Oi galero, ok, eu esqueci de postar ontem. Era pra hoje ser aquele dia de folga, sem contos, sabe, mas acho que não seria justo ficar dois dias sem postar por minha culpa. Enfim, esse será o post de hoje/ontem, amanhã tem Profanis e terça tem a continuação desse conto xD

O FANTASMA DE VOCÊ

Hoje, eu tive muitas dúvidas e poucas respostas, enquanto meu corpo jazia inerte - por um fio, vivo -, respirando apenas pela questão da física. Como pode o sangue ser tão cruel de continuar a correr em nossas veias, e o cérebro tão racional de continuar funcionando, quando tudo o que quero é simplesmente... silêncio? Morte, para os leigos. Pois já estou cansada de saber que a vida não para quando o corpo deixa de funcionar, mas sim quando a mente o faz - alguns tem a sorte de que ambos aconteçam simultaneamente, mas eu não. E estou travada nessa semi-vida, entre a escuridão dos humanos e a luz dos mortos, já há incontáveis tempos.


Eu oro. Todas as noites oro. Há um Deus me ouvindo? Quem se importa? Acho que é paz, o que procuro. Paz forte e inabalável. Mas ela nunca vem.

Ah, olhe, já estou chorando de novo.

Acho que onde quero chegar é: aquele era você mesmo? Eu sei o que vi. Eu sei o que meus olhos capturaram. Eu sei o que senti. Eu sei. E, de todas as vezes que orei desde aquele momento (mais ou menos cinquenta e três minutos atrás), foram para que eu não estivesse louca. Para que acreditassem em mim, invés de baixar o olhar. Mas acho que esse terá de ser nosso segredinho.

Só preciso de uma aviso, um sinal, de que, por favor, você existe.

Senão, o que foi aquele sorriso? O que foi aquele sussurro sem voz alguma? Qual foi o motivo daquele toque frio? Afinal, os mortos são frios, não são? Fantasmas são frios? Esqueça, essa não é a questão.

Se era realmente você, imploro que volte.

Eu imploro, um último beijo. Eu tenho vinte e sete anos e você foi meu último beijo. Venha viver comigo, e eu prometo que passo a trabalhar. Sim, eu vi com você olhou para meu estado, mas não posso fazer nada, isso é culpa sua. Se vai morrer, tudo bem, tem todo o direito - mas dê um jeito de me matar também.

E que, ao ler essa carta, você não ouse rir de mim. Você não pode aparecer entre os vivos do nada e esperar que eu siga em frente; nem você seria idiota assim.

Pois eu te amo, sinto muito. Sempre te amei, não importa quantos cortes eu abra, quantas garrafas eu esvazie. Uma eternidade no inferno? Se é lá que você está, eu me sentiria no Paraíso. Morrer mil vezes? Já se passaram muito mais que mil dias. Fazer frases bobas de amor? Desculpe, mas não tivemos tempo o suficiente de fazê-las em vida.

Agora, vou deixar isso aqui onde você apareceu. Com uma vela, talvez; de camomila, sua favorita. Apenas receba minha mensagem, e faça algo. Eu mal sobrevivi dez anos sem você. E agora, se você desaparecer de novo... eu não tenho escolha: não vou sobreviver sem te ter. E eu tenho medo de não ter escolha.

Só não se esqueça que eu te amo. Para sempre.
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