Yuri e disse:
-Fica aqui.
-Mas...
Antes que terminasse Felipe bateu na testa de Yuri o fazendo cair desmaiado.
***
Laila estava se revirando de dor no quarto quando Felipe e Mariane entrarem. Quando Mariane ia toca-la Felipe a puxou de volta e disse:
-Não toca nela, é pior. Vai pegar alguma coisa que escreva no chão.
Quando Mariane se virou Laila disse com a voz fraca e falhando:
-Por... Por favor, não... Não me deixem aqui. Me... Me aju... Me ajudem.
Mariane se virou lentamente e olhou para sua amiga e então gritou. Felipe empurrou Mariane e gritou:
-VÁ LOGO, SE FICAR AQUI VAI SER PIOR.
Mariane se apressou correndo, então Felipe ficou olhando sem saber o que fazer.
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