Capitulo 7
Wonderland
“Você realmente quer saber sobre tudo? Como fazer tais coisas e muito mais? Se sim, vá até o final do bairro. Existe um monumento lá. Partindo dele ande para o nordeste norte até sumir até desaparecer de vista. Já é seu primeiro passo, consiga me achar por lá e eu começo a te ajudar ensinar. Só tem até amanhã para decidir, ou nunca mais terá a chance, estarei no local de 14 até às 17 horas, nem 1 minuto a mais, nem 1 minuto a menos. Só até àquela hora.
Ass: Você sabe de quem”


Será que era aquilo mesmo que ele queria? Tinha certeza talvez aquilo fosse mudar a vida dele para sempre, era tudo tão estranho. Pessoas apareciam e desapareciam o tempo todo como se sempre estivessem ali ou não. Não sabia se queria entender aquilo. Levantou de sua cama sem sono. Sentia-se estranho, como se estivesse tão perto de descobrir de tudo, mas ao mesmo tempo tão distante de sua vida. Era isso que Felipe sentia? Era esse tormento? E pensar que o conhecia desde os 5 anos mais ou menos. Mais importante, será que aquilo envolvia as meninas também? Não desejava nada a elas. Nem á Felipe, mas ele já estava tão envolvido que já era tarde, era mais fácil não desejar a si próprio.
Levantou no seu horário de costume e foi para a escola. Não viu Felipe, nem Guilherme. Talvez não fossem. Deveriam estar se matando, sabe-se lá qual a diversão deles. Relaxou ao ver as garotas sentadas em seu lugar conversando e rindo, fazia dias que não ficou calmo daquele jeito, chegou até mesmo a sorrir relaxado. Foi falar com elas. Estavam agindo com naturalidade, Felipe realmente havia apagado a memoria delas. Como aquilo era possível? Só com um toque o havia curado, só com um toque apagou memorias. Ficou pensativo, talvez devesse ir lá, não para descobrir o que lhe ofereceria, mas sim para falar poucas e boas para Felipe, sim, isso era o melhor a se fazer.
***
Felipe havia acabado de chegar ao lugar marcado. Olhou em volta, nada de estranho. Largou a mochila e olhou o relógio: 14 horas em ponto. Havia uma espécie de lago com uma pedra bem ao meio. Em um salto chegou até ela e se sentou bem ao centro. Não muitos minutos depois avistou uma pessoa vindo. Não demorou muito a reconhecer Yuri.
Yuri chegou lá e não viu ninguém, pensou em se virar, bastou alguns segundos para notar que estava completamente perdido. No lugar do caminho de veio havia uma grande pedra escrita “CUIDADO, SE ESQUIVE ENQUANTO TENTA ME ACHAR”. Não entendeu de inicio, até que viu uma pessoa levantando do chão e agarrando ao seu pé. Chutou a cabeça de osso da criatura. Logo notou que havia muitas e muitas outras se erguendo do chão pouco a pouco. Tentou correr, mas viu que estava preso entre pedras, literalmente, estava dentro de um vale, só não entendia uma coisa. Como havia chegado ali? Lembra-se que o caminho era uma vasta planície. De onde sairia um vale do meio daquilo? Por alguns segundos havia se esquecido das criaturas, grande erro. Elas começaram a agarrar seu corpo, em poucos segundos já havia muitas dela em cima dele. Ao fundo viu Felipe sentado no lago, que também não estava ali alguns segundos atrás. Esticou o braço tentando o segurar. A visão rapidamente estava sendo tampada pelas criaturas e seu braço sendo puxado. Por alguns instantes sentiu seu corpo leve e calmo.
Havia se cansado de tudo aquilo quando conseguiu gritar um alto “SAIAM”. Silencio. Tudo havia sumido. O vale voltou a seu uma grande planície, as criaturas haviam desaparecido. Apenas Felipe estava lá, sentado no lago. Felipe olha para ele e abre um sorriso falso e grande.
-Bem legal neh? – Diz Felipe.
-Mas que diabos foi aquilo? Você invocou seus Inferi pra proteger um Horcrux ou algo do tipo?
-Náh. Ilusão, para tentar descobrir qual sua habilidade.
-E então...
-Rejeição. Você rejeita energias, tipo o que eu fiz agora. Essa ilusão que eu criei era da maneira mais simples. Era simplesmente energia contorcida. Por isso foi tão fácil desfazer. Só funciona em humanos que não sabem como se defender de tal coisa.
-Mas como diabos...? Não era isso o que queria no final, eu não quero descobrir nada, eu só vim lhe falar umas coisas e...
-Certeza que não quer descobrir? Você pode me falar essas coisas quando quiser, não precisaria vir aqui. Admita que no fundo você está morrendo de vontade de saber.
Yuri ficou em silencio. De certa forma, o que Felipe falara era verdade. Poderia falar com ele a qualquer hora, mas decidiu ir ali. Justamente quando poderia aprender tudo. Pior, como todos aqueles pensamentos subitamente apareceram na cabeça dele? Ouviu um estalo de dedo, então Felipe começou a desaparecer novamente. Yuri tentou alcança-lo antes de sumir, quando chegou nele apenas o atravessou, e caiu no lago em volta. Levantou-se rápido e saiu da água mais rápido ainda. Qual seria a tal ilusão agora? “Agora, não é simplesmente contorcida, não adianta apenas rejeitar, é bom pensar rápido”. Era a voz de Felipe, mas de onde vinha? De todos os lados, simples assim. Talvez aquilo nem fosse a voz dele, só parte da ilusão. Só sabia que tinha que ficar esperto.
Foi correr para algum lugar já que não estava acontecendo nada. Só havia um problema, se corpo não estava se mexendo. Fez o máximo de força que podia, mas nem meio musculo se mexia. De repente uma pessoa apareceu do seu lado, era sem rosto, simplesmente tinha o formato de uma pessoa. A tal coisa que parecia um humano pegou uma faca e começou a cortar a superfície seu braço lentamente. Yuri começou a gritar de dor. Não era uma dor comum, era muito mais forte do que deveria ser. O ser parou. Então seguiu para suas costas, fez mesma coisa. Continuou por todo o corpo. Quando não havia mais onde, posicionou a faca em frente a seu coração. “Se ele enfiar essa faca, você realmente vai morrer, seu corpo fora da ilusão está todo cortado já, é bom fugir, você tem apenas uns cinco segundos”. Era a voz de Felipe novamente.
Concentrou-se com todas as suas forças. 5 segundos. Nada acontecia, tentou de novo. 4 segundos. Nada ainda, não tinha jeito, tentou de novo. 3 segundos. Viu que não tinha jeito, tentou agora sair na força bruta. 2 segundos. Também não funcionava. Era apenas aceitar a possível morte caso fosse verdade. 1. Tudo voltou ao normal.
Quer dizer, quase tudo. Estava caído no chão com o corpo todo cortado, com exceção do rosto (justamente onde a criatura não o havia cortado). E mal conseguia se mexer. Havia duas garotas ao seu lado, uma com a mão estendida e outra com uma faca na cabeça de Felipe. Estavam sérios se encarando. Parecia que a qualquer momento iam se matar. Por alguns segundos ele pensou que as reconheceu. Então ela falou:
-Por que está fazendo isso com ele?
Felipe permaneceu em silencio.
-ANDA LOGO, FALE FELIPE!
Felipe olhou para a garota e disse:
-Mariane. É serio que você acha que vai me deter apenas com isso? Uma simples faca? E você Laila, acha que você que quebrou a ilusão?
Ambas ficaram em silencio, agora as reconhecia, Mariane e Laila. Espera, porque as duas estavam ali? Elas sabiam lidar com aquilo tudo? Como? Então Laila olhou para Yuri e disse:
-Relaxa, você está a salvo. Chegamos a tempo, corremos muito, mas chegamos.
Felipe arregalou os olhos, vieram correndo? Algo estava errado. Então olhou para Mariane. Percebendo ela abaixou a cabeça e sussurrou: “Por favor, não conte a ela”. Felipe abriu um sorriso, e fez com que sim com a cabeça. Felipe olhou e disse:
-Já o salvou. Agora posso ir para casa? Em Mariane. Ou teremos que conversar sobra outras coisas agora?
Mariane o olhou com um olhar mortal e então abaixou a faca. Foi embora andando e disse:
-Pode. Vamos Laila, já terminamos o que tínhamos pra fazer.
Laila também se virou e foi sem dar nem uma palavra. Ficou um silencio pesado ali. Yuri viu uma expressão de preocupação estampada no rosto de Felipe, então perguntou:
-O... O que tá acontecendo aqui?
-Nada. Nada demais.
Felipe estendeu a mão para Yuri se levantar. Yuri ficou olhando para a mão de Felipe, com medo. Então Felipe olhou e disse:
-Não precisa ter medo de mim, se você morresse, eu ia te trazer de volta.
Hesitou por alguns segundos até decidir. Yuri pegou na mão dele e se levantou. Olhou seus braços, estavam melhores, havia sido curado. Não sabe como nem quando, mas estava curado. Olhou para Felipe de novo. Havia sumido. De novo. De alguma forma, sabia que não estava em alguma ilusão, era a realidade. Então seguiu para casa. Na metade do caminho sentiu seu corpo ser paralisado e caiu no chão. Viu uma pessoa se aproximando. Com muito esforço conseguiu olhar avistou duas pessoas que aparentavam vinte e poucos anos se aproximando. Então ele falou:
-Você não devia andar sozinho, criança.
Uma voz cortou o ar e dizendo:
-Quem disse que ele está sozinho?
Virou a cabeça com muito esforço e viu Guilherme de pé com uma pessoa em sua mão, provavelmente morta, já que não movia nem um musculo. Então o homem gritou:
-Luiz! O que você fez com ele seu pivete?
-Ele tentou me atacar, só me defendi, agora solte o meu amigo.
-Ele vai pagar pelo que você fez ao Luiz.
Então outra voz apareceu e disse:
-Cara, ele não é de nada, se você fizer algo ao Yuri, é comigo que você vai se entender, e garanto que o mínimo que vai acontecer é você ficar louco pra toda sua vida com sua alma perturbada.
-Marcos, você já não é mais tão forte assim.
-Guilherme, mas ainda assim eu sou muito mais que você.
Um dos homens foi em direção a Marcos. Assim que chegou a uns 5 metros de Marcos o homem caiu desmaiado no chão. Marcos apenas sorriu e disse:
-Nem para o gasto deu.
-Exibido. – Disse Guilherme girando os olhos.
O outro homem foi em direção a Guilherme. Quando chegou perto Guilherme estalou os dedos o homem também caiu.
-Viu, não é tão difícil.
-Você ainda precisa estalar os dedos. Que fraco.
-Exibido.
Yuri ficou parado assustado, não importa quantas vezes visse, sempre se surpreenderia. Aqueles dois juntos, o que eram? Como duas pessoas fazem aquilo?
-Agora, Guilherme... Some.
-Tá bom, tá bom.
Yuri se virou para Marcos, e quando olhou na direção de Guilherme já havia sumido. Olhou para Marcos, também havia sumido. Notou que já podia se mexer com facilidade. Mas não quis, apenas ficou ali, analisando o que havia ocorrido. Sempre existiu aquele mundo escondido das outras pessoas?
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