Outro dia tava pensando em fazer uma soundtrack pra Silenciar, com algumas músicas de titulos de capitulos e mais umas outras que tem a ver com a históriase upar no Megaupload, 4Shared ou qualquer coisa dessas. Oque vcs acham? (coments é pra isso tá? UHAUHAUHAU) Anyway, leiam ae e comentem :)


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two is better than one

Boys Like Girls

Fizeram todo o caminho de volta em silêncio quase absoluto. O vento levantava as folhas secas, fazendo-as farfalhar levemente em seus pés. Nathalia escondia o rosto por trás do cabelo, impedindo Yago de ver a expressão atônita que dominava seu rosto. Ou assim pensava. Ele tinha raiva de si mesmo por aquilo ter acontecido. Como pôde? Justamente quando estava tudo tão bem! O passado o assombrara novamente. Se tivesse lidado melhor com a própria situação, talvez não haveria Gabriela em sua vida. Talvez teria sido tudo realmente perfeito.

Sabia que não era realmente sua culpa. Mas, Deus!, por que logo naquele dia, naquela hora?

Nada mais adiantava. Toda vez que tentara pegar novamente na mão de Nathalia, ela puxava de volta. Afastava-se dele, de modo que chegou a arrastar-se na parede de uma loja em certo momento. Mesmo que não visse nada naquela escuridão, preferia chutar uma lixeira á enfrentar aquela dúvida, á conversar sobre aquilo. Uma resposta errada seria a morte, uma dor sem tamanho. Naquele momento, qualquer coisa vinda de Yago a machucaria.

Novamente havia incerteza no ar. A incerteza da separação, do pior erro de sua vida. Aquela sensação de que havia uma coisa muito errada naquilo tudo, apenas por medo do que se passava quando dava as costas.

Viraram mais uma esquina. A nova rua era tão deserta quanto a anterior. Nathalia olhou seu relógio de Mickey Mouse, uma imitação de antigos relógios americanos. Quase onze horas. Merda. Logo sua mãe ligaria, histérica por demorarem tanto. Andavam muito lentamente, ou melhor, Yago andava, como se pudesse fazer algo ainda no caminho. Sorriu. Era inocente mesmo. Não era sempre que alguém conseguia um final feliz. Ele mesmo nunca encontrou um. Esse era pra ser o seu. Mas tudo que fizera fora estragar a amizade, a única coisa que parecia certa entre os dois. Eram tão fortes como amigos! Então por que não tentar como namorados? Se amavam mesmo.

Nathalia pensara assim também. Seu momento "foda-se" a levara até ali, e olha só! Estava novamente magoada com o nada. Novamente sentia-se pressionada a fazer o certo, e o certo seria ficar com Yago, amá-lo como queria. Estava cansada da dúvida, mas era tão apegada a ela! Respirou fundo, inalando o ar gélido da noite. O cabelo foi projetado para trás, acompanhando o movimento do vento. A calma que a noite lhe transmitia parecia distante, adormecida, como um funcionário preguiçoso num dia de trabalho. Se pudesse olhar-se no espelho naquele momento, veria uma expressão preocupada, tão incomum em seu rosto.

Chegaram á casa de Nathalia, então. O segundo andar aparecia por cima do muro, deixando visíveis as luzes acesas. Mãe, pensou Nathalia. Estava acordada até aquela hora, provavelmente esperando-a chegar. Sentiu a chave pesar no bolso esquerdo do jeans, como se fosse culpa por deixar aquele assunto sem resolução.

Virou-se para Yago. Estavam a duas casas de distância da casa dela.

- Então até mais - disse ela, sussurrando para não deixar a voz embargar.

Voltou-se para a calçada, com os olhos baixos e com o cabelo caindo na testa, formando uma franja improvisada.

- Cê tá fugindo de novo, sabe disso né? - falou Yago, sem deixá-la andar sequer dois passos.

Nathalia parou. A respiração logo pesou. Virou-se, engolindo em seco.

- Fugindo do que? - perguntou, sem pensar muito, com a voz, agora embargada, falhando.

- Que tal de mim? - respondeu sarcasticamente.

- Deixa isso pra depois, já é tarde.

- A gente nunca vai resolver isso se ficar deixando pra depois.

Encararam-se apenas. Nathalia tinha lágrimas nos olhos e borboletas revirando-se em seu estomago. Fungou, sentindo que ia desabar.

- O que foi aquilo no shopping então? - respondeu, desistindo.

- Nada.

- Nada o caramba, tinha uma puta te apalpando! - respondeu, dessa vez quase gritando - Como você espera que eu vá conviver com alguém vindo e te agarrando, todo dia, toda semana? - deixou finalmente duas lágrimas escaparem. Limpou-as com as costas das mãos, levando-a então á boca, para reprimir os soluços - Você queria que eu dissesse que te amo? Legal, eu te amo. Ponto! E todo dia tenho que ver você, agarrado com qualquer uma, usando elas pra qualquer coisa que você queira. Como eu sei que você não tá me usando também?

Yago ouviu, mas apenas por não saber o que falar. Poderia rebatar aquelas palavras com qualquer coisa, declará-se, tanto fazia, mas o que? Tudo aquilo era verdade. Era culpa dele toda aquela dúvida, só agora percebia. Dera muita liberdade. A fizera apaixonar-se, caramba! Não era isso que queria. Queria simplesmente amá-la, ver se sentia-se tão extasiado assim com ela ou se era apenas mais uma atração como as que tantas vezes sentira.

Essa era a questão. Não era, era puro amor, sem malícia, sem segundas intenções.

- Se eu falar que também te amo, deve ajudar.

Nathalia, antes com o cenho franzido, agora encarava-o, simplesmente encarava-o. Mais lágrimas ferventes pularam de seus olhos, e novamente engoliu em seco. Acreditava naquilo? Era imparcial o suficiente para analisar o olhar apaixonado de Yago e encontrar a verdade ali? Que ele a amava, tanto quanto ela o amava?

Virou-se e correu para sua casa, num surto de adrenalina. Fez sem pensar, só fez. Parou no portão, que acabara de abrir, percebendo o que fizera. Voltaria para ele, falaria tudo que queria falar. Enfim, era aquela a noite! A noite que sonhara, que tudo ia acontecer.

Pensava, com um sorriso no rosto, quando virou-se e deu de cara com Yago.

Ele ia puxá-la pelo braço, mas ela já havia virado. Não importava. Pouparia o drama para mais tarde. Só sabia que iria fazê-lo agora, o que tantas vezes ambos fantasiaram.

Puxou o corpo dela para si, até ambos tocarem-se. Ambos suavam, transmitindo calor um para o outro. Ele lhe afastou o cabelo das orelhas, e olhou no fundo de seus olhos. Respiraram sincronizados. Fecharam os olhos ao mesmo tempo. Dos olhos de Nathalia, rolaram mais algumas lágrimas. Não de tristeza, da terrível dúvida, mas do êxtase daquele momento.

Então seus lábios se tocaram. Quentes, suaves. A respiração de ambos falharam. Envolveram-se nos braços um do outro, Nathalia desarrumava o cabela na nuca de Yago. As pernas logo tremeram, quase cedendo. Yago levantou-a baixinho, e um sorriso formou-se em ambas as bocas, unidas. Estava acontecendo! Respiravam como se estivessem rindo. Alegria. Estavam sem ar. A garganta queimava pela falta de oxigênio. Mesmo assim, não pararam. Abriram o portão, e bateram contra o carro da mãe de Nathalia. Caíram lentamente, arranhado de leve o carro.

- Ai - Nathalia disse, ajeitando-se em seus braços.

Ele riu, novamente beijando-a.

Quando enfim atingiram o chão, pararam. Separaram os lábios, encarando-se. Respiravam com dificuldade, com o pulmão queimando. Lambiam os lábios, sorriam. Olharam-se nos olhos mais uma vez, tontos. Sempre que tentavam falar alguma coisa, as palavras transformavam-se em "er" grogues, duas oitavas mais altos que o normal.

Quando decidiram levantá-se, perceberam que haviam passado dez minutos agarrados. Coraram, sorrindo. Era oficial dessa vez. Havia paixão naquele beijo. Não havia sido como sexta passada, um beijo vingativo. Trocaram mais um sorriso confidente.

- Te vejo amanhã? - perguntou Yago, sussurrando no ouvido de Nathalia na última vez que abraçaram-se naquela noite.

Ela assentiu. Logo, ele estava na esquina da rua. Olhou para trás uma última vez, e sorriu, um sorriso correspondido. Desapareceu então na escuridão da noite, com o coração na boca.

Nathalia sentiu um pesar no peito ao vê-lo ir embora. Não queria deixá-lo. Queria passar todo seu tempo com ele, cada minuto, cada segundo. Olhou para os próprios pés, e entrou em casa, fechando o portão em silêncio. Checou as horas de novo. Onze e meia. Sua mãe iria surtar. Estranhou por ela não ter ligado. Devia estar ocupada, afinal, sua filha já era bem crescida, sabia se cuidar. Podia preocupá-se com a própria vida.

Mas parou em frente a porta. Uma discussão, lá dentro. Gritos controlados. Palavrões. Sua mãe estava com raiva, uma raiva que nunca demonstrara em sua presença.

Só realmente sentiu medo quando ouviu com quem ela discutia.

Uma voz, grossa e rígida. Um homem. Suas palavras eram tão pesadas e certas quanto de sua mãe. Se uma criança visse aquele homem, correria para a cama da mamãe, morrendo de medo. Mas Nathalia sabia quem ele era, tanto quanto desejava que não fosse. Sentia medo daquele vozeirão, da força que pesava sobre a mão daquele homem. O que ele fazia para ter o que queria.

Abriu a porta então, com a voz ainda mais
embargada, vendo a confirmação de seus medos com os próprios olhos.

- Pai?
Reações: