E aew galera, tranquilo? Tipo, não consegui escrever um cap. de profanis, muita coisa pra fazer, então, vou postar aqui um one-shot que eu tenho salvo faz um tempinhos que eu fiz... Fiquem com o one-shot


Psicanálise
Estava um silencio melancólico naquele ambiente. Ficavam olhando um para a cara do outro. A sala já tinha certo tom melancólico. A parede era branca, a luz estava apagada, os brinquedos na prateleira e alguns jogados ao chão. A garota estava sentada na única janela que tinha ali, o que parecia loucura já que estavam no 27º andar. O homem parecia não se importar, estava sentado em uma poltrona com um puzzle de sudoku a mão e na cabeceira ao lado tinha uma garrafa de água com uns comprimidos ao lado. Ambos estavam em absoluto silencio.

Ela o olhava de cima em baixo. Passava pelo cabelo que tinha muitos fios brancos e estava mau penteado, igual a sua barba que já não devia ser feita a muito tempo, calculava pelo tamanho dela. Logo depois encarava os óculos, uma armação simples e moderna, o que lhe parecia ser irônico, pois ele a aparentava ter uns 60 a 70 anos. Olhava os seus olhos, eram castanhos, era um olhar triste e frio, quase como de alguém que só esta vivo porque não teve a oportunidade de morrer. O resto era tudo comum, não era alto nem baixo. De vez em quando ela notava que ele ia olhar para ela, então desviava o olhar de volta para o lado de fora. O mesmo tempo nublado e frio que estava encarando a quase meia-hora.
-Só se passaram cinco minutos – Disse o homem – ainda temos mais uma hora e cinquenta e cinco minutos.
-Qual o motivo de me dizer isso? - Disse sem nem ao menos olhar para ele.
-Pois você estava fingindo olhar para mim, e depois encarou o céu. Ou você está apaixonada por mim, ou está pensando no tempo. Julgando pelo meu tipo físico e idade, imagino que está pensando no tempo.
Ela bufou, não importava, só queria ir embora logo.
-Não quer mesmo conversar? - Insistiu mais um pouco.
-Não.
-Por...
-Não quero, e ponto.
-A morte é realmente algo difícil de lidar, o seu pai, ele...
-Não ouse falar desse assunto.
-Sabe, chega a hora da pessoa, cedo ou tarde, sempre chega.
Ela permaneceu em silencio como forma de protesto. Ele retornou a jogar sudoku, era inútil, ela não queria conversar. O melhor era ela estar pronta. Algo que não iria acontecer tão cedo.
-Joga algum jogo de raciocínio?
-Xadrez, ele me ensinou.
-Então, vamos fazer assim. Sente-se comigo e vamos jogar. Se você vencer, eu vou embora. Mas se eu vencer, vamos conversar e você vai vir em todas as sessões. Certo?
Ela permaneceu em silencio, não se mexeu, não disse nada, apenas o encarou. Então ela se levantou e sentou a frente do tabuleiro. Ele abriu um leve sorriso. Não demorou muito naquela partida que ele perdesse bastantes peças para ela, mas menos com menos, ele a deu um xeque-mate. Ela ficou paralisada, não perdia havia três anos, ninguém tirava o titulo dela. Ela sorriu com um sorriso quase morto, sem vida, então se levantou e sentou-se a janela novamente.
-Mas nós tínhamos um trato.
-Não, você tinha um trato. Eu nunca concordei com tal coisa.
-Mas...
-Desculpe, eu...
-Seu pai, ele morreu. Aceite isso, como uma mulher de verdade...
Ela o encarou, o seu olhar indicava que ela o queria morto naquele momento. Nada poderia deixa-la mais irritada que aquilo, ele sabia, e mesmo assim falou rápido e curto.
-... Ele fez o que tinha que fazer, era um grande homem.
Ela se levantou com os punhos fechados, agora mesmo que tinha um olhar mortal, então se aproximou dele, colocou a mão sobre o braço da cadeira dele, se aproximou do rosto dele e ameaçou falar. Mas nada aconteceu. Silencio. Era o único som que se ouvia naquela sala. Logo não era mais. Ela fechou os pulsos e o socou sem dó. Ele caiu no chão, o que fez um barulho estrondoso. Ela acabara de dar-lhe um soco no meio da face. Ele se levantou devagar, com o mesmo olhar ela gritou:
-O QUE VOCÊ SABIA SOBRE MEU PAI? EM? NADA. ELE ERA REALMENTE UM GRANDE HOMEM, MAS VOCÊ NÃO SABE DAS GRANDEZAS DELE. NÃO SABE, NEM MESMO UM TERÇO DE TUDO QUE ELE JÁ FEZ. ERA UM GRANDE PAI, UM GRANDE HOMEM.
Ele ficou encarando-a por alguns segundos, então disse:
-Eu não me importo.
A raiva novamente subiu a cabeça dela, então ela deu um segundo soco nele, então deu outro, e outro, e outro. Parou depois do quinto. Então ela se afasta dele e pega o primeiro brinquedo que aparece na frente dela e começa a bater contra as paredes e prateleiras enquanto grita.
Ele a encarava, os cabelos castanhos escuros voavam de um lado para o outro, chegara todo arrumado, no momento estava pra todos os lados. Os olhos verdes transbordavam raiva, apenas raiva. Seus lábios já sangravam de tanto que ela os mordia tentando reprender o choro. Seu corpo já estava todo suado. E ela se cansando. Poucos segundos depois ela se abaixa em um canto, chorando. Não queria fazer aquilo, mas a raiva havia falado mais alto. De certa forma estava se sentindo melhor. Ele a encarou e enfim perguntou:
-Isso tudo, te faz sentir-se melhor?
Ela fica olhando para o nada com os olhos cheios de lagrimas, estava envergonhada de aquilo tudo, mas então disse:
-Faz. Mas...
O despertador tocou, era o fim da sessão. Ela se levantou e ajeitou o cabelo e limpou os olhos. Sem nem uma palavra ela se levantou e foi embora. Chegou à porta e encarou o chão. Ele a encarava pelas costas. Sem ao menos se virar ela levantou o rosto para o céu, só agora notará que a saída não tinha proteção contra a chuva. Pena que a aquela altura ela já estava toda molhada. Finalmente conseguiu abrir um pequeno sorriso, então sem ao menos virar disse:
-Obrigada... Próxima semana esse mesmo horário?
-Positivo.
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