FALA AE GALERA ;D então, cá estamos nós, últimos capítulos de 2010 *-* #SILENCIAR volta em 2011, no dia 7 de janeiro, primeira sexta-feira de 2011 :D Com uma novidade: a partir do capitulo 25, serão postados pelos menos 2 capitulos por semana, um na terça e um na sexta, a pedido de vários leitores xD Então, leiam e comentem, e aguardem por mais capitulos!!!1!!1!omze!12

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Fielmente

Faithfully - Journey/Glee Cast

O som da fechadura trancando-se inundou o quarto, num ruído metálico e desconfortável. Nathalia não percebeu o tempo passar enquanto sua mão suava na maçaneta. Demorou para virar-se, paralisada com a própria adrenalina. Sentia-se tonta. Sutilmente apoiou-se na porta, para não cair, e, o mais importante, para que Yago não a segurasse antes de ir ao chão. Para que ele não a pousasse sobre a cama. Para que não cedesse.

Virou finalmente, encarando seu rosto com a expressão mais vazia que pôde montar.

Yago a encara sem parar um segundo. Não falara nada naqueles momentos de paralisia, temporal e corporal, mas desconcertara-se no segundo em que Nathalia virara. Aquele rosto! Como chegara àquilo? Como tudo acabara daquele jeito? Baixou os olhos por um segundo. Respirou naquela pequena fração de tempo que tinha, e imaginou-se de volta aos primeiros dias. Os bons dias. Dias de sol, chuva, o que quer que fosse. Eram dias felizes, dias que jamais deveriam acabar. Esse dia cinzento, no entanto, estendia-se sem fim, e tudo indicava que quando o encontrasse, não seria um final feliz.

- Pegou chuva? - perguntou, sem mais nada na cabeça.

Nathalia assentiu, olhando para os próprios pés.

- Nem banho tomou? Assim você se resfria.

- Eu, tava indo pro chuveiro, só que aí você chegou - respondeu, com a voz quase irreconhecível de tão baixa.

- Ah - suspirou Yago, engolindo a surpresa. Sua voz, tão linda e controlada que nunca sumia, como havia degenerado-se tanto? - Desculpa.

Nathalia fez que não com a cabeça, encarando a janela.

Yago deu um primeiro passo, silencioso. No segundo, viu Nathalia afastar-se, e parou. Encarou-a, enquanto via novas lágrimas escorrendo de seu rosto, agora retorcido em dor. Nathalia levou as mãos à boca, jogando-se contra a parede. Soluçou alto, enterrando o rosto nas mãos novamente. Pressionou a própria boca, como que com medo de emitir um novo som, mais alto. Jogou a cabeça pra trás, novamente encarando Yago.

- Não - disse.

Yago não esboçou nova emoção. Deixou seu rosto consumir-se pela dor - doía-lhe também, uma taquicardia destruía seu peito - e não preocupou-se com os protestos da amada. Aproximou-se ouvindo a voz de Nathalia morrer, até não passar de um sussurro agudo, uma dor falada. Levou sua mão àquele rosto, ouvindo um novo gemido. Viu-la fechar os olhos, empurrando as novas lágrimas pra fora dos olhos. Sentiu seu corpo tremer da base à cabeça, numa mistura de medo e excitação. Sentia sua árdua respiração queimar em seu rosto.

- Por que? - ouviu-a dizer, simplesmente.

Foi sua vez de fazer que não.

- Pára - disse Nathalia - Me larga, por favor, me larga.

Yago continuou a encará-la, tomado pela dor.

- Me deixa - continuou - Só me deixa e não volta.

- Não - respondeu, sem respirar - Nunca.

- Por que então? - perguntou, sorrindo como sempre fazia quando a dor enforcava-a, matava-a por dentro - Por que nada dá certo? Nunca a gente tem paz, sempre tem alguma coisa atrapalhando?

Yago deu de ombros, apertando os lábios. Seus olhos azuis tornaram-se ainda mais melancólicos, denunciando a hemorragia em seu coração. Aquela hemorragia jamais o mataria, mas faria-o preferir a morte.

- Ninguém nunca disse que seria fácil.

Nathalia abaixou os olhos, num sorriso triste e amarelado.

- Nathalia - disse - Eu, eu não sei da onde você tirou essa, essa ideia de que eu fiz alguma coisa, mas

Nathalia bufou, com seu lábio inferior tremendo.

- Eu não fiz - continuou - Eu juro, por tudo, que eu não fiz.

Nathalia jogou sua cabeça pra trás novamente, encarando seus olhos.

- E eu posso confiar em você?

- Você quer confiar em mim?

Nathalia não respondeu. Deixou um pequeno "não" escapar dos lábios, mas por Yago puxá-la para si do que como resposta. Deixou tudo derreter naquele novo beijo, recheado de lágrimas e calafrios. Não importava o quanto sua cabeça doía, o quanto sua mente dizia que não. Seu coração empurrava-a mais e mais, sem importá-se em parar depois.

Separou suas bocas, e fitou o rosto manchado de lágrimas de Yago.

- Isso parece um beijo de quem não te ama? Isso é beijo de quem saiu por aí pegando todo mundo e te deixa como reserva? Olha aqui - pegou sua mão e pousou-a em seu peito, engolindo em seco com o contraste de seu corpo quente e aquela mão fria - Tá sentindo isso? Esse coração batendo? É você, Nathalia, eu fico assim perto de você. Por que eu te amo e nunca vou deixar de te amar, e nunca vou fazer nada que te faça duvidar disso.
Nathalia encarou-o sem pensar em mais nada. Sabia que ele não a havia traído. Não importava o curso dos eventos, não importava o que ninguém dissera. Ele resistira como sempre resistiu e como sempre resistiria. Que dúvida maldita era aquela? Que dúvida maldita que sempre a travara nos seus melhores momentos, que sempre a esfaqueava quando menos esperava?

A dúvida jamais tomaria conta novamente. Jamais.

Puxou-o para um novo beijo, envolvendo seu pescoço com os braços. Sentiu os lábios doerem, tamanha pressão era feita. Yago retribuiu, puxando-a num abraço. Fez seus corpos grudarem-se, movendo-se sincronizadamente como numa dança, uma linda dança. Levantou-a, tirando-a do chão, apertando suas costas num forte abraço. Ouviu-a gemer, logo amaciou levemente o próprio abraço. Prendeu-a contra a parede novamente, tirando seu folego naquela carícia sem fim. Sentiu-a empurrando-o, livrando-se daquele abraço. Ela pegou seu rosto entre as mãos, sem separá-se de sua boca. Caíram na cama, logo sentindo o impacto. Deixou-o beijar seu pescoço, sentindo o rosto corar ainda mais. Sabia o que queria agora, e era ele.

Puxou sua camisa, rindo com a perplexidade que instalou-se em seu rosto.

Puxou-o pelo pescoço novamente, num beijo apaixonado. Mordiscou de leve seu lábio. Deixou-o tirar sua blusa, antes branca, agora encharcada pelo suor e pelas lágrimas secas. Afinal, não havia mais lágrimas em seus olhos. Nem tristeza. Só felicidade, e a liberdade que vinha com ela. Deixou-o beijar sua barriga, antes de voltar à sua boca. Enrolou-se em desabotoar seu jeans, seus dedos tremiam. Yago riu e puxou seus dedos, ajudando-a na tarefa. Continuaram o beijo, afinal, não havia pressa. Tinham todo o tempo do mundo.

***

Suzana separou a boca daquele semi-desconhecido. Sorriu. Qual era o nome dele mesmo? Não importava. Conhecer-lo-ia depois, agora restava apenas aquele beijo. Sabia que havia prometido continuar no hotel, por Nathalia, por Yago, mas ele ligara. Conhecera-o na noite anterior, na festa de Gustavo, no pequeno momento em que deixara Felipe sozinho. Gostara dele, então podem imaginar seu êxtase quando recebeu a ligação.

Encarou-o nos olhos, desanimadamente percebendo que haviam chegado à seu hotel.

- Mas já?

- É né.

- Poxa, não dá nem pra ficar mais um pouco?

Ele sorriu, maliciosamente.

- Se quiser, pode ficar.

Puxou seu rosto para um novo beijo, enterrando suas mãos debaixo de sua camisa, brincando com o feixe do sutiã.

Suzana separou-se, quase que num pulo.

- Olha - disse - Tudo bem que hoje foi legal e tal, só que eu sou virgem, tá? E a gente acabou de se conhecer, então acho que vou continuar assim por algum tempo. Tá?

O garoto riu.

