Ae galera, capitulo 10 \o/ Mudei umas coisas no blog (o BG, background nãaaaaao, jura? e fizemos parceria com o blog about:BLANK, o banner tá ae do lado) e na história também. Eu tava relendo, e percebi uns erros na continuidade, então mudei o ano de 2009 pra 2010 mesmo, o acidente de carro tendo acontecido então em novembro de 2007. E a distância de Costa Valença pra Cabo Frio NÃO É 3km, são 30km quando fui escrever no capitulo 2, o "0" nao saiu Mas enfim, leiam ae :D



10

Só Hoje

Só Hoje - Jota Quest

Nathalia negava-se a olhar para Yago, limitando-se a copiar o dever. Os minutos arrastavam-se como anos, não apenas pelo fato de ser aula de matemática, mas também pelo que acabara de acontecer. O que foi isso?, pensou, logo ao se sentar. As milhares de perguntas que passavam por sua cabeça ignoravam completamente os exercícios á sua frente, e caso distraísse-se por um segundo, seu pensamento voltava-se para ele. Ele e seus encantos, tão reais que davam medo de serem falsos. Mas não eram. Sabia disso com ninguém, afinal, ela estava lá.

O sinal tocou, fazendo-a pular.

Assim que o professor saiu, todos levantaram-se, afinal, a próxima professora sempre demorava. Yago dirigiu-se ao outro lado da sala, sem querer falar com ninguém. Apenas queria deixar Nathalia sozinha, dando-a um pouco de tempo para pensar, e sabia que