Fala ae people =] Bem, como eu tinha falado no twitter, o fim do ano tá chegando NÃÃÃÃO, YURI, EU ACHAVA QUE TODOS OS CALENDÁRIOS DO MUNDO TINHAM FEITO UMA REVOLTA SÓ PRA EU ME DESESPERAR '-' e isso quer dizer que Silenciar precisa dar uma pausa também. Tipo aquela pausa que deu entre os capitulo 5 e 6, só que dessa vez vai ser um pouco mais. Semana que vem, serao postados os dois últimos capítulos de 2010, o que significa que vamos terminar o ano com capitulo duplo. Silenciar volta dia 7 de janeiro de 2011, a primeira sexta feira do ano. Nesse quase um mês, eu vou descansar e escrever mais e mais. Enquanto isso, leiam ae e comentem ok =]

22

Sentimental

Los Hermanos

Em sua cabeça, esperou quase uma hora no silêncio que era aquela praia num dia de chuva. A fina garoa que recomeçava já a quase encharcara, fazendo o cabelo brilhar ainda mais com o pouco que o molhara. Quando olhava ao relógio, porém, via que mal passaram-se dez minutos. O pensamento a enganava. Sempre pegava-se imaginando Yago. Imaginando um dia juntos. Cada dia passara em sua cabeça. Cada dia feliz, cada dia dramático, cada dia sofrido. E sempre pegava-se pronta para chorar novamente reassistindo aquele dia.

Pegou-se encostada numa pedra. Abraçava os próprios joelhos, e o único movimento que fazia era um contínuo para-trás-para-frente. Sentia-se débil. Parecia uma louca para quem passava. Mas não havia ninguém passando. Ninguém ali para perguntar se estava tudo bem e para sorrir quando mentisse, "estou bem". Quem sabe alguém veria o fundo de seu coração? Alguém cuidaria dela?

Ouviu passos distantes. Tensão. Abriu os olhos, vermelhos. O vento aumentara, bagunçando seus cabelos de um jeito quase cinematográfico. Se aquilo fosse um filme, com certeza seria um de terror. Os passos seriam de um monstro, um assassino, e não daquele garoto iludido que agora subia as pedras. Os segundos estendiam-se mais lentos que horas. Não, o monstro seria ela. Quem subia as pedras nada mais era do que a inocente vitima, caminhando para seu fim. Ainda que de inocente Gustavo não tivesse nada, caminhava para um monstro do mesmo jeito. E caminhava feliz até. Animado com a ideia de ter a seu lado uma linda garota, uma das mais lindas que já vira na vida. Nathalia não o mataria como o roteiro do filme manda. Faria pior. O usaria. Despedaçaria aquela alegria. Quebraria aquele coração. Sentir-se-ia realizada. Yago merecia cada segundo do que aconteceria.

O tic-tac do relógio parecia diminuir ainda mais o tempo. Os segundos pareciam durar uma vida inteira. Os batimentos de seu coração destruíam o pensamento, dando lugar ao arrependimento.

Um sorridente Gustavo surgiu detrás das pedras.

Caminhava em câmera lenta, aos olhos de Nathalia. O farfalhar da roupa, o balanço do cabelo, o piscar dos olhos. O estralar que acompanhava seus passos aumentava a taquicardia de Nathalia. As palavras entalaram-se em sua garganta. Engoliu em seco, ato repetido por Gustavo. O sorriso desparecera do rosto do garoto. O nervosismo aparente agora dominava ambos.

- Desculpa a demora, foi... - parou por aí. As palavras pareciam afogar sua voz. Precisava de ar. Respirar. Gustavo deixou de balbuciar palavras e perdeu a pose à frente de Nathalia.

Encarou seus olhos, enquanto acalmava-se. O que ele realmente sentia?

- Eu, eu meio que tive um problema, e...

- Pára - disse Nathalia. Pouparia tempo e dignidade - Não, não fala, só vamos logo com isso.

Gustavo arregalou os olhos, não por surpresa, mas por encontrar-se finalmente numa situação onde não estava no controle. Suas emoções falavam por si só. Não importa o que fizesse, estava à mercê da própria fraqueza naquele momento.

Nathalia reprimiu um sorriso. Não era tão experiente assim, não é? Não tão experiente com uma garota que amava. Fizera Gustavo apaixonar-se por si. O coração apertava-se ao ver aquela figura, irritante e superficial dia e noite, agora mal conseguindo respirar. E logo sofreria. Logo veria que era um caso perdido. Um estepe, um substituto. Uma vingança.

Aproximou seu rosto. Gustavo fez o mesmo. Involuntariamente, afastou-se poucos centímetros. O que estava fazendo? O desencorajaria! Afastou-se novamente, uma, duas vezes. Tudo que pensava era no que não queria. Não queria aquilo! Queria Yago! Queria que Gabriela explodisse, queria esquecer todo o resto, fingir que nunca soubera de nada. Mas era tarde. Havia desencadeado aquilo para si mesma.

Contrariada, novamente com lágrimas a ponto de desabarem, fixou a cabeça, deixando seus lábios tocarem-se.

***

Suzana entrou em casa. O sorriso que pretendia trazer estava enterrado no fundo da alma. Tinha que falar com Nathalia. Tinha de saber o que realmente havia acontecido. Subiu as escadas batendo os pés, voluntariamente produzindo um baque surdo para anunciar sua chegada. Ouviu mais passos no andar de cima, uma corrida. Quando sua cabeça apareceu no corredor, encontrou os olhos de Yago. Decepção formou-se ali. Procurou deixar claro a repulsa que sentia em seus olhos, mais como repreensão do que como uma devolução.

- Onde tá a Nathalia?

Yago engoliu em seco.

- Pensei que fosse ela chegando agora.

- É, mas não era, onde tá ela?

Yago cerrou os olhos, deixando-os vazios como tanto sabia fazer. Ilustrou-os com ódio, então.

- Disse que ia pra um hotel, sei lá - respondeu com uma falsa calma. Doía-lhe aquele "sei lá". Queria parecer como quem não ligava, mas ligava. E muito.

- E você deixou ela ir?! - respondeu Suzana, gritando.

- Ela sabe o que faz.

Suzana bufou. Ao passar por Yago, esbarrou o ombro em seu peito voluntariamente, fazendo-o perder o equilibrio e quase ir ao chão. Os passos fortes novamente chamavam atenção enquanto marchava para seu quarto. Yago continuou parado ali, apenas encarando a porta. Suzana voltou em menos de dois minutos, com uma mala pronta. Mas é claro, pensou Yago. Ela nunca desfazia a mala. Apenas revirava-a a procura de uma roupa, mas as gavetas e cabides eram enfeites em seu armário.

- Onde você vai? - perguntou Yago, já sabendo a resposta.

- Atrás dela. Alguém tem que ir, né - respondeu com sarcasmo, encarando-o nos olhos - Sabe, eu sei o que ela acha que você fez. Eu bem sei que você nunca faria isso, mas também não esperava que você tocasse o foda-se agora. Você é o namorado dela, você deveria ir atrás dela e consertar as coisas.

Yago deixou o olhar acalmar-se. Engoliu aquelas palavras pois sabia que era verdade. Mas o que é a verdade à frente do orgulho? Pensara infinitas vezes no que devia ter feito. Infinitas vezes passava a cena do que teria sido se tivesse impedido-a. Infinitos finais felizes, que na vida real pareciam cada vez mais distantes.

- Mas acho que você não conseguiria, não é mesmo - terminou Suzana, retomando a marcha.

Yago deixou-a seguir em frente, sem contestar por poucos segundos.

- Você também tá brava comigo ou é por ela que você tá gritando?

Suzana parou, a um passo do primeiro degrau. Virou-se, encarando-o nos olhos novamente, tingindo o rosto com o sarcasmo que era tão boa em usar.

- Imagine lasers saindo dos meus olhos - respondeu, voltando a caminhar.

***

Nathalia sentia nojo.

Sentia seu corpo pressionado contra um Gustavo incontrolado, empurrando-a contra as pedras. Deitados, com as pedras machucando suas costas. Ele não pararia por ali. Iria querer mais e mais. Beijava seu pescoço. Seu peso interrompia a respiração de Nathalia, e não via as lágrimas escapando dos olhos da amada. Lágrimas tanto de dor quanto de repúdio. Passou as unhas em suas costas, numa inútil tentativa de defesa. Arranhou os braços nas pedras, colocando-os junto ao corpo. Empurrou Gustavo então, fazendo-o sair de cima de seu corpo e cair na pedra. Gemeu de dor ao sentir-se caindo sobre as pedras, e umas poucas gotas de sangue tingiram sua camisa. Caíra sobre algumas pontudas. A respiração tornou-se ainda mais pesada.

Nathalia soluçou, entre os gemidos da dor que extinguia-se. Levou as mãos ao rosto, aproveitando os momentos em que Gustavo estava paralisado de dor. Levantou-se, quase escorregando nas pedras molhadas. Gustavo levantou-se também, ignorando a dor.

- Me desculpa - disse Nathalia, a voz transformada num guincho por entre o choro - Me desculpa por tudo, eu não queria, não queria nada disso.

Deixou mais lágrimas rolarem o rosto, enquanto repetia novamente um "Me desculpa" e virava-se para ir embora.

- Não, não, espera Nathalia - respondeu Gustavo, pegando-a pelo pulso - Eu, eu te amo!

Nathalia deixou o rosto contorcer-se novamente numa expressão de dor, enquanto a chuva tornava-se mais forte.

- Eu sei - disse, deixando as lágrimas misturarem-se às grossas gotas que caíam do céu - Me desculpa, por favor, me desculpa.

Puxou o braço com força, levando Gustavo ao chão. Este estendeu seus braços, tentando inutilmente puxá-la para si. Viu-a indo embora. Sussurrou seu nome, sentindo cada pedaço de seu corpo doer. Ficou ali, deitado sob a chuva. Drogando-se com sua própria dor. A chuva massageava-lhe as costas, inundando seu pensamento com o alívio. Seria a cura para a dor momentânea. Pois a dor que sucederia-se não tinha cura.

***

Nathalia ignorou o olhar estranho que o porteiro deu-lhe. Correu para o próprio quarto, tirando o chaveiro do bolso ao parar diante da porta. Tentou a primeira, a segunda, a terceira chave. Virou cada uma ao contrário, e apenas na quarta tentativa conseguiu abrir a porta. Entrou no quarto, fixando os olhos na própria cama. Suzana a encarava, com o rosto vazio. Sério.

- Você estava aqui esse tempo todo?

- Tava.

- Eu aqui me complicando pra abrir uma porta e você parada aí o tempo todo?

- É isso aí.

Nathalia deixou o rosto contorcer-se em dor novamente. Suzana levantou instantaneamente, e as duas correram para um abraço desesperado, sem importarem-se com suas roupas molhadas. Nathalia deixou as lágrimas pularem de seus olhos, soluçando no ouvido de Suzana. Ouviu com calma seus "vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem, shhh". Passaram pelo menos dez minutos abraçadas, até enfim sentarem na cama. Contou tudo para a amiga. Desde a noite passada até o encontro com Gustavo. Suzana não fez nada além de ouvir. Não dirigiu-lhe um olhar de reprovação, como Nathalia esperava que fizesse. Nem esbofeteou-lhe ao fim da narrativa. Não a disse para ser forte, apenas abraçou-a novamente, deixando-a chorar por seu ombro. Não disse nada. Deixou apenas os soluços de Nathalia inundarem o quarto.

Quando enfim Nathalia calou-se, Suzana falou.

- Você, quer ficar sozinha?

Simplesmente assentiu, sem querer demonstrar a voz embargada.

- Tá - respondeu, apertando-a para um abraço final - Vai tomar um banho, vai pensar, faz alguma coisa. Eu vou tá naquele quarto no fim do corredor, o número 217. Se precisar conversar de novo, vai lá.

Assentiu novamente, encarando a amiga com olhos vermelhos e triste. Rangia os dentes já. Suzana pegou uma toalha antes de ir e jogou-a no colo de Nathalia. Sabia que ela não iria limpar-se tão cedo. Então que ao menos se secasse. Deu uma piscadela ligeira, respondida por um sorriso amarelo, antes de sair pela porta.
Por reflexo, virou-se para ver de quem era aqueles passos que ecoavam pelo corredor. Voltava-se para seu caminho até processar quem era, virando-se novamente. Encarando aqueles olhos carregados de tristeza, apertou os lábios. Viu-o assentir, como num cumprimento, ao mesmo tempo que como numa afirmação de que tudo ficaria bem. Um expectativa. Assentiu de volta, iluminando os olhos com a mesma expectativa que o fortalecia.

- Me faça orgulhosa - disse, antes de voltar para seu quarto.

***

Nathalia trocou-se, colocando as primeiras roupas secas que viu pela frente. Jogou a toalha na pia do banheiro, e sentou-se na cama novamente, encarando o nada. Deitou-se, sem importá-se em estragar o jogo de cama com o cabelo molhado. As lágrimas agora estavam secas. Pensava no nada, deixando um ar melancólico inundar o quarto. Esfregou o próprio rosto no travesseiro, livrando-se de uma incômoda coceira no lábio. Saudade. Sentia saudade, e apenas isso.

As batidas na porta não a fez sobressaltar-se. Demorou alguns segundos para notá-las.

Seria Suzana novamente? Mordeu o lábio. Bem que arrependia-se de deixá-la ir. Podia usar um pouco de conversa, limpar a alma. Levantou-se preguiçosa, sem motivação para nada. Abriu a porta, arregalando os olhos. Não era Suzana. A respiração travou, os lábios tremendo de forma débil.

- Posso entrar? - perguntou Yago.

Nathalia demorou para processar aquela frase, aquela voz. O que ele fazia ali? Retomando a respiração aos poucos, afastou-se com passos pequenos, deixando-o passar. Encarou-o, fixando o olhar em sua nuca. Sem importar-se com mais nada, fechou a porta, cessando o silêncio que o corredor trazia ao quarto.
Reações: