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É Assim Que Eu Desapareço

This Is How I Disappear - My Chemical Romance

            Os bipes do cardiograma inundavam o corredor, às oito da manhã. O hospital inteiro estava vazio, de modo que o único som, além do aparelho, que se ouvia era o de passos de enfermeiras, de dez em dez minutos. A maioria dos leitos estavam vazios, de forma que arranjar um quarto para sua tia não fora tão difícil.
A papelada fora assinada depois. Primeiro, estabilizaram a respiração, bem como estancaram o sangramento. Na primeira parada cardíaca, houve desespero, principalmente de sua parte. Ele caíra em prantos, e sua mãe teve de ser amparada para não cair; os eletrodos foram acionados, e foi necessário aumentar a potência até duzentos e vinte volts para normalizar a contração cardíaca. Decidiram prepará-la para uma séria operação, mas então veio a segunda parada cardíaca. Antes que pudessem normalizá-la, surgiu um novo surto de vômito de sangue. Dessa vez, o líquido escarlate escorria também pelas narinas, impedindo a respiração.
A única solução que puderam encontrar fora induzi-la ao coma.
Era o único jeito de mantê-la viva.
Era a forma na qual encontraria a morte.
Agora, oito horas e dois minutos, Yago encarava sua tia Ághata pela janela do leito. Parecia como uma sala de parto: as paredes eram compostas de ladrilhos verdes e azuis, dando um tom enjoativo à sala; os lençóis que cobriam a cama eram branquíssimos, e o cobertor, reluzente, estava perfeitamente estendido sobre o corpo da senhora, envolvendo-a até o pescoço, deixando apenas seu rosto de fora; os aparelhos estavam arrumados, dos dois lados da cama, com uma bolsa de sangue ligada à suas veias, um aparelho respiratório de barulho intensamente irritante ligado à uma mascara, sobreposta em seu rosto, e o cardiograma medindo sua pressão e seus batimentos cardíacos. Yago sabia que a pressão estava relativamente baixa, devido ao coma, mesmo sem conseguir ver os números àquela distancia.
A única coisa que diferenciava o quarto particular de uma sala de parto era a janela para o estacionamento, constantemente aberta, pois até a janela do corredor para o quarto havia ali.
O médico explicara que a segunda janela, coberta por um grosso, porém ainda transparente vidro, servia para impedir os visitantes de entrarem, e assim, piorar a situação com momentos de desespero.
Então, Yago simplesmente observava pela janela.
Há cinco horas seguidas.
Sua mãe e Lucas haviam dormido na sala de espera há pouco mais de três horas, não conseguindo aguentarem uma noite em branco.
Mas Yago não dormiria.
Ele ouviu novamente passos, e presumiu ser uma enfermeira. Não era, e ele logo percebeu, mesmo antes de ouvir sua voz.
- Vim assim que soube - disse Nathalia.
Yago assentiu, de braços cruzados, sem tirar os olhos da janela.
- O que aconteceu? - Nathalia perguntou, calma, porém triste, levantando um pouco os ombros e cruzando os braços sobre o peito, sem desviar os olhos de Yago.
Yago olhou, por apenas um segundo. Menos do que isso. Apenas dirigiu-lhe o olhar, e desviou, friamente. Porém, dessa vez, não tinha intenção de ser grosso. Apenas não podia deixá-la ver as lágrimas em seus olhos. As lágrimas que ele tanto impedia de escaparem-lhe. E, também, não queria deixar de encarar Ághata. Não podia. Não queria desperdiçar um segundo sequer de sua atenção.
Nesse meio segundo de olhar, percebeu que Nathalia deixava seu cabelo solto, ondulado, caindo-lhe sobre os ombros. Vestia o uniforme da escola, de forma que devia estar matando a segunda aula. Os olhos dela realmente transmitiam tristeza, pesar. Ela apertava os lábios, como se decidisse o que falar a seguir.
Yago piscou.
- Câncer, foi o que aconteceu.
Nathalia suspirou.
- Foi um ataque, ou coisa do tipo?
- Sim, foi um ataque.
Nathalia corou, e sentiu-se humilhada. O tom de voz de Yago era calmo, e era claro que ele não estava num dos melhores dias. Ainda assim... ele soava tão cruel.
- Ela vai ficar bem? - Nathalia se obrigou a perguntar. Sabia que, qualquer que fosse a resposta, Yago responderia no mesmo tom. Mas precisava saber. Precisava fazer alguma coisa. Precisava ajudar.
Yago bufou, e olhou-a apenas mais uma vez, agora com uma frieza incontrolável no olhar.
- Te parece que ela vai ficar bem? - disse.
Nathalia se encolheu. Ele ainda a encarava nos olhos. Ela baixou a cabeça, mordendo o lábio inferior.
Yago suspirou, e voltou a olhar para a janela.
- Não - ele disse enfim, com a voz mais calma, e infinitamente mais doce - Ela não vai ficar bem.
Natalia afastou o cabelo da testa e levantou o rosto novamente, disposta a ouvi-lo.
- O médico dela no Rio disse que ela tinha mais alguns meses de vida. Talvez uns dois ou três anos. Ele se enganou. Ela teve um ataque ontem, e... tiveram que induzi-la ao coma.
Nathalia respirou, desconfortável, e acompanhou o olhar de Yago até a senhora.
- Ela não vai acordar - continuou Yago, com a voz surpreendentemente calma, até para ele - Ou vai. Mas tem menos de cinco por cento de chance de isso acontecer. Ela vai morrer em coma. Mas não sabemos quanto tempo isso vai levar.
Yago havia acabado de citar cada palavra que o médico lhe dissera.
Nathalia assentiu, observando a frágil senhorinha.
- Eu sinto muito - ela disse, olhando novamente para Yago.
- Ela foi feliz - ele disse - Ela curtiu a vida, amou, se divertiu... Acho que não dá pra ficar triste por alguém que está morrendo feliz.
- Mas você está triste.
- Por mim - ele rebateu, porém sem agressividade, e encarou Nathalia nos olhos - Quem disse que é fácil para mim ver ela partir, assim?
Nathalia assentiu, baixando o olhar novamente. Yago deu um sorrisinho triste, e deu de ombros, voltando a encarar a tia.
- Eu só... - disse ele - Queria poder morrer assim. Quando for velho. Queria que sentissem falta de mim, mas que soubessem que eu fui feliz.
Nathalia apertou os lábios.
- Você está feliz? - perguntou.
Passou-se um segundo de silêncio, o que a fez encarar o rosto sem expressão de Yago. Ele imitou-a, apertando os lábios, e admitiu:
- Não.
- Nem eu. - concordou Nathalia.
Passaram mais tempo em silêncio, antes que pudessem prosseguir.
- Olhe só para nós - Nathalia começou - Precisamos que sua tia comece a morrer para conseguirmos calar a boca e conversar um pouco.
Yago suspirou, e logo respirou fundo, sem tirar os olhos da tia. Nathalia passou a encara-lo novamente.
- Quando nos tornamos isso?
- Isso o que? - perguntou Yago, com a voz rouca.
- Estranhos. Desconhecidos um pro outro...
Ela arrumou uma mecha de cabelo atrás da orelha.
- Isso aconteceu uma vez - ela disse - E exatamente por que aconteceu, está acontecendo de novo.
- Ninguém mandou você ficar revoltada e correr pro Gustavo.
- Não.
- E você não podia esconder isso de mim.
Nathalia fechou os olhos, corando. Essa era a pior parte. Esse era seu pior erro.
- Eu te falei tudo, Nathalia - disse Yago - Te falei do meu pai, te falei de todas as merdas que aconteciam comigo... Eu podia aguentar. Ia doer, mas eu podia aguentar, por que eu sei que fui eu quem sai pela porta, e fui eu quem deixou por isso mesmo.
- Não - ela disse - Quem saiu da porta fui eu. E fui eu quem deixei você sair dessa vez.
Ela deu de ombros, com uma expressão serena, a voz calma, e um sorriso triste no rosto.
- Nós podemos revisitar isso quanto quisermos - disse Nathalia - Mas tudo começou por minha causa. Sempre vamos ver que tudo é minha culpa.
- Mas...
- Mas acho - Nathalia o interrompeu - Acho, que talvez, se você pudesse me perdoar, já seria um começo.
Ele a olhou, em choque.
- O que?
- Se pudesse me perdoar. Por todas as merdas que eu fiz. - Ela abriu novamente um sorriso triste, com os braços cruzados na altura do peito, como se protegesse seu coração - Se pudesse esquecer, tudo o que eu fiz, desde aquele dia. Se pudesse simplesmente não me ver mais daquele jeito... Se pudesse me ver apenas do jeito que você me via quando tínhamos certeza de tudo... Acho que pra mim já bastaria. Por enquanto.
Ele piscou, milhões de pequenas vezes, enquanto o tempo passava lentamente, como se aquele momento de incerteza não fosse acabar nunca.
- Querida - ele disse, com a voz docemente distorcida - Mas é claro que eu te perdôo.
Havia certa infantilidade na voz dele, como se fosse algo muito obvio.
Nathalia encarou-o, sem saber o que dizer. Não esperava uma resposta tão direta, mas agradecia a Deus por ter tido uma.
- Não é o que você tem feito parecer - ela disse.
Yago assentiu, depois de um tempo. Agora percebia que jamais deveria ter feito aquelas coisas com ela. Que jamais deveria ter vingado-se, jamais deveria tê-la ignorado... pois tudo o que ela fazia eram apenas as reações sem sentido de um coração quebrado. Um coração tão quebrado quanto o seu. E as reações tão sem sentido quanto as suas.
- Eu sei - ele disse.
- Então por que tudo isso? Por que ainda parece que tudo caiu em minha cabeça? Por que parece que eu não consigo respirar, e que eu ainda olho para você como se você tivesse morrido?
Ela deixava agora algumas lágrimas escaparem de seus olhos.
Yago teve de encará-la. Agora sua tia parecia apenas um exemplo da vida que queria ter. Não era por ela que estava triste, pois sabia que no momento que ela morresse, iria para um lugar melhor. Não como nos clichês, mas um lugar sem limites. Um lugar onde tudo poderia ser feito. Um verdadeiro Paraíso, onde nenhum dia tinha fim e nenhuma escuridão era tão escura que não pudesse permitir um pouco de luz a entrar.
- Eu acho... - Yago começou - Eu acho que nem tudo é tão fácil assim.
- Então diz pro cara que inventou essas regras que ele é um babaca.
Ela voltou a encarar Àghata, e Yago, agora com o coração quebrado por outra pessoa que não sua tia, teve de fazer o mesmo. Teve de reprimir um sorriso. A tia logo ficaria bem. Com ou sem ele. Com ou sem vida.
- Yago - Nathalia disse - Me diz... Você realmente me amou, esse tempo todo?
Ele sorriu.
- Não só amei, como amo.
- Ótimo - ela disse.
Yago se virou para ela, olhando-a em seus olhos.
- Mesmo que doa... - ele começou - Mesmo que me faça me sentir ridículo. Mesmo que me faça ter vontade de abandonar tudo, de me afastar de tudo, de arranjar um jeito de acabar com tudo isso, de te esquecer, mesmo sabendo que não vou conseguir... Mesmo sabendo que metade do meu tempo eu sofro por você... Eu te amo. Eu te amo e sei disso, por que a outra metade do meu tempo é dedicada a você.
O lábio de Nathalia tremeu, e ela parecia a beira das lagrimas.
- Mesmo que eu saiba que me faça mal, e que eu saiba que eu devia me afastar e conseguir algo mais fácil da vida... Mesmo que muitas vezes, eu não queira, eu simplesmente não consigo. Você é a minha vida, e não ouse dizer que isso não significa nada, por que eu também fiz muitas merdas por você, e me arrependo de todas elas... mas não me arrependo, por que todas elas nos trouxeram até aqui. E é aqui que essa merda termina.
- Eu também te amo - ela disse - E não tem nada que você possa fazer quanto a isso. Nem eu.
Ele sorriu, mas ela desvencilhou-se de seus braços, fazendo seu rosto voltar à mascara de duvida.
- Até mais, Yago - ela disse, chorosa - O que quer que aconteça com a sua tia, você mesmo disse, ela viveu feliz. Vai arranjar um jeito de viver a Outra Vida feliz também.
Ela se virou, e, a passos rápidos, saiu do corredor. Desceu as escadas. Saiu do hospital. Correu. Com lágrimas no rosto, com o coração pesado, correu.

***

Não era que não o amasse.
Pois o amava. O amava de todo seu coração. Sempre fora ele que quebrara seu coração. Às vezes de um jeito que nem deixava transparecer. Às vezes simplesmente guardava a dor para si, pois sabia que logo seria ele quem colaria todos os pedaços novamente.
Não era isso.
E também não era medo.
Não era nada disso.
Era apenas seu senso de proteção. Aquele pequeno alarme que sempre tocava quando está perto de Yago. O alerta de que algo vai dar errado, a vozinha que sempre dizia que algo de muito ruim estava prestes a acontecer.
E não importava quantas vezes ela dizia “não” para si mesma. Não era ela em controle de seu corpo. E sim o alarme.
A Outra Nathalia gritava em seu ouvido todos os motivos para não dar meia volta e seguir de volta para o corredor do hospital, e tascar um beijo em seu amado.
A Outra Nathalia havia voltado a aparecer naqueles dias.
Ignorou-a, como sempre, e seguiu em frente. Para sua casa. Para seu quarto. Onde queria apenas ficar sozinha. Onde na verdade não queria ficar sozinha.
Quando chegou na porta, sentiu duas mãos em sua cintura.
O tempo pareceu parar.
Adrenalina, era essa a palavra que procurava.
Enquanto o terror dominava seu corpo, sentiu-se paralisar. As chaves que tinha na mão eram sua única arma. Ela não tinha força alguma. Não saberia se defender. Estava à mercê de quem quer que fosse.
Então sentiu as duas mãos subindo seu corpo, até a altura de seus ombros, e apertando-os com força, porém, não o suficiente para machucar. Era quase uma massagem. As mesmas mãos fizeram-na virar brutamente, e seu cabelo louro esvoaçou.
Quando sentiu seus lábios tocarem-se, recebeu o beijo de bom grado.
Yago levantou-a do chão, fazendo-a levitar pelo menos quinze centímetros. Era o máximo que sua altura, e não sua força, permitia. Nathalia envolveu as pernas em sua cintura, retribuindo o beijo, sentindo-o mordiscar seu lábio inferior. De olhos fechados, sentiu ele encostando-a contra o portão de madeira, fazendo pressão. Seus lábios a esmagavam. Abriu os olhos assim que suas bocas se separaram, porém levantou a cabeça, mostrando o pescoço. Deixou-o beijar a base de clavícula, subindo lentamente até o rosto, até um leve roçar contra sua boca. Yago novamente desceu o beijo até o pescoço, dessa vez beijando a área da faringe, fazendo cócegas na garganta de Nathalia.
A rua estava deserta. Estavam totalmente sozinhos, às oito e quarenta da manhã.
Seus corpos moviam-se sincronizados, e Yago enfim conseguiu girar a fechadura. Abriu o portão apressadamente, e deixou o molho de chaves cair no chão. Gastou apenas um segundo para chutá-lo para dentro da garagem de Nathalia, desviando sua atenção por apenas um segundo. Fechou o portão sem olhar, e não se abaixou para pegar a chave. Se estava dentro da garagem, ninguém, além deles, poderia pegá-la.
Pressionou-a contra a porta, que abriu-se facilmente. Não havia sido trancada. Ambos caíram no sofá. Nathalia enfim pôde fazer algo além de retribuir o beijo; prendeu o rosto de Yago entre as mãos, e levantou-se lentamente, sem interromper o beijo. Quando ambos estavam sentados, fê-lo deitar-se por cima de seu corpo. Arrancou-lhe a camisa, branca, e assim que jogou-a no chão, passou suas unhas nas costas dele, arranhando-as. Pressionando-o contra seu corpo.
Com a mesma facilidade, ele tirou sua camisa, e suas peles queimaram ao se tocarem.
Sentiam como se o mundo inteiro ardesse a cinquenta graus.
Trocaram mais um beijo, tão forte que sentiram seus dentes doerem - bem como seu lábios. Seus corpos estavam tão interligados que seus músculos doíam. Ele pegou-a no colo, interrompendo o beijo por um pequeno momento, porém sem deixar de olhá-la. Fitou a escada por apenas um momento. Fitou a mesma sala na qual terminara com Nathalia. Na qual violentamente, sem pensar, a jogara contra a parede, e provavelmente a machucara. A magoara.
Agora nada mais importava.
- Eu te amo - ele disse, mais uma vez olhando para ela, subindo as escadas.
- Eu também te amo - ele rebateu.
Quando chegaram no quarto, Yago a deixou cair na cama. Lentamente, subiu seu corpo, beijando-lhe a barriga, o peito, o pescoço, até chegar novamente em sua boca. Até novamente esmagar sua boca, e esmagar seu corpo contra o dela, numa dor apaixonante, que nenhum dos dois queria que tivesse fim.
Sem olhar, desabotoou sua calça, e desabotoou a dela. Livrou-se das duas, e voltou à cama. Puxando-a para si, abriu seu sutiã, na frente, de olhos fechados.
Beijou-a novamente, e fizeram amor mais uma vez. Sem arrependimentos, sem brigas. Apenas amor. Apenas a mesma dança entre seus corpos que representava o laço entre seus corações.

***

Ela acordou, e a primeira coisa que notou foram as horas. 15h46, segundo seu reloginho de cabeceira. Não sabia em que ponto dormira, mas sabia que o fizera por que não aguentava mais o cansaço. A dor de seus músculos a havia consumido.
Não havia conversado. Na verdade, não pararam de beijar-se um minuto sequer. Não se largaram durante esse tempo todo.
Não precisou olhar para saber que Yago não estava a seu lado na cama.
- Yago? - chamou baixinho.
- Estou aqui.
Ela olhou, na direção onde a voz vinha.
Yago tinha se vestido novamente. Usava a calça jeans com que viera e mais uma camiseta, branca, porém diferente da que usava antes. Lembrava-se de que aquela era a camisa que ele havia esquecido, da última vez que haviam passado a noite juntos.
Estava sentado na janela, e era obvio que olhava para a paisagem até perceber que a amada havia acordado. O céu estava escuro, por mais que não fosse tão tarde. Estava frio, e Nathalia podia sentir em sua pele nua. Não chovia, mas o dia estava tão nublado que parecia que logo cairia um temporal.
- O inverno de Costa Valença chegando atrasado - Yago disse - É agora que fica ruim mesmo.
- O que? - perguntou Nathalia.
- Daqui até... três meses, quanto... dezembro! Até dezembro, vai ficar assim. Céu escuro, frio, chuva. Todo o dia vai ficar assim.
- Nossa - ela disse. Era para ser primavera, na verdade. Mas se Yago dizia que o inverno estava atrasado, ela acreditava.
Ele se levantou, e sentou à beirada da cama. Nathalia tremia de frio.
- Hei - ele disse, e puxou seu queixo para um beijo.
Nathalia retribui o curto beijo, e desejou que tivesse tido mais tempo.
O olhar de Yago era triste.
- O que foi? - Nathalia perguntou.
- É só... essa coisa, me incomodando. - ele disse - Você sabe que... eu perdi a virgindade com você, certo?
Nathalia travou por um momento, mas depois assentiu, séria.
- Sei.
- Nunca houve nenhuma outra, eu juro!
- Eu sei, eu acredito.
- Nathalia, eu não sei quem te falou isso, mas...
- Yago - Nathalia o interrompeu - Eu sei. Eu acredito em você. Já desmentiram a história e, mesmo se não tivessem, eu acabaria vendo que não tenho motivos para não acreditar em você.
Yago sorriu.
- Que bom, então.
E beijou-a mais uma vez.
- Você sabe que eu te amo, não é? - disse.
- É claro, bobo.
- E que sempre vou te amar.
- Sempre.
- E que não importa a merda que você faça, ou que eu faça... nunca vou deixar nenhum de nós sair pela porta novamente.
- Nem eu.
Seus lábios roçaram-se, e um novo beijo começou. Yago deitou-se em cima dela, e tirou sua camisa novamente. Ele estava quente. Abraçou-a mais uma vez, pressionando seu corpo nu contra o dele.
- Sua mãe demora?
- Plantão até amanhã de noite.
Ele sorriu, e puxou-a com mais força contra seu peito. Ela desceu a mão por suas costas, tascado-lhe um curto beijo.
- Mais? - ele perguntou, com um sorriso no rosto.
Ela baixou a cabeça, encostando sua testa na dele, seu corpo sobre o dele. Interligados, como para sempre estariam. Olhando em seus olhos, as bocas menos de um centímetro distante, sussurrou para os lábios dele:
- Mais.
 E começaram tudo de novo.
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