Acho que poucos sabem, mas hoje é o aniversário da @0800fuckall. Eu sou seguidor dela, e admiro muito ela, por isso fiz esse texto ~sem título~:



Eram seis da manhã. Ela enfim acordou. O despertador já tocava pela quinta ou sexta vez, e era a quinta ou sexta vez que ela tateava o criado mudo, procurando de onde vinha aquela vibração, acompanhada de sua música favorita. Não que ela não quisesse ouvi-la; sabia como era delicioso dormir ao som daquela música. Mas algo a movia; simplesmente aquela urgência inexplicável de toda manhã, a urgência de cessar qualquer som.
            Ela por fim alcançou-o, e apertou o botão na lateral direita. A música parou no meio de um grito da vocalista, e o quarto voltou ao silêncio pela derradeira vez.
            Revirou-se na cama, uma, duas, três vezes. Em sua cabeça, o tempo parecia paralisado. Não havia motivo para levantar.
            Ah, sim, era dia de semana.
            Com um gemido de protesto, levantou. Olhou-se no espelho. O cabelo curto, que descia até pouco abaixo de seus ombros e não mais que isso, estava bagunçado, como em toda manhã. Percebia também que sua barriga rangia de fome. Tentou lembrar-se do que havia jantado na noite passada, mas não conseguiu. Sequer havia jantado noite passada? Novamente, não sabia. Passou as mãos nos olhos, ainda pesados, e tentou focalizar melhor. Seu quarto, escuro, com poucos feixes de luz adentrando pelas frestas da janela fechada.
            Que dia era aquele? Abriu um sorriso. O dia de seu aniversário.
            De repente, a cama parecia lhe chamar novamente.
            Olhou para o relógio. Quase nove horas. Já era até tarde. O celular devia estar perdido em algum lugar do quarto. Não iria procurar ainda, no entanto. Abriu o armário. O que iria usar? Já passara há muito da hora da escola. Não que pretendesse assistir a aulas hoje. Seus pais estavam cientes de que estava matando aula, mas ela podia! Era seu aniversário!
            Escolheu, por fim, uma camisa do Nirvana, preta, e não teve dúvida alguma: escolheu sua calça xadrez, roxa, com um sorriso no rosto. Olhou-se no espelho, e pensou no quão retardada devia estar parecendo, sozinha, desarrumada e sorrindo tanto quanto uma mascara de teatro.
            E pensou o que sempre pensava: Foda-se.
            Abriu a porta de seu quarto, e foi cegada pela luz. O sol brilhava forte, e o desgraçado fazia questão de entrar pela janela. Piscou diversas vezes, até por fim se acostumar. Seguiu para o banheiro, e tomou um longo, demorado banho quente.
            Olhou-se no espelho embaçado. Os fios de cabelo, intercalados entre preto e mechas alaranjadas, caiam-lhe sobre a testa, e desciam seu pescoço. Pingavam água. Passou sua toalha favorita novamente pela cabeça, mas o cabelo continuaria molhado. Deu de ombros, e passou a camisa pela cabeça assim mesmo, molhando o colarinho sem decote.
            Jogou o cabelo da testa, e penteou-o para os lados. Olhou-se no espelho novamente. Era daquele tipo que as outras pessoas não entendiam. Era aquela que a maioria das garotas odiava, deixava de lado. Ela mesma se achava feia. E nem sabia o quanto era linda. O quanto era complicada e perfeitinha, e o quanto charme havia no seu jeito. O quanto sua imperfeição era perfeita, e como nenhum adjetivo fazia jus ao que realmente era. Ela não sabia de nada disso, mas nós sabemos.
            Saiu do banheiro, e seguiu para seu quarto novamente. Acendeu a luz, e ligou o computador. Tentou fazer o mínimo de barulho possível. Bateu as unhas contra a mesa, na ordem: indicador, médio, anelar, mínimo, fazendo aquela série de ruídos que tanto gostava. Quando o computador finalmente terminou de carregar, os poucos minutos que pareciam um século de tédio, abriu o navegador. Digitou na barra de pesquisa o nome de seu site favorito, e esperou carregar. Abriu já na sua home, e pegou-se sorrindo novamente.
Aqueles eram os rostos de apenas alguns de seus amigos, seus amados.
Aquelas eram suas palavras.
Eram sessenta mil pessoas, sessenta mil amigos, sessenta mil pequenos pedaços de seu coração. Era com eles que queria passar seu aniversário. Eram eles que sabiam o que se passava em sua cabeça, suas alegrias, suas tristezas. Eram eles quem a fazia sorrir toda manhã.
E cada um de nós tem orgulho em carregar Monique Débora no peito.
            Ela sorriu, e riu, feliz, ao calçar seu salto quinze.

Happy B-Day, 0800FuckAll
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