- Problema nenhum, pode entrar que a gente só... conversa - disse, revirando os olhos numa falsa decepção.
Suzana acertou um tapa fraco em seu braço, que no entanto fê-lo chegar pra trás. Entraram no hotel, desconhecido para ela até então, subindo para o quarto de seu novo amante.

24

Pássaro Ferido, Boca Americana

Flightless Bird, American Mouth - Iron&Wine

Nathalia acordou ouvindo um ressoar baixo em seu ouvido, logo remexendo a cabeça em seu duro travesseiro. Uma música. Uma música sem ritmo, só voz. Uma linda voz. Era suspeita por falar, mas mesmo assim. Uma música que adorava, e sabia que ele adorava também. You Found Me, era essa a música. Ouviu-a com prazer. Tentou acompanhar a letra, mas tudo que conseguia fazer era gemer baixinho. Ele parava sempre que gemia, então decidiu simplesmente ouvir. Achava que ainda estava dormindo? Com os olhos pesados, ouviu-o cantar.

Lost and insecure,
you found me, you found me,
Lying on the floor,
surrounded, sorrounded

Sorriu sem querer, parando de cantar por um segundo. Cantava apenas para Nathaliae para si mesmo. Tinha vergonha de seus amigos. Sempre o elogiavam, e isso o deixava sem jeito. Olhou para a amada mais uma vez. Dormia como o anjo que era. O anjo que o salvara, que o protegia e o iluminava. Lembrou do resto da música. Chegava a ser irônico o quão perfeita era para a situação. A letra não passava de uma oração desesperada de um homem que deixara de acreditar em Deus. "Tudo acaba, todos acabam sozinhos". Sentiu-se suar. Não cantava para Deus. Cantava para um deusa deitada em seu peito, uma deusa chamada Nathalia. Mais linda que Vênus, mais sábia que Athena. Afinal, era ela que sabia quem ele era, quem não era e quem queria ser. Ela que quase chegara tarde demais. Sorriu. Um momento de dúvida quase destruíra tudo que tinham. Mas haviam conseguido. Mais uma vez, estavam felizes. E ninguém jamais iria ficar em seu caminho novamente. Se ficasse, quem liga? Iriam superar cada desafio, até terem paz. Sorrindo, continuou a música.

Why'd you have to wait?
Where were you? Where were you?
Just a little late,
you found me, you found me...


Ouviu a música terminar, e então retornou à realidade.

Sentiu sua cabeça pegando fogo, algo gosmento debaixo de seu rosto. Abriu os olhos. Doíam não sabia por que. Levantou a cabeça lentamente, sentindo o sangue descer lentamente. Passou a mão no rosto, sentindo novamente algo grudento.

- Eca, suor alheio - disse, passando o lençol nas bochechas.

Yago levantou as pernas, tomando impulso para sentar-se ao lado de Nathalia.

- Bom dia, minha linda - disse.

Lembrou-se então do que acontecera, poucas horas antes. Do quanto aquilo tudo não lhe parecia estranho, como se estivesse escrito que assim seria. Sentiu cada célula de seu corpo corar, esquentando-lhe a pele. Sentiu novamente prazer atravessando seu corpo, como fizera em todos esses dias, essas semanas, esses meses que estiveram lado a lado.

- Muito melhor - disse, beijando-o - Mas poderia ter sido melhor ainda se você tivesse me deixado dormir.

- É meio que dificil de respirar com sua cabeça enorme esmagando meu peito - respondeu, soltando um riso que rendeu um novo calafrio à Nathalia.

Voltaram a beijar-se, e logo viram-se deitados novamente, a única coisa separando-lhes era a coberta. Yago puxou, ignorando todo o resto. Nathalia finalmente sentiu uma dor aguda subindo-lhe a barriga, travando no ato. Separou-se de Yago, voltando a sentar-se na beira da cama.

- Que foi?

Nathalia olhou-o com os cantos dos olhos, fazendo-os doer ainda mais.

- Meu deus, eu tô pelada - ela disse, rindo.

Yago juntou-se ao riso, ainda esperando uma explicação.

- É uma coisa que a gente, as meninas, tem - disse Nathalia, após alguns momentos de silêncio.

Yago aproximou-se, beijando-a. Ela havia enrolado-se nos lençóis, como se quisesse esconder-se dele. Abraçou, puxando-a para si novamente.

- Dói? - perguntou.

Nathalia fez que sim, escondendo o sorriso no rosto.

- Vem cá - disse, abraçando-a novamente. Não soube dizer quanto tempo ficaram olhando para a chuva, sem dizer nada. Apenas o fizeram, sem importá-se com o calor do quarto, ou com o calor que um transmitia ao outro. O êxtase. Beijaram-se uma ou duas vezes naquele pequeno intervalo de tempo. A presença de ambos já era o suficiente.

- Acho que vou pro banho - disse Nathalia.

- Devia mesmo - respondeu, rindo, e logo recebendo os tapas de Nathalia.

Seguiu para o chuveiro. Sentiu-se estranha por não ter de despir-se. Nunca fizera nada do tipo, e estava feliz. Estavam juntos novamente. Sem dúvidas, sem arrependimentos. Nunca mais haveriam dúvidas, não na cabeça dela.

Sentiu o suor, as lágrimas, a chuva, tudo escorrendo por seu corpo. Viu umas poucas gotas de sangue misturarem-se à água, e temeu ter cortado-se nas pedras. Fez que não, procurando esquecer na hora. Yago jamais saberia daquele infeliz episódio, nem que tivesse que impedí-lo de voltar a Cabo Frio.

Sentiu a água queimar em sua pele, principalmente nas costas. Os machucados estavam ali então. Mais tarde cuidaria deles. Yago cuidaria, na verdade. Sorriu consigo mesma. Haviam chegado ao limite. Um limite desejado e temido, que no final acabara por ser ótimo.

Saiu do chuveiro, secando-se devagar. Vestiu-se apressada, ansiosa para voltar aos braços de Yago. Sujaria-se toda, mas e daí? Estava com ele. Não havia condenação.

Correu para fora do banheiro com um sorriso no rosto, apenas para deixá-lo amarelar e morrer. Yago caíra no sono novamente. Pensou em acordá-lo, como fizera com ela, mas descartou logo a ideia. Era lindo até dormindo! Saiu do quarto nas pontas dos pés, com cuidado para não acordá-lo. Qual era mesmo o quarto de Suzana? 217? Se não podia ficar com Yago, ficaria com a amiga. Sorriu consigo mesma. Parecia crueldade só querer a amiga quando não tivesse o namorado, mas não era. Precisaria falar com ela de qualquer jeito, mas queria ficar com Yago o máximo que pudesse. E chegara ao máximo.

Entrou no quarto da amiga. Porta destrancada. Viu-a deitada, encarando a janela. Dormia? Vendo-a se remexer na cama, aproximou-se da amiga, fechando a porta.

- Cê não sabe o que aconteceu! - disse, com a voz explodindo em alegria. Estranhamente alegre depois de tantas horas simplesmente embargada - Eu e o Yago, tipo, ele chegou lá no quarto, e... eu achei que a gente ia brigar de novo, mas chegou na hora e - parou.

Aproximou-se de Suzana, deixando o sorriso morrer. Viu lágrimas no rosto da amiga. Nunca a vira chorar. Nunca vira aquela melancolia em seu rosto.

- O que foi? - perguntou.

Suzana fungou, engolindo em seco. Sentiu uma pontada na testa pela enésima vez.

- Ontem, eu conheci um cara na festa. E hoje, ele me tirou a virgindade.

Nathalia sorriu.

- Comigo também, quer dizer, eu e o Yago - disse, logo arrependendo-se de tanta animação em sua voz.

Suzana bufou, engolindo em seco novamente.

- Mas qual o problema? Não foi bom? - perguntou, logo sentindo-se boba. Isso lá era motivo pra chorar?

Suzana riu de leve então. Só Nathalia mesmo. O riso logo transformou-se em choro novamente. Buscou apoio no ombro da amiga, soluçando alto.

Nathalia puxou-a, segurando seus ombros.

- Suzana - disse, com força na voz pela primeira vez em muito tempo - O que aconteceu?

Suzana deixou seu rosto retorcer-se em dor novamente.

- Eu não queria...

Nathalia sentiu o sangue fugir de seu rosto.

- Ele, ele me obrigou a fazer coisas - Caiu no choro novamente, tapando a boca com a mão.

-Ah meu deus - disse Nathalia.

Abraçou a amiga, com seu lábio inferior tremendo. Não sabia para onde olhar, muito menos o que fazer. Sua respiração encontrou-se entrecortada novamente.

- Ah, Suzana...

Não soltaram-se. Continuaram abraçadas, olhando para a chuva interminável. Engoliram em seco novamente. O dia parecia cada vez mais chorar com elas.
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