Hey guys, aqui eu de novo xD Logo depois desse post, vou postar a segunda soundtrack (é, eu sei, ninguém baixou a primeira, mas vamo lá né, não custa tentar xD). Enquanto isso (ainda tá upando no 4shared --') leiam ae, comentem =]

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O Tempo

Oficina G3

Se não fosse por Lucas, Yago não teria ouvido às batidas na porta. Envolvido pela mesma melancolia em que Nathalia encontrara-se nos últimos dias, saia do quarto apenas para mostrar que ainda era forte. Que podia suportar uns poucos dias. Mas por dentro queria apenas sentar e chorar. Encolher-se como uma criança e chorar, esperando algo acontecer, ou alguém chegar e cuidar dele. Mas ninguém viria. Sem Nathalia, era só ele. Só.

Porém, se realmente não ouvisse àquelas batidas, sentiria-se preparado para o suicido. Nathalia havia chegado, oras!, pouco mais de uma semana antes do esperado. Contara-lhe no telefone que estava voltando. Contara com uma felicidade cega, quase fantasiosa. Uma felicidade que pareceu possuir Yago no mesmo momento.

Assim que abriu a porta, sentiu seus lábios serem esmagados pelos de Nathalia. Ela envolveu as mãos em seu pescoço quase que instantaneamente, fazendo o cabelo esvoaçar com o vento gélido da quase-noite de Costa Valença. Yago fez o mesmo, envolvendo os braços em sua cintura. Puxou seu corpo para mais perto, colando-o ao de Nathalia. A música que tocava de seu notebook não poderia combinar mais com a cena, quase como se alguém houvesse cronometrado pra tocar naquele momento. A porta, ainda aberta, empurrou o cabelo de Nathalia sobre o ombro de Yago. Com o pé, ele fechou-a, fazendo da pequena pausa entre o beijo um riso baixinho e reconfortante, depois de uma semana que arrastara-se como um mês.

Mais tarde, se pensassem no assunto, não saberiam dizer quando perderam o equilíbrio. Caíram no sofá, fazendo um pequeno estrondo no chão, ao mesmo tempo que o móvel movia-se pouco mais que quatro centimetros, produzindo o característico barulho de madeira em atrito com piso. Sorriram um para o outro, de olhos fechados, corando aos poucos. O ventilador desligado trouxe à sala um calor insurportável, mesmo com o frio dia, obrigando Nathalia a despir o casaco. Em pouco tempo, estavam sem folego, levando o beijo ao mais próximo possível do limite.

Foi Nathalia quem parou. Não fora para isso que havia ido àquela casa antes mesmo de desfazer as malas ou ligar para a mãe.

Saiu de cima de Yago - percebera que havia deitado sobre ele um pouco antes de começar a falar, tornando-se vermelha de tanta vergonha -, rearrumando o cabelo espigado depois dos sabe-se-lá-quantos minutos rolando no sofá. Yago sentou-se também, sem tirar os olhos de Nathalia. Deus, quase havia esquecido de como era linda. Sorriu para si próprio. Ela era perfeita.

Mas não era assim que a própria sentia-se. Tremia quase tanto quanto tremera à frente do pai.

- Eu te amo - Nathalia disse.

Yago sorriu, engolindo a preocupação que dominara sua expressão.

- Também te amo - respondeu - Nunca duvide disso.

Beijaram-se novamente. Nathalia queria que fosse rápido, mas não pôde evitar de continuar. Respirou fundo, abaixando o rosto ao separá-lo de Yago. Quando levantou-o novamente, os olhos brilhavam das lágrimas que dessa vez, não desceriam. Não eram necessárias daquela vez. Não ajudariam em nada.

- Ele pediu pra eu morar com ele, Yago - disse, falhando em esconder a voz embargada - Ele quer que eu vá pra São Paulo, que eu... fique com ele e...

Parou no meio da frase, escondendo o rosto novamente. As lágrimas não viriam, mas a voz parecia canalizar aquela vontade. Soluçou uma, duas, três vezes, sem parar. Sempre que respirava, desencadeava mais uma série de soluços. Por vezes nesses poucos minutos sentiu vontade de correr pra fora daquela casa. Mas não podia. Não conseguiria sequer mais um minuto longe dele.

Yago tentou não demonstrar a surpresa. Sabia o que aquele homem diria. Ambos sabiam. Era óbvio, estava estampado em seus olhos que era. Ainda assim, não conseguiu controlar aquela erupção de sentimentos. Não era surpresa, afinal. Era medo. Puro medo da resposta de Nathalia. Fosse a Nathalia de antes, não haveria dúvida de que ela havia negado. Gritado um "não", se fosse preciso. Mas ela mesma admitia que não era aquela Nathalia forte perto do pai. Perto de Yago, sentia-se igualmente fraca, até mais, porém era uma fraqueza boa. Com o pai, era uma fraqueza assustadora.

Nathalia gemeu com o quase-choro entalado na garganta. Sabia que Yago não forçaria. Deixaria-a chorar se fosse preciso, gritar, mas esperaria em silêncio. Uma serenidade tão inabalável e ao mesmo tempo tão óbvia de falsa.

Quando finalmente respirava mais calmamente, levantou a cabeça do colo de Yago, onde só então percebera estar deitada. Esperou a pergunta, que demorou o que pareceu um século, no frio que voltou a tomar conta da sala.

- E o que você respondeu?

Manteve-se em silêncio, olhando para o nada. Respirou novamente, como se o ar fosse uma droga. Relaxou, ou o faria, se fosse possível. O silêncio a deixava calma, ao contrário de Yago. Parecia prender a respiração, esperando o tempo passar. Sentiu frio, e envolveria-se com os braços numa concha, se conseguisse se mover. Os olhos piscavam automaticamente, pois não pensava em nada. Apenas em Nathalia. Em perdê-la. Para sempre? Não sabia. E isso o matava por dentro.

- Eu disse não - respondeu - Ele não reagiu exatamente bem, mas eu disse não, e vai continuar sendo não.

Só então respirou novamente. Sorriu, e sentiu as lágrimas pularem dos olhos, agora vermelhos, de tanto tempo que estiveram abertos. Nathalia fitou-o, sem saber o que falar. Ele estava cego como ela estivera no dia anterior. Antes que pudesse falar qualquer coisa, ele pulou em sua boca, beijando até quase quebrar-lhe os dentes. Não conseguiu, muito menos queria, evitar o desenrolar daquele beijo. Deitaram-se novamente no sofá, dessa vez com ele empurrando-a para baixo. Nathalia por vezes tentou separar seus lábios, só conseguindo após empurrar Yago, fazendo quase cair do sofá.

- Você não tá entendendo.

Yago retorceu o rosto numa expressão de dúvida, mirando nos olhos de Nathalia.

- Você não vai ficar aqui?

- Não não, vou sim - respondeu Nathalia, respirando fundo o ar gélido, tentando recuperar a força que perdera naquele pouco tempo - É só que...

Levou as mãos ao rosto, massageando-o quase como se o limpasse de lágrimas, agora já secas. Yago sentou-se então, permitindo que Nathalia fizesse o mesmo.

- Ele nunca vai nos deixar em paz - ela disse - Quando eu disse que não tinha escolha senão ir com ele, eu falei sério. Ele não vai parar até que eu esteja lá, com ele. Não importa o que ele tenha que fazer, ele vai fazer, ele vai passar por cima de todo mundo.

Yago encarou-a, enquanto ela passava a mão no rosto mais uma vez.

- Eu não quero que você seja todo mundo - Nathalia completou, então.

Yago passou as costas da mão no rosto de Nathalia, então puxou-a para mais um beijo. Simples, reconfortante. Logo separou os lábios, antes que perdesse o ar novamente.

- Nada que ele fizer vai te tirar de mim.

- Você não conhece ele.

- Não importa, ele não vai conseguir.

- Não, Yago! - Nathalia quase gritou, fitando-o nos olhos - Você não conhece ele. E mesmo que conhecesse, não poderia imaginar o que ele já fez, o que pode fazer. A gente nunca vai ter paz. Nunca.

Ela abaixou a cabeça, jogando o cabelo por trás das orelhas. Yago levantou-lhe o rosto novamente, puxando-a pelo queixo.

- Não importa o que ele faça - Yago disse - Nós vamos passar por isso. Juntos.

Então beijou-a novamente. Era tudo que ela precisava ouvir.

Adormeceram abraçados no sofá, juntos como precisaram estar naquela semana. Juntos como deveriam sempre estar. Não precisavam preocupar-se com nada de prontidão. Ela havia acabado de chegar, iria logo precisar de ajuda pra desfazer as malas e para explicar pra mãe o que fazia tão cedo em casa, antes até do carnaval. Então, era bom ter um pouco de paz, pois o que viria a seguir seria um inferno.
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