Capitulo 3
Baader-Meinhof Blues – Legião Urbana
Estava na hora de ir para a escola, Yuri não dormira aquela noite. Ficou relembrando a noite toda aquele mesmo episodio. Como poderia? Como pode alguém fazer aqui? E o pior de tudo, como Felipe soube cura-lo com apenas um dedo? Eram perguntas que ele queria saber, mas não estava com coragem de perguntar para Felipe, lembra-se das palavras dele. “Eu vou ignorar as ordens dele, vou proteger vocês, não quero mais ninguém passando pelo que eu passei, só falei que ia te ensinar porque ele ainda estava ali por perto”. Não tirara aquelas palavras da cabeça. O que ele teria passado de tão ruim assim que não queria que ninguém passasse? Olhou para o relógio e viu a hora, já estava ficando atrasado. Não estava ligando se o olho estava fundo por não dormir a noite toda, decidira ir assim mesmo.

Assim que chegou lá, todos já haviam subido. Teria que ficar no andar de baixo e só subir no segundo tempo. Sentou-se em uma cadeira para esperar o tempo, e olhou para a portaria, realmente ninguém iria chegar a essa hora. Ouviu um barulho, e quando olhou para frente e não viu ninguém, então falaram:
-Você não falou com ninguém, certo? – Disse Felipe.
Yuri se assusta e no reflexo tenta dar um soco em Felipe, falhando. Felipe estendeu a mão pegando o pulso dele e o girou. Yuri acompanhou o giro e caiu com o corpo no chão, e uma tremenda dor no braço. Vendo que era Felipe respondeu:
-Ah cara, não me dê esses sustos, eu já estou com muito medo de você. Mas não, não falei. E mesmo que eu falasse quem acreditaria que uma pessoa aparece e desaparece no ar, e que pode fazer as pessoas ficar sem ar ou arremessa-las sem nem mesmo sair do lugar e estando distante das pessoas? Agora, se incomoda de soltar?
Felipe concordou e soltou o braço dele. A inspetora veio desceu as escadas rapidamente, pois viu aquela “briga”. Assim que chegou neles Felipe olhou para ela e se levantou, e sutilmente colocou a mão dele sobre o braço da inspetora, então disse:
-Mas não aconteceu nada aqui, certo?
Yuri viu a mão dele brilhando com o toque. Assim que terminou a frase a inspetora relaxou os ombros que estavam tensos e disse:
-É verdade, deve ter sido apenas uma imaginação minha. Não dormi direito. Deve ser isso.
Felipe assentiu. Assim que ela virou Yuri olhou assustado para Felipe e não disse uma palavra, então Felipe virou para ele e disse:
-Normalmente eu não faço isso, mas está muito cedo pra ir para a diretoria.
-São essas coisas que você teria que me ensinar?
-Não. As suas são diferentes das minhas, pelo menos em parte.
-As? Plural? É mais de uma?
-Uhun. Você tem duas habilidades. Provavelmente uma delas é detectar energias.
-Como assim?
-Geralmente é uma secundaria, mas ela consiste em ver as energias e, se estiver em algo que não possua consciência para segura-la você pode controla-la.
-Secundaria?
-É. Mas eu já te falei de mais, quanto menos você souber, melhor será.
-Me ensine, porque não?
Felipe ficou em silencio, não queria falar sobre aquilo, nem iria. Yuri pensou em perguntar algo, mas o sinal tocou. Sem nem falar com Yuri, Felipe se levanta, e vai para a sala. Yuri o fica encarando.
A aula estava extremamente chata. E com tudo aquilo não conseguia prestar atenção em nada da aula. Ficou vegetando olhando para a cara do professor, agindo como se entendesse. Ele era inteligente mesmo, não precisava de explicação, se ele mesmo parasse para ler, entenderia.
Desceu para o recreio, foi procurar a Laila e Mariana, mas não as encontrou. Avistou um amigo delas e foi perguntar:
-Viu Mariana e Laila?
Ele fez um não com a cabeça. Começou a estranhar, mas teria que esperar até o final da aula para saber.
Tocou o ultimo sinal, Yuri ligou para elas e não conseguiu nada. Viu um homem na porta da escola, não era aquele que tinha visto na casa de Felipe. Mas uma coisa era certa, eles se conheciam e transmitiam a mesma energia, pelo menos eram bem parecidas pelo que ele, literalmente, podia ver. O homem virou-se para ele e sorriu. Quando Yuri começou a correr para “perguntar” algumas coisas o tal homem desapareceu, tal como o outro na casa de Felipe. Já sabia que elas tinham desaparecido por culpa daqueles homens.
***
Felipe estava em casa, quando a campainha tocou, foi atende-la. Assim que abriu o portão deixou a surpresa transparecer. E sem nem mesmo falar uma palavra, fechou o portão. A pessoa segurou o portão e disse:
-Marcos, eu preciso da sua ajuda.
-Guilherme, não. E não, não me chame por esse nome de novo. Agora me chame de Felipe.
-Mas seu nome é Marcos Felipe, certo? Qual o problema de chamar de Marcos?
-Marcos é o nome que eu usava naquela época. Eu já não faço mais parte daquilo. Então quero mudar inclusive o jeito que me chamam. Então, Felipe, por favor.
-Tudo bem, como você queira. Felipinho.
Felipe franziu a testa de raiva, odiava o sarcasmo não voz dele. Pensou em soca-lo até sair de sua casa, mas achou melhor não, nunca havia conhecido a real força de Guilherme, como Guilherme não conhecia a de Felipe. Então falou:
-Eu não vou te ajudar, eu já disse, quero sair daquela vida, não é mais o que eu quero, você também deveria.
-Não há como fugir, você ainda não entendeu?
-Entendi, mas não quer dizer que eu não posso tentar, e bom, eu estou. Reencontrei meus melhor amigos de infância.
-Achei que eu fosse o único em quem você confiasse.
-Ná, não mais. Eu ainda confio, mas uma confiança a distancia.
-Não queria ter que fazer isso, mas, já que você gosta tanto dos seus amiguinhos, é melhor você ir dessa vez.
Guilherme puxou duas fotos do bolso. Felipe as olhou e começou a tremer. Então disse:
-Eles dois desceram?
-Pois é, lembra-se do trabalho que eles deram?
-E por que...
-Vai realmente ficar fazendo perguntas?
Felipe olhou para os lados para buscar uma solução, então finalmente decidiu.
-Eu vou, dessa vez, por essas pessoas que ele está.
Guilherme sorriu e disse:
-Está fazendo o certo.
-Por enquanto, até tudo isso acabar, me chame de Marcos novamente. Jeh?
-Uhun. Você que manda, chefe.
-Eu não sou mais seu chefe há muito tempo, só na época que te treinei, agora não sou mais. Pare de me chamar assim. A noite agente sai, até agente resolver isso, me encontre aqui ás 00H30M.
Guilherme assentiu e foi embora. Marcos entrou em casa e sentou em sua cama. Não acreditava que iria fazer aquilo, de novo.
***
Yuri tentava ligar para elas de cinco em cinco minutos, e em nenhuma das vezes teve sucesso. Recorreu a ultima esperança, ligou para Felipe. Não conseguia também. Pensou em ir à casa de Felipe, quando chegou ao portão de sua casa Felipe apareceu atrás dele e disse:
-O que você quer?
Yuri se assustou um pouco, mas logo se recompôs. Então disse:
-As meninas estão em perigo.
-Não, não estão, afinal você deveria se preocupar com você.
Yuri não entendeu o que queria dizer aquilo. Então Felipe sumiu bem a frente de seus olhos e apareceu atrás. Colocou a mão dele tampando a boca de Yuri. Uma luz saiu da mão de Felipe. Ele o soltou, então Yuri olhou melhor. Não era Felipe, era a mesma pessoa que vira no colégio. Como uma ilusão, então Yuri caiu no chão e quase sem voz perguntou:
-O que você...
Antes mesmo de terminar a frase desmaiou.
Acordou em algum lugar, não fazia ideia de onde. Tentou olhar em volta, mas não via nada, olhou um pouco mais, e viu duas sombras. Não conseguiu se aproximar. Só agora percebeu que estava acorrentado e preso. Tentou forçar um pouco a visão, então reconheceu as pessoas. Laila e Mariana. As duas estavam penduradas também. Mas com uma coisa diferença, as duas estavam com cortes gigantes em seus peitos, e o sangue sujando o corpo todo, estavam mortas, a única coisa que conseguiu falar foi:
-Mas que porra...?
Sentiu uma pancada, acabara de ter sido silenciado também.
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