Capitulo 2
Olhos vermelhos – Capital Inicial

Era de madrugada, 1 hora da madrugada e Felipe estava deitado em seu lugar preferido da casa, o telhado da varanda. Dali ele podia ver o céu, desde criança é apaixonado pelo universo. Aquilo sempre o ajudava a pensar sobre as coisas, principalmente sobre a vida e escolhas que provavelmente teria que fazer. Ainda não havia esquecido aquele homem. Depois de tanto tempo, o que iria quer logo agora que estava tudo se ajeitando? Ouviu passos vindos de dentro de sua casa, rapidamente fechou os punhos, quase como se estivesse preparado para entrar em uma briga, então ouviu a voz calma e sonolenta de Yuri:
-Ainda acordado há essa hora?
Havia se esquecido, todos dormiriam em sua casa naquele dia, então relaxou os punhos e falou:
-Não consegui dormir, às vezes acontece.
-Por quanto tempo você vai fingir que não viu algo que te abalou, como aquele homem. É o mesmo daquela noite a 11 anos, não é?
Felipe por um segundo deixou transparecer a surpresa, mas rapidamente voltou a sua expressão normal e disse:

-Do que você está falando, teve algum sonho e está confundido as coisas?
-18 de outubro de 2000. Um homem que nunca tínhamos visto subitamente apareceu do seu lado e vocês conversaram. Uma espécie de luz saiu da palma da mão dele na sua testa, e 11 anos depois ele reaparece, assim, do nada. Algo aconteceu ou vai acontecer. O que é?
Felipe ficou em silencio profundo e enfim falou:
-Eu não sei quem ele é, ele nunca me falou. Não é a primeira vez em 11 anos que ele aparece, eu o vi varias e varias vezes no meio de multidões, sempre do mesmo jeito. Mas em 11 anos, é a primeira vez que ele vem falar comigo.
-Alguma ideia do porque ele vir dessa vez?
-Ele não falou nada.
-Eu perguntei se tem alguma ideia, não se ele falou.
Felipe fica em silencio absoluto, então Yuri abre um sorriso falso e continua:
-Você sabe, não sabe?
-Sei.
-O que é?
-Não posso falar.
Yuri então vai pelo telhado onde Felipe está e se sentou ao lado dele:
-O que aconteceu com você nesse tempo, não é de agora, você parece mais, como posso falar? Sombrio.
-O que aconteceu nesses 9 anos que agente não se viu, deve ficar lá e...
Felipe se calou e encarou o ar, então Yuri falou:
-E...
-Sh, ele está vindo de novo.
Ambos ficaram olhando em uma direção, quando ouviram uma voz vinda do sentido oposto falando:
-Boa noite, cavaleiros. Servidos?
Felipe rapidamente olhou para a direção, sem duvida, era ele. O mesmo corte de cabelo que ia até o ombro, era preto com bastantes fios brancos, barba media, muito mal feita, e os olhos azuis penetrantes. A roupa também sempre era a mesma, um terno branco, com um relógio feito de ouro branco pelo que deduzia, também tinha uma bengala que só parecia ser usada para charme, pois o homem tinha uma postura impecável, a única diferença era que desta vez ele apareceu com uma espécie de xicara com o que lhes parecia ser vinho.
Felipe olhou para ele e disse contendo sua raiva para não gritar e acordar os outros:
-O que você quer aqui? E quem é você?
Ele olha para Felipe e diz:
-Tudo bem, não quer. Você é jovem de mais para beber. Bem, o que eu quero aqui é te pedir um favor, ou melhor, dar uma ordem. E quem sou eu, eu num posso falar. Só uma dica, você me conhece, sabe meu nome.
-Quem disse que eu vou obedecer?
-Certamente você vai, se não...
-Se não o q...
Felipe deita no telhado sufocado, não conseguia mais respirar, não importa o quanto tentasse, Yuri foi para cima do homem, mas quando foi chegando perto, foi arremessado para trás, caindo quase desmaiado, a imagem do homem a sua frente na mesma hora ficou embaçada. Mas mesmo assim conseguia notar a tranquilidade do homem ao fazer aquilo, quase como se fosse acostumado. Então o homem se levantou e “libertou” Felipe da angustia da sufocação, então Felipe olha para o tal homem e diz:
-O que é que você quer?
-Ah, não é nada de mais, você só vai ter que ensinar pra alguém tudo “daquilo” que você aprendeu nesses 11 anos, e sabe esse garoto aqui, até que me parece ser bem o tipo que eu quero, ele tem uma “habilidade” interessante. Vale a pena tentar.
O tal homem foi andando em direção a Yuri, então colocou a mão sobre a testa dele. Felipe fechou os olhos, sabia o que iria fazer, e seria a mesma coisa que fez com ele 11 anos atrás, e sem abrir os olhos, falou gaguejando:
-Tu... Tudo bem.
Então o homem apenas deu uma risada baixa, quando Felipe abriu os olhos novamente, o tal homem já não estava mais lá. Levantou-se devagar e foi andando até onde Yuri estava caído, colocou um dedo onde fica localizado entre as costelas e o estomago dele. Não sabia se era alucinação, mas Yuri poderia jurar que viu uma espécie de luz saindo do dedo de Felipe. Então ele sentiu Felipe pressionando o dedo contra o lugar onde estava encostado. Em uma fração de segundo Yuri se levantou rapidamente, como se aquela pancada nunca tivesse ocorrido. Yuri olhou para ele e disse:
-O que você...
Felipe olhou para Yuri e disse:
-Não pergunte, você queria saber o que aconteceu comigo nesses 11 anos, pois bem, tudo que eu fiz, eu vou te ensinar.
-Ensinar... Mas... Ensinar o que?
-Amanhã você vai saber, agora fique normal, Laila e Mari vão aparecer.
Yuri ficou sem entender. Mas poucos segundos depois Laila e Mari olharam pela porta da varanda e viram os dois. Eles olharam e Felipe perguntou:
-Ainda acordadas?
Laila olhou para ele e falou:
-Poderia lhes fazer a mesmíssima pergunta.
-Não consegui dormir, e sem querer acordei o Yuri, dai viemos para cá, olhar um pouco o céu.
-Ainda não perdeu esse habito?
-Nem sinal dele sumir.
-Podemos nos juntar a vocês?
Yuri se levantou e se espreguiçou e deu alguns passos e falou:
-Eu já vou entrando, vão ficar ou ir?
Felipe olhou para Yuri e disse:
-Ná, também vou entrar. Se quiserem a ficar, a vontade.
Ambas fizeram que não com a cabeça, então todos entraram. Durante o resto da noite Felipe e Yuri não conseguiam dormir. Desejavam que fosse apenas mais um pesadelo.
Reações: