E ae galera =] Realmente só tô escrevendo aqui por escrever mesmo, pq não tenho muito pra falar .-. Enfim, leiam e comentem ae =]

18

Você e Eu

You and Me (I Can't Keep My Eyes Off Of You) - Lifehouse



MARÇO

- Tem certeza que não vai ter problema? - Nathalia perguntou, olhando para os lados como se temesse que alguém os pegasse, mesmo com a rua deserta.

- Tenho, minha mãe não tá em casa.

- Mas e se ela chegar de repente?

- Nathalia, a gente não vai tá matando ninguém, fica calma, pô.

Calou-se então, enquanto Yago girava a chave, abrindo a porta de casa. Entraram em silêncio, quase que distorcido quanto àquele dia. A verdade era que não conseguiam segurar a si mesmos. Mal podiam esperar para jogam-se um no outro como haviam feito a quase um mês, só que dessa vez queriam preocupar-se apenas em serem pegos, não num pai cuja sociopatia chegava a enojar. Não, queriam apenas um ao outro, aproveitar o pequeno momento que teriam juntos naquele dia.

O dia.

Era 5 de março, o dia em que completavam um mês de namoro. Depois de tanta preocupação, deixariam tudo de lado por só um dia. Deixar o inferno inteiro queimar lá fora enquanto o paraíso reinava aqui dentro.
Tão logo quanto fecharam a porta, beijaram-se, sem se importarem com o barulho que fariam ao esbarrar na mobilia, apertada na pequena sala. Yago equilibrou-se por pouco, quase caindo de mochila e tudo no sofá. Separou-se de Nathalia por dois segundos, tempo suficiente para jogar a mochila ao pé da escada. Nathalia imitou-o, e logo voltaram ao abraço apaixonado. Não demorou muito e começaram a arfar pesadamente, fitando um ao outro por um momento sem-fim.

- Almoço? - Nathalia perguntou.

- Sério? É realmente isso a primeira coisa que você vai falar?

Nathalia riu, daquele jeito encantador que só ela conseguia fazer. Yago derreteu o sarcasmo na própria voz, deixando tão aveludada quanto. Beijou-a de leve por um instante, deixando um sorriso crescer enquanto suas bocas ainda estavam conectadas uma à outra como se assim sempre estiveram. Caminhou reto para a cozinha, sem olhar para Nathalia, fazendo charminho. Ela seguiu-o, fazendo bico e cantarolando uma música qualquer. Tão cedo quanto começaram a tirar as vasilhas da geladeira, Yago pegou-a pela cintura, colocando no balcão de granito da cozinha, onde agora jaziam apenas algumas poucas fotos de seu pai. Beijou-a levantando o rosto, agora que sua boca estava mais alta. Não deixou-a sair dali, preparando tudo sozinho.

- Não sabia que você cozinhava.

- Você não sabe muita coisa de mim - Yago disse, tornando a voz baixa e aveludada, fazendo um arrepio descer a coluna de Nathalia, de um modo que já se acostumara nas últimas semanas.

Tentou responder com o "Ui, nem" que tantas vezes ouvira de Felipe, mas não conseguiu. Sorriu, simplesmente, para disfarçar a voz travada.

Yago voltou para a mesa, deixando um beijo nos lábios de Nathalia por um segundo. No momento em que fora retribuir, caiu de pé da bancada, beijando o nada. Abriu os olhos, e Yago esboçava um sorriso à sua frente. Ele continuou a servir a mesa vazia, deixando as pequenas gargalhadas escaparem da garganta baixinho. Nathalia sentou-se à mesa, fitando-o nos olhos. Ao final da refeição, mal tinha tocado na comida. Não sentia fome nenhuma, e isso era normal, sabia que era.

- Eu cozinho tão mal assim? - perguntou Yago, com a boca cheia.

- Só não tô com fome - ela respondeu, sorrindo novamente, sem razão.

- Se não comer, vai acabar morrendo - respondeu Yago, engolindo tudo de uma vez.

- Aham, Honey Bee.

Yago deixou o sorriso amarelar de propósito, cerrando os olhos.

- Você é detestável.

Nathalia piscou, abrindo um sorriso mais largo.

Quando se deu conta, já estava no quarto de Yago. Lucas ainda não havia chegado, então estavam sozinhos em casa. Percebia isso agora, lembrando-se do quanto ansiara por isso durante a aula. Tinha mantido-se calada, senão sabia muito bem o ataque que uma Suzana irritada poderia dar.

Haviam se jogado na cama dele. O quarto estava escuro, porém visível. A fraca luz que entrava da janela servia para iluminar apenas o outro lado do pequeno quarto, deixando-os numa confortável semi-escuridão. Nathalia viu-se sentada de frente para Yago, enquanto este encurvava-se para beijá-la mais uma vez. Apoiou com as duas mãos na cama, aproximando seu corpo cada vez mais do de Nathalia. Deitou-se logo sobre ela, puxando sua cabeça para si. Rolaram na cama, bagunçando o cabelo arrepiado de Yago.

Por um momento, tudo ia bem. Finalmente bem.

Yago levantou o tronco, encarando-a como se pensasse em algo. Arfava, já acostumado com a falta de ar.

- O que foi? - Nathalia perguntou.

- Nada - disse ele, e tirou a camisa do colégio, já encharcada de suor.

Nathalia por um momento travou, deixando-se à mercê de qualquer coisa que poderia acontecer a partir dali. Deixou-o beijar lentamente seu pescoço, e depois passar para a boca novamente. Ficou parada, como estátua, apenas olhando a perfeição que ele era. Deixou-o levantar sua camisa até deixar a barriga a mostra. A respiração acelerou tanto que seu arfar tomou conta do quarto.

- Pára - Nathalia disse - Pára, pára, pára.

Yago levantou o rosto, separando novamente suas bocas.

- Que foi?

- Sai.

 Yago levantou-se, sentando na cama. Nathalia demorou mais um, dois minutos deitada. Levantou-se com dificuldade, precisando de Yago para ampará-la. Quando estava finalmente sentada - não tentou ficar de pé, não sabia se tinha energia para ousar tanto -, olhou nos olhos de Yago, que já o fazia há tempos.

- Yago - começou Nathalia - Eu sou virgem. É complicado demais.

- Eu também sou e não tô vendo nenhum problema até agora.

- Mas eu não tô pronta - mentiu. Claro que estava, sabia tudo que precisava saber. Até lia revista. Mais pronta do que estava impossível. Mas aquela não era a hora. Tinham só um mês de namoro, caramba! Um mês que mal aproveitaram. Tinham de esperar mais, deixar mais alguma coisa rolar.

- Ah - Yago respondeu, simplesmente.

Levantou-se para pegar a camisa, tentando esconder a decepção no rosto. Um turbilhão de pensamentos passava pela cabeça de Nathalia, enquanto encarava-o vestir-se e voltar-se para ela novamente, em mais um beijo, um fachada para o que Yago realmente queria naquele dia. Se ela visse as coisas do jeito que ele via, certamente iria querer também. Afinal, os dois se amavam, não é?

Mais tarde, Nathalia sonhou. Sonhou com aquele momento, em que os dois se uniriam pela primeira vez. Que se amariam mais do que dois adolescentes, do momento em que ele a faria sentir-se a mulher que era. Acordou sobressaltada. Era isso que ela queria. Era isso que não devia querer. Será que agora, teria de manter os olhos abertos para si mesma, para controlar a própria vontade?

Era só o que lhe faltava.
Reações: