E ae galera =] Eu tô postando DE NOVO mais cedo por que DE NOVO vou ficar o dia inteiro fora. Sexta feira, yay xD Leiam ae, e comentem xD

16

No Meu Limite

Over My Head (Cable Car) - The Fray

Nathalia não esperava por isso.

Havia feito tudo direito, sem problemas. Concordara com tudo até ali, chorando sozinha no escuro, lembrando de Yago. A lembrança lhe dava forças, ao mesmo tempo que parecia enfraquecer seu coração. Agarrara-se ao travesseiro nas duas noites mal dormidas desde que seu pai voltara, buscando conforto. Não funcionava. Nada funcionaria longe de Yago.

Mas isso ela já havia aceitado.

Mesmo temendo aquele momento, com as pernas tremendo de ansiedade e perplexidade, algo dentro de si já esperava por aquilo. Era claro que havia algum interesse na viagem, nada era tão fácil assim com seu pai.

Sentiu a bile subir o pescoço novamente, como tantas vezes acontecera.

***

Nem podia imaginar quando entrou no carro, machucando a própria garganta ao tentar reprimir os soluços ficando de boca fechada. Seriam quatro horas de viagem. Quatro horas de silêncio, de adrenalina correndo nas veias. Afinal, de seu pai podia-se esperar tudo. O pensamento viajava automaticamente para Yago. Pensava no ontem, no anteontem. Os únicos dias que passara com Yago do jeito que realmente queria passar. Amizade? Era insuficiente, ambos sabiam disso. Distância? Era um pesadelo. Eram poucos quarteirões que separavam suas casas, não muito mais que dez. Era a distância entre os dois lados da minúscula cidade. E mal aguentaram a noite separados. A paixão do inicio de namoro chegava a ser mágica, de um jeito que parecia nunca esvaí-se. Mas como aguentariam, então, duas, três semanas separados?

O carro balançava toda vez que tropeçava num buraco da estrada. Já haviam cruzado a ponte Rio-Niterói, e agora seguiam para a Dutra. Haviam ainda alguns postes com luzes ligadas, produzindo um bonito reflexo nas janelas negras de insul film. Via lojas de beira de estrada, lindas até, o que lhe era estranho. Passava tanta gente assim por ali, para bancar tamanho design? Mesmo que ainda estivessem no centro do Rio, não parecia ser um lugar tão movimentado, parecendo ser apenas base para matrizes de lojas, dezenas de lojas.

Era bom distraí-se. Assim as lágrimas reprimidas não rolavam pelo pensamento.

Passou a mão no rosto, tirando o cabelo da testa. Rangeu os dentes até doerem. Sua respiração embaçou o vidro, e gemeu ao perceber que seriam mais quatro horas disso. E depois, mais duas semanas. Pensou em ligar para Yago, enquanto ainda tinha sinal, mas jogou o telefone de volta na bolsa no momento que o pegou. Seu pai ouviria, e isso era a última coisa que queria que acontecesse. Não queria vê-lo tentar entrar em sua vida novamente, puxando assunto de Yago isso, Yago aquilo. Lembrar sozinha dava um peso no coração! Imagine com o pai, o odioso pai, a cada minuto lembrando-lhe ainda mais? Pois para ele, não importava que a filha se entristece, importava apenas manter as aparências. Mas isso você, leitor, já sabe.

Quando enfim chegaram à casa em São Paulo, Nathalia prendia-se à última leva de forças que tinha. Segurava o choro, ou pelo menos tentava, já que as lágrimas pareciam estar na ponta dos olhos. O pai puxou as malas sozinho, numa rara atitude de cavalheirismo.

- Vai subindo, que eu já vou lá - disse, simplesmente, empilhando as duas únicas malas, mas não antes de arremessar as chaves nas mãos de Nathalia.

Ela olhou mais uma vez pro pai. Sorriu. Não acreditava que tinha levado apenas uma mala de roupas e um saco com apenas um ou outro par de sapatos. Não sairia de casa mesmo. Não conseguiria sair do quarto. Queria ficar agarrada ao travesseiro, como estivera esse tempo todo. Se alguem quisesse vê-la, que fosse lá, não era longe. Sentiu-se mal logo em seguida. Tinha amigos ali, uma melhor amiga. Uma melhor amiga distante agora. Ela nem devia saber que tinha novo namorado agora. Devia conversar com ela. Na primeira chance que tivesse, falaria com ela. Mas não hoje. Hoje ficaria trancada no quarto. Não desfaria as malas, não havia se dado o trabalho de fazê-las direito mesmo.

Subiu, indo direto para seu quarto. Parou na porta, por um segundo. Tanta coisa acontecera ali. Tanta coisa boa, tanta coisa ruim. Sentou na cama, arrumada para sua chegada. Parecia estar tudo exatamente como deixara. Sorriu.

O pai entrou no quarto, interrompendo a momentânea paz.

- Toma aqui - disse, jogando as malas no chão. Estava com aquela expressão novamente. Será que seria apenas isso? Bastava ela chegar para tudo voltar ao que era antes?

O pai saiu então, voltando a sala. Ligou a televisão, e Nathalia pôde ouvi-lo praguejar. Suspirou. Foi para o banheiro anexado em seu quarto, trancando a porta. Enterrou o rosto nas mãos. Chorou. Não preocupou-se em controlar os soluços dessa vez, apenas chorou. Deu as costas para a porta, escorregando por ela lentamente até atingir o chão. Esticou as pernas, e então puxou para si, fazendo de seu corpo uma bola humana. Continuou jogada no chão por um bom tempo, levantando-se somente quando percebeu que havia deitado-se. Despiu-se, deixando as roupas no chão. Entrou no chuveiro. A calma da água caindo em seus ombros fez as lágrimas voltarem a tona. Riria daquela cena, se não fosse a protagonista dela. Era tão dramático e tão tolo! Limpou as lágrimas do rosto, que logo estava novamente molhado pela água do chuveiro.

Quando finalmente saiu do banho, jogou-se na cama. Não ligou para seu cabelo molhado. Colocou qualquer roupa e fechou a porta do quarto. Ligou a televisão, apenas para abafar o próprio choro. Agarrou o tão desejado travesseiro. Não sairia mais da cama naquele dia, envolvida na própria melancolia.

***

Demorou mais uma semana para seu pai interromper a rotina de Nathalia, que consistia em passar o dia inteiro trancada. No momento que aquela frase saiu de sua boca, Nathalia gelou. Por fora, apenas encarava o pai, mas por dentro desmoronava. Como? Por que? Por que aquilo estava acontecendo? Respirou fundo, com uma taquicardia repentina fazendo parar, impedindo de responder ou de falar qualquer outra coisa. Sentiu-se enfraquecer, e logo estava suando. As mãos tremiam, ora por nervosia ora por medo. Pensou que todo iria cair, que um terremoto repentino havia tomado conta de sua vida. Apurou os ouvidos, como se tentasse mantê-se presa ao mundo real.

- Eu queria que você viesse morar aqui, definitivamente - Fora o que seu pai havia dito.
Reações: