Capitulo 8
Hunters

-Esse trabalho é um saco.
-Pois é, passamos pela melhor escola pra isso, e só estamos nos fantasmas.
-Culpa daqueles filhinhos, só porque tem os pais conhecidos e poderosos.
-Acabamos?
-E eu acho que... – fez uma pausa e se concentrou – Sim, acabamos. Ah não...
-O que? Mais um trabalho?
-Positivo. É em um lugar chamado Costa Valença. Fim do mundo, depois de Cabo Frio.
-Bom, tem praia pra lá. Dá pra dar uma aproveitada.
-Não, Costa Valença não tem praia. Tem uma advertência aqui. Essa tá classificada como não perigosa. Mas tem rumores de uma rebelde lá, talvez seja uma perigosa.
-Certeza? Geralmente não mandam agente pra essas.
-É um teste. A Organização quer que provemos se estamos aptos, além de ser uma missão, lá vamos ver se pegamos a dica pra mais dois. E esses dois tão classificados como proteção divina.
-Porque eles não mandam agente pra uma normal? Onde agente só é avaliado e depois vamos pra casa até receber outra? Se contar, vão ser três missões seguidas sem descanso. Essa, à de Costa Valença e a outra. E essa outra... Se tiver divindade e tão mandando pra nos dois, é porque é uma de reconhecimento. Não esperam que iremos resolvê-la.
-Talvez. Vamos Sérgio.
-Algo errado, agente não vai sair vivo. Já tô avisando. Tem certeza, Caio?
-Não, mas se recusarmos agente vai acabar morto de qualquer jeito.
Sérgio bufou, sabia que Caio estava certo. Qualquer um que recusasse alguma missão da Organização acabava morto. O melhor a fazer era seguir em frente e aceitar a missão que traria a morte deles. Ironicamente, talvez fosse à única chance de eles sobreviverem. Entraram no carro. Se fossem pegos em alguma blitz simplesmente se safariam dela. Era uma especialidade. Sérgio tinha 17 anos e Igor 16. Chegaram a um hotel de beira de estrada. Havia começado a chover, iam passar a noite. Perguntaram se tinham um quarto vago e se havia internet sem fio, a atendente olhou e disse:
-Temos só um quarto pra solteiro e estamos sem internet. À única que temos é a do servidor. Devido à chuva, a sem fio está com problemas. Desculpe o transtorno.
Sérgio põe a mão sobre a da moça e diz olhando nos olhos dela:


-Apenas um quarto? Tem certeza? Nenhum outro? E, além disso, você poderia me mostrar um dos quartos. Deixar a chave do outro com meu amigo e ele toma conta do balcão. Sabe, seria tão... – Ele se aproxima do ouvido dela e continua – ...divertido.
-Eu... eu não posso.
-Por favor, eu queria tanto, você não sabe como.
-Mas eu tenho namorado e...
Ele subiu mais sua mão, colocando ela no pescoço da mulher e continuou:
-Vamos.
Ele volta e a olha nos olhos novamente. Por alguns segundos ela podia jurar que seu olho havia mudado de forma. Mas não importava, algo era mais forte. Ela pegou duas chaves e se levantou, uma entregou a Caio e a outra carregou com si. Pegou na mão de Sérgio e o levou consigo. Igor sentou e murmurou um “Só você se diverte” e sentou-se a cadeira do balcão e começou a procurar sobre diversas coisas em relação à Costa Valença. Como chegar, moradias, historia, lugares, pontos mais visitados por turistas, baladas, enfim, tudo que se podia pesquisar.
***
Ela o levou ao quarto mais luxuoso. Ela hesitou por alguns segundos, mas não conseguia resistir. Algo muito mais forte a fazia se mover e fazer tudo que ele queria. Ela abriu a porta e ambos entraram, ela o jogou na cama e fechou a porta, antes dela voltar ele sussurrou um “Me divirta”. Ela foi ao armário, pegou uma roupa e foi se trocar.
Ela demorou uns 10 minutos para voltar, nesse tempo ele bebeu um uísque que estava lá. Ela saiu do banheiro, usava uma fantasia de enfermeira. Usava uma minissaia que não devia ter nem um palmo de tecido e um top com um decote muito generoso, o que valorizava muito seus seios. Apenas para completar, usava um cap com a cruz vermelha. Só agora havia notado como ela era: morena quase branca, seios fartos, barriga reta, coxas grossas e quadris largos. Um violão. Seu cabelo era negro e iam até a metade das costas, seus olhos eram castanhos escuros e seus lábios fartos.
Ele se levantou e a pegou no colo, ela o envolveu com suas pernas na altura da cintura dele, enquanto as mãos dele iam correndo pelas costas dela e eles davam um beijo quente e molhado. Pouco a pouco ele a levou e a jogou na cama. Ela se ajoelhou e tirou a camisa dele e jogou no outro lado do quarto. Ele a deitou de novo, e beijou seu pescoço. Ia descendo de pouco em pouco, passando pelos seus seios e indo até a barriga. Parou lá e voltou a sua boca. A essa altura ela já gemia em prazer, estava se perdendo em todos os seus pensamentos, seus olhos já reviravam a cada toque dele pelo corpo dela. Era como se ele a decifrasse, perfeitamente. Ela já não sentia as próprias pernas. Ele a girou para cima dele e rasgou o top dela. As mãos foram escorrendo para seus glúteos. Os apertou. O corpo dela ferveu. Já não se lembrava nem quem era. Beijaram-se novamente. Derrubaram abajures, quadros, quebraram cabeceiras. Foram para o banheiro do quarto e tomaram banho juntos. Pouco a pouco ela se sentia cada vez mais fraca, não tendo como evitar. Cada vez mais ia se entregando a ele.
O relógio bateu 5 horas da manhã, a chuva estava parando. Sérgio levantou-se e olhou para ela, estava deitada. Imóvel. Parecia estar sorrindo depois de uma longa noite de prazer. Pegou as chaves e foi embora. Chegou ao balcão. Caio ainda estava lá.
-E ai, como foi a noite senhor garanhão?
-Sabe como é. Cansativo. E ai, descobriu algo?
-Não muita coisa. Tem um casalzinho conhecido, tal de Yago e Nathalia. Tem seus amiguinhos também. Alex, Felipe e Suzana. Essa ultima está gravida. Um grupo bem singular se quer saber.
-Eu não quero.
-Deveria, Nathalia se mudou para lá faz um tempo. Desde então começaram a acontecer coisas estranhas. Atividades e coisas assim. Yago perdeu o pai faz algum tempo. Desde então coisas vem acontecendo a certa distancia da casa dele, mas nunca passa daquilo. Suzana está gravida de um de nosso tipo, mas parece que ela tem uma alma muito forte, o garoto nunca vai apresentar mudanças, vai poder viver como um humano normal, longe disso tudo. Felipe vive em uma casa bem distante da cidadela. É no meio de um parque, que aparentemente já houve vários cultos espiritas, maçônicos e outras coisas assim. Sobre a Alex eu não achei muita coisa, só que ela me parece suspeita.
-Você viu isso tudo em algum lugar?
-Nem, liguei os acontecimentos, vi datas e coisas assim. Só conferi os fatos que tinham fotos, que provavam os acontecimentos.
-Quando vamos para lá?
-Quando a chuva parar.
Como num cronometro, assim que terminou a frase, a chuva parou, entraram no carro e seguiram para Costa Valença.
-Amo terceira habilidade.
-Vai, joga na cara, só porque você tem e eu não.
Caio da uma risada com um estilo de deboche e fala:
-Tô com mal pressentimento sobre essa missão.
-Porque?
-Não sei, esses meninos de hoje em dia... Tem algo estranho com eles. As atividades estão ocorrendo muito, quase como se o mundo fosse entrar em uma espécie de fim. O numero de bi-habilidades, monstros, fantasmas e coisas assim está crescendo, e muito. Nunca aconteceu algo tão grande assim desde... Desde sempre.
-Talvez, mas isso não importa pra agente. Só seguimos ordens e tentamos proteger você sabe quem. Por isso entramos nessa. Certo?
Caio se manteve em silencio. Nunca quis entrar na Organização, Sérgio que o levou para lá. Talvez fosse o melhor, precisavam salvar ela, e a Organização talvez fosse o melhor caminho. Talvez não. Só sabia que não se importava em ter que obedecer por todo o resto de sua vida alguém que talvez nunca fosse ver.
Sérgio o encarou e disse:
-Já estamos tão perto cara, por favor. Não vamos andar pra trás agora. Por favor.
-Eu sei, é que... Nada. Deixa pra lá, vamos logo, só estou com sono.
Sérgio o fica encarando, sabia q algo estava errado. E sabia muito bem o que era, e era melhor não falar sobre.
***
-Há quanto tempo aconteceu?
-Alguns meses. Mas estamos bem agora e...
-Quanto tempo você vai esconder dela? Em Mariane!
-Ela não precisa saber.
-Como não, você está escondendo que ela...
-Não fale, ela pode ouvir. Ela tá dormindo, não se sabe pra onde ela vai ou fica quando está dormindo.
-Quê diabos você tá falando? Ela é...
-JÁ DISSE PARA NÃO FALAR!
Felipe fica em silencio a encarando. Então fala:
-Você sabe o que acontece a quem fica lutando contra ou não sabe o que aconteceu de verdade, não sabe?
-Sei, mas ela... Não posso deixa-la ir assim.
-É pior, quando ela começar a mudar, o que acha que ela vai fazer?
-Eu sei o que ela vai fazer, e também não gosto nem um pouco. Eu quero contar, mas se eu contar ela vai...
-É por que ela tem consciência dos riscos, e são do tipo que não podemos correr. Eu tirei vocês da Organização. Eu tirei vocês do rastro deles. Aconteceu o que não queríamos? Paciência neh. Mas agora não tem mais como eu esconder vocês. Eles não devem ter vindo ainda por minha causa, mas no segundo que eu ou vocês nos afastarmos, eles vão agir. Se já não vão mesmo comigo aqui. Você sempre foi a mais sensata, porque não é agora?
-Não. Não agora, por favor. Com o tempo, quando ela começar a ameaçar a mudar, eu conto. Mas agora, não.
-Espero muito que saiba o que está fazendo. As chances de dar certo são mínimas.
-Eu sei, mas estou disposta a conseguir. Eu sei que vou.
-Eu já não tenho tanta certeza.
Mariane se manteve em silencio. Como se fosse ensaiado ambos olharam para onde Laila estava deitada e dormindo. Felipe se virou sem dar nenhuma palavra e foi embora. Antes que saísse Mariane se abraçou olhando para o chão e disse:
-Você não vai falar pra ninguém, certo?
Felipe se manteve em silencio e fez um não com a cabeça. E saiu andando, deixando o ambiente pesado, já que eram 3 da manhã e o piso de madeira. Cada passo ecoava pelo corredor.
***
Desceram do carro, um pequeno vento bateu. Já era de noite, o que deixava aquele parque ainda mais macabro. Caio olhou para Sérgio e disse:
-Deixa que eu vou, minha vez de me divertir.
Sérgio olhou como se aquilo o preocupasse, mas apenas disse:
-Olha lá o que vai fazer. Vou dar uma volta com o carro. No momento são 2 da manhã, às 5 horas eu estou de volta. Pronto pra te pegar e ir embora, não gosto desse lugar.
Caio fez com que sim com a cabeça e foi adentrando no parque andando lentamente. Não demorou muito para sumir dentro da nevoa.
Sérgio entrou no carro e parou por alguns segundos encarando o volante. Depois de alguns minutos se decidiu para onde ia. Cabo Frio. Saiu em disparada a cerca de 120 Km/h. Fez o caminho de 30Km em apenas 15 minutos. Virou na Av. dos Namorados, Peró. Estacionou o carro em uma das vagas e seguiu andando para a orla. A água encostava-se ao seu pé. Foi andando até do final da praia das conchas e subiu no morro que havia lá, sentou na beira e ficou olhando o horizonte. Era lua nova, devido a isso era possível ver a via láctea. Observando um pouco ele via o cinturão de Hercules e a constelação de escorpião indo atrás dele, como conta nas historias antigas. Também se via o Cruzeiro do Sul e as Três Marias. Conhecia cada uma delas. O vento batia forte, vestia um sobre tudo que estava fechado devido ao frio que fazia ali. Um vento mais forte veio e trouxe a brisa do mar com intensidade e abriu o sobre tudo. Pegou um pingente que tinha em seu cordão e o ficou olhando. O apertou com força e disse:
-Eu juro que conseguirei você de volta. Aquele que a fez se perder pagará muito, muito caro por tal coisa.
***
Caio ia adentrando cada vez mais a floresta, já havia andado bastante, não sabia se ia chegar no horário marcado. Uma voz em sua cabeça repetia: “Fome, muita fome”. Continuou andando até começar a subir em uma espécie de cadeia montanhosa. Já eram quase 3 horas e não tinha chegado a sua meta. Foi andando em direção ao antigo mirante, agora já estaria todo coberto de plantas e a trilha completamente fechada por mata. Não demorou mais muito tempo para chegar onde queria, chegando lá havia um homem deitado e dormindo. Caio o tocou, era sólido, o que era um bom sinal. Caio mexeu nele, o homem acordou assustado e pegou uma faca. Aparentemente era constantemente perturbado, já que gritava coisas sem sentido. Caio abriu um sorriso macabro e tirou a camisa. O homem parou a perna começou a fraquejar, Caio o pegou pelo pescoço, passou a língua entre os dentes. O homem tentou gritar, mas nenhuma voz mais saia. Caio encostou os dentes no pescoço do homem, fechou os olhos lentamente e enfim mordeu. Apenas perfurou, mas nada fatal. Pelo menos fisicamente.
Olhou em volta e disse:
-Eu sei que você está aqui.
Um garotinho saiu das árvores. Era magro, muito magro, possuía olhos fundos e aparentava viver ali desde que nasceu.
-O que você faz nessa região? É minha área.
-Calma, garotinho. Você faz algo que me interessa, e eu tenho algo que te interessa.
-E o que seria?
-Sua habilidade.
-E o que seria isso?
-Ah sim. Você atrai espíritos e fantasmas, e aqueles que deixam, você pode controla-los. Mas você também os influencia a ficar no lugar onde se sentem melhor.
-Não sei do que você está falando.
-Pai daquele tal Yago, agora a mãe da namoradinha dele, a Nathalia por exemplo.
-Como você...?
-Muitos fazem a mesma pergunta, mas essa sua habilidade, é singular. Na verdade, eu nunca vi alguém que pudesse fazer de verdade. Até hoje, eu pensei que era apenas um mito.
-E o que você quer? E o que eu ganho te ajudando?
-Você é esperto.
-Depois de certa quantidade de tempo tendo espíritos tentando se aproveitar de você. Acaba se acostumando. Agora, sem devaneios, o que você quer e o que eu ganho?
-A principio, eu quero te matar, mas não posso, tenho ordens pra te levar vivo.
A criança fica o encarando assustada, mas continua ouvindo:
-Quero que você me de uma gota do seu sangue, venha comigo e chame todos os fantasmas da cidade pra cá e se apropriem do corpo do homem que está morto.
-O que eu ganho?
-Te garanto moradia, comida da melhor, roupa e coisas assim.
O garoto se manteve em silencio por alguns instantes então disse:
-Tudo bem. Mas, quando eu quiser, eu saio e volto a viver minha vida como faço agora.
-Ai já não é comigo, é com o meu chefe, quem me mandou aqui.
Um silêncio tomou conta do local, os olhos de Caio já estavam vermelhos brilhantes.
O garoto pegou uma faca e cortou a sua mão com a faca e apertou a mão de Caio, então disse:
-Aqui está meu sangue, vou invoca-los e coloca-los nesse corpo, pra poupar tempo vou trazê-los todo de uma vez. Seja rápido, não vão ficar muito tempo.
O garoto estalou os dedos e começaram a se ouvir muito barulho vindo. O corpo até então morto começou a se debater. O garoto fez com que sim na cabeça. Caio mordeu o pescoço de leve novamente, dessa vez puxou com mais força o dente, abrindo um pedaço ainda maior de ferida. O corpo começou a se debater. O garoto escondeu fechou os olhos, então Caio perguntou:
-Porque fechou os olhos?
-Toda vez que uma alma é destruída sai um brilho dela, você acabou de destruir umas cem, quase fiquei cego.
Caio deu de ombros e então lambeu o sangue do garoto na sua mão. Lambeu os lábios e pronunciou um baixo “Delicia”. O garoto estava assustado, por mais estranha que fosse sua habilidade, a dele parecia ainda mais bizarra. Então caio se virou e perguntou:
-Qual é mesmo seu nome garoto?
-Daniel. E o seu?
-Caio.
Os dois seguiram andando em silencio.
***
Sérgio voltou ao carro e começou a acelerar de volta a Costa Valença. Já eram 5 horas da manhã, chegaria um pouco atrasado, mas não ligou. Acelerou a apenas 60 Km/h. Chegou em apenas meia hora.
Olhou em volta, Caio não havia chegado ainda. Apenas bufou, estava preocupado. Resolveu sentar um pouco e esperar ele chegar.
-Acorda.
Sérgio levantou com Caio mexendo nele, então olhou e disse:
-Merda, dormi. Quem é o pivete?
-Nossa missão. Daniel.
-Sério que era isso? E qual a dica pra próxima missão?
-Fala pra ele.
Daniel o encarou, então disse:
-Existe uma garota que eu não consigo conversar ou localizar. É muito poderosa.
-Onde ela está?
-Rio. Só consigo chegar até ai. É muito poderosa. Não da pra localizar.
-Entendo. Bom, entrem no carro. Fez alguma besteira Caio?
-Não menos que você.
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