Pois é galera, só falto uma postagem minha, um one-shot. Não só postei o one-shot como também estou fazendo uma homenagem ao melhor cantor e compositor de todos os tempos, e junto com ele o seu grupo. Não falo nada mais, nada menos, que o melhor e mais queridos (pelo menos por mim) LEGIÃO URBANA.

Dado Viciado
Legião Urbana
-Olha só para você Dado. Está péssimo, fica se drogando. Não tem jeito, você vai acabar se matando assim. Tem mais noção nas coisas não? Você não tem heroína, então usa Algafan. Tem noção do que isso pode fazer? Isso...
-Para de encher o saco, velha. Fica me enchendo o saco. Cruz credo, para com isso. Ô neura desgraçada. Eu sei do perigo. Porra. Mas eu quero usar, eu gosto de usar. Foda-se se eu vou morrer ou não. Só quero usar!
-Então usa só você, não leve os outros. Você viciou os seus primos, talvez sua irmã. Colocar anfetamina na comida? Isso podia mata-los. E quer saber? Vai usar bem longe daqui aqui não tem Village, Rua 42. Some pra bem longe daqui, eu te amo muito filho. Mas assim, não rola. Cai fora, quando melhorar, volta.


Eduardo olha nos olhos dela, estavam completamente vermelhos. Sem dizer uma palavra foi para seu quarto, e começou a arrumar as malas. Podia ouvir sua mãe chorando e seu pai a consolando, na verdade eram seus tios, seus pais haviam morrido quando era criança vitimas de acidente de carro. Sua casa se tornara inteiramente um inferno. Não tinha motivos para ficar ali, já que ele mesmo era o motivo. Amava sua família, mas se eles não queriam apoia-lo naquela escolha, não havia mais o porquê de ficar ali. O choro de sua mãe havia diminuído, eram 4 da madrugada, era o melhor. Virou-se para pegar um tênis que talvez fosse vender para comprar mais drogas, só então viu sua mãe ali, olhando para ele.
-Me diz pra onde é que é que você vai depois? – Disse ela com a voz chorosa.
Analisou seu braço, estava todo furando, mas todos estavam fechados, talvez não fosse poder usar tão cedo. Não tem mais lugares para as agulhas entrarem – pensou consigo. Ficou em absoluto silencio. Não ia falar. Não queria mais conversar, não queria mais falar. No fim, só tinha as agulhas pra lhe ajudar. Ela saiu chorando, no andar esbarrou com seu filho e primo de Eduardo, era uns 10 anos mais velho que Eduardo e o único que não usava drogas. Ele se dirigia ao quarto. Parou a porta e o ficou olhando com desprezo.
-Cadê o bronze no corpo, os olhos azuis? O seu corpo tem marca de sangue e pus. Você nem sabe se é março ou fevereiro. Trancado o dia inteiro dentro do banheiro. Dado, o que fizeram com você? Por que entrou nessa? Cadê os seus planos? Você tinha tantos, e cada um mais maravilhoso que o outro. Cadê as meninas? Sempre estava com uma e agora... Você agora enche a cara e cai pelas esquinas – Falou com a voz seria.
-Você por acaso...
-Não, desculpa, mas... Escuta... Eu quero você, mas não vou lhe ajudar. Não me peça dinheiro, não vou lhe entregar. Não posso ser cumplice disso. Nem um pouco. Cadê a criança? Meu primo e irmão.
-Ele... Faz falta, muita, sinto falta dele. Mas esse seu primos... Se perdeu por aí, com seringas na mão.
-Dado, o que fizeram com você?
-Ninguém fez nada comigo cara, eu que quis me enfiar nessa. E eu não quero sair, e mesmo que eu quisesse. Não dá, eu já sou um viciado, um bêbado e drogado. Eu amo todos vocês. Mas eu estou destruindo esse lar. Eu preciso sair.
-Trate-se, você não precisa sair. As drogas que sim, porra cara, como você deixou isso tudo acontecer? Eu lembro cara, você ia ser um grande arquiteto, lembra? A nossa casa, essa que estamos agora. Você que a desenhou. Seus rabiscos. Agente morava naquele barraco, papai e mamãe conseguiram comprar o terreno, não muito grande, mas ainda assim, é o nosso lar. Você que desenhou isso tudo, casa piso. Era seu plano, o mais lindo de todos, ser o maior arquiteto de todos os tempos e lugares. E a sua namorada? O que aconteceu com ela? Vocês eram tão felizes juntos. Lembro que antes dela tiveram muitas outras aqui em casa que agente via uma vez e nunca mais, mas lembro de que você sempre se preocupava com sua saúde. Todas elas você falava que só conquisto por causa desse olho azul que você tem. E agora... Só vejo um vermelho intenso, completamente drogado. Olha essa porra de braço, sangue e pus. Da pra ver. Nem agulha mais passa nessa porra. Como chego nesse caralho de ponto?
-Primo, desculpa, mas esse cara ai, que tinha planos. Não existe mais.
-Como não?
Eduardo ficou olhando sem palavras, estava quase chorando, embora não conseguisse. Era difícil, era verdade. Aquela casa, fora seu primeiro projeto e agora a estava abandonando. Todos seus planos e sonhos. Nada mais importava. Hesitou por alguns segundos em colocar a ultima mala, olhou para seu primo. Então abaixou a cabeça e disse:
-Simplesmente não. Estou indo, quem sabe agente não se esbarra por ai.
-Dado... Eduardo, por favor.
-Desculpa véi, mas nem rola. Eu preciso daquilo tudo. Bebidas, drogas. Tudo isso. Já sou viciado.
-Agente te ajuda cara, só não vai, por favor.
A sala ficou em silencio. Completo. Então Eduardo começou a andar novamente em direção à porta. Viu alguns porta-retratos. Tinha a foto de todos eles em um ano novo, no seu aniversario, em diversos outros do pessoal da família. Muitas boas lembranças. Estava mesmo abandonando aquilo tudo? Mesmo? Pensou muito e passou a mão em cima da foto. Uma lagrima rolava pelo seu rosto. Todos já estavam dormindo. Inclusive a mais nova, sua irmã, ele deu um beijo na testa dela. Ela acordou e o viu, abriu um sorriso e disse um rápido e muito mal falado “Te amo maninho”. Ele sorriu de volta e respondeu sussurrando:
-Também te amo pequena.
Olhou para o quarto de seus tios, bateu na porta e disse:
-Estou saindo, de verdade. Espero que possam me perdoar, algum dia.
Sua tia nem olhou de tanta dor, só conseguia chorar. Seu tio apenas o olhou com desprezo, então ele saiu da casa, passou por seu quarto no corredor que dava para rua. Seu primo ainda estava lá sentado no chão, com as mãos na testa e braço apoiado no joelho e chorando. Hesitou novamente e largou as malas, por alguns segundos desistiu de tudo. Então se lembrou da sensação. O seu vicio. Havia se lembrado de algo, pegou um papel onde havia o seu sonho e o colocou em cima de sua bicicleta. Pegou a mala novamente. Abriu o portão com a chave. Quando estava do lado de fora a jogou para dentro da casa.
-Então, é assim que termina. – Falou sozinho.
Virou-se, e foi para a tal Village, Rua 42. Não demorou muito a começar a se meter com criminosos, realizou diversos assaltos, e cada vez mais foi comprando mais e mais drogas. Dois anos depois foi preso. Pena de apenas um ano, parecia apenas estar vigiando se vinham policiais. E conseguiu se safar comprando alguns policiais e juízes. Mais dois anos depois estava no chão. Havia sofrido uma overdose. Estava muito mal, e para terminar com sua historia, no ano seguinte foi morto devido a grandes dividas com os donos de boca. O papel que havia deixado? Seu primo havia achando, era o seu sonho, a melhor e maior construção, onde apenas o melhor arquiteto construiria. Deixou um papel falando que era para apresentar aquele projeto para alguém, c construi-la. Seu primo havia conseguido, sua construção fora feita. Pena que não foi capaz de vê-la. Já era tarde. E esse foi o fim da historia de Eduardo.
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