E AEEEEE GALERA, bem, escrevi esse capitulo correndo hoje por que eu tô em provas =S. Eu quase que não estudei pra prova de amanhã só pra postar XD Sobre a soundtrack, eu já tenho umas ideias também, deve estar pronta em novembro ou dezembro. Mas enfim, leiam e comentem ae


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Nunca Diga Nunca

Never Say Never - The Fray

Deu três ligeiras batidas na porta de Yago. Alisou o braço, sem preocupá-se em demonstrar a própria preocupação. Respirava fundo, tentando controlar a explosão dentro de si. Não conseguia. Era demais para sua cabeça.

 Demorou mais dois minutos para ele chegar á porta, dois minutos que pareceram horas.

Quando, enfim, ouviu o barulho das chaves, Nathalia voltou-se para a pequena casa. Tinha parado por um segundo, admirando a rua. Nenhum carro passava. Nenhuma pessoa. Era sábado, afinal. Ninguém passava o fim de semana em Costa Valença, simplesmente por que não havia nada o que fazer ali. Havia apenas as árvores, e o vento fazendo-as sussurrar. As folhas foram reviradas na rua, espalhando-se. Quase sentara nos degraus, temendo que as pernas não fossem fortes o suficiente. Como um dia poderia ser tão calmo e tão terrível ao mesmo tempo?

Yago abriu a porta, esperando que fosse algum parente ou a mãe, que não dormira em casa. Quase arregalou os olhos ao ver que era Nathalia. Seu cabelo, tão desarrumado que quase formava uma piramide, era apenas uma parte da bagunça de um adolescente que acabara de acordar: colocara um short ás pressas, deixando parte da samba-canção que usava para dormir á mostra. Corou, agradecendo por ter se dado o trabalho de vesti-se. Imagine a cena que seria, se chegasse a porta sem camisa e de cueca, no segundo dia de namoro?

- Nathalia - balbuciou, tentando recuperar o tom brincalhão.

- Yago - ela disse, sem pensar em mais nada. Sua voz embargada soou como a de uma garotinha apaixonada, e não como a garota triste que era. Que bom, pensou. Assim não pareço fraca.

Beijou-o de leve então. Logo estavam abraçados. Para Yago, era apenas um beijo - um beijão!, pensou -, mas Nathalia sabia que estava forçando. Sabia que não era aquilo que deveria fazer. Aquilo ia apenas machucá-la mais.

Yago então separou-se da boca dela. Puxou-a para dentro de casa, fechando a porta, com um sorriso esboçado.

- Tá cedo, né? - ele disse, sorrindo para tirar a amargura das palavras.

- É, eu sei, eu só tinha que te falar uma coisa.

Ele sorriu, estreitando os olhos.

- Escuta - ele sussurrou -, o Lucas tá lá em cima dormindo ainda, mas acho que se ficarmos em silêncio, dá pra fazer - o sorriso dele cresceu ainda mais, mal contendo o riso.

- O que? Não, seu nojento, não é isso - ela disse, rindo também. Olhou para o teto. Como ele conseguia fazê-la esquecer de tudo e senti-se bem?

- É sério - ela disse, já séria novamente, enquanto ele ainda ria.

Quando por fim ele parou, ela atirou as palavras.

- Eu vou embora.

Seu rosto fez-se sério no mesmo momento. As palavras que corriam em sua cabeça não faziam sentido. 
Como? Isso não podia estar acontecendo. Não, não, não, era a única coisa que fazia sentido em seu pensamento.

Nathalia então continuou.

- Meu pai foi lá em casa ontem. Ele disse que quer me levar pra São Paulo, passar o carnaval lá.

Yago congelou.

- Mas a gente acabou de começar - foi só o que conseguiu falar.

- Eu sei - ela disse, fechando os olhos, para não mostrar o brilho de desespero que acabara de por eles 
passar - Eu sei.

Yago abraçou-a novamente. Massageou seu cabelo. Sabia que ela adorava isso, que isso a acalmava.

- Não tem nenhum jeito de não ir?

Ela então deixou as lágrimas rolarem.

- Não - disse, com a voz falhando.

Continuaram abraçados então. Não importava nada além deles naquele momento. Engoliam em seco, respiravam pesadamente. Não duvidava dela, mas por que não podia negar ao pai? Seria saudade, talvez? Sabia o que era sentir saudade do pai como ninguém, deveria entender. Mas não era isso. Isso não valia choro, valeria talvez um drama, mas chorar?

O pensamento desapareceu da sua mente no momento em que sentiu o rosto de Nathalia remexendo-se em seu peito.

Sua camisa na hora ficou mais quente. Sabia que eram as lágrimas, que ali jorravam. Os repetitivos soluços o fizeram pegar seu rosto entre as mãos e beijá-la, novamente. Um beijo demorado, apaixonado, entre os soluços que dominavam sua respiração.

Separou os lábios. A cabeça de Nathalia foi para a frente, tentando continuar com o beijo.

- É só o carnaval?

Ela assentiu, sem conseguir falar nada.

- Então só me deixe passar o último dia com você. A gente sai, vê um filme, sei lá, qualquer coisa.

O rosto de Nathalia reprimiu-se, numa expressão de dor.

- Esse é o problema.O meu último dia é hoje - ela disse, respondendo ao olhar de Yago.

Seu rosto esquentou-se.

- O carnaval é daqui a quase uma semana.

- Ele me disse que quer ir hoje. Me acordou de manhã e me disse que vai hoje.

Ele simplesmente balançou a cabeça. Por que esse homem tinha tanto controle sobre Nathalia? Ela, sempre forte, agora tremia de medo.

O que ele havia feito com ela?

- Então vamos sair hoje - ele disse.

Ela levantou o rosto, e olhou-o nos olhos. Não melhorava a situação, mas ajudava-a a senti-se melhor. E muito.

Beijaram-se. Tinham que aproveitar o pouco tempo que lhes restava. Ela iria ficar quase duas semanas foras, após apenas dois dias juntos. Um soluço escapou da garganta de ambos, fazendo-os rir. Assim que ele foi tomar banho, sentiu vontade de chorar novamente. A última coisa que queria era ficar sozinha. As memórias vinham-lhe a cabeça. A gritaria, a dor. Lágrimas escapando de seus olhos, enquanto o pai continuava a aterrorizar mãe e filha. Divertindo-se com os protestos das mulheres. Bêbado. Cruel.

Encolheu-se, deitando no sofá. Chorou novamente. Era isso um adeus? Não podia ser.

Mais uma memória voltou como um tapa na cara.

Será que aguentaria tudo isso? Não sabia. Não queria saber. Não pensaria nisso. Amava Yago. Sabia, mais do que nunca, que ele era a razão de sua vida. Se houvesse algo que a fizesse mover suas pernas, respirar por essas duas semanas, esse algo era Yago. Quando ele chegou, pulou para sua boca, de olhos limpos. Os soluços sumiram, assim como as lágrimas.

Permanecer-se-ia forte. Nessas duas semanas, pensaria apenas nele. Na sua vida. Sabia que Yago faria o mesmo.

Beijaram-se novamente. A tristeza estava ali, apenas escondida. Sorriram, uma das últimas vezes que o fariam por muito tempo. Um abraço. Mais um beijo. Paixão. A abstinência seria a morte, mas logo viveriam de novo. Juntos.

Lembraram-se da noite passada. A primeira noite juntos. Sabiam o lugar perfeito, um lugar que estariam sozinhos. O dia era deles, e apenas deles.

Com lágrimas nos olhos, lágrimas já antecipadas a saudade, saíram.
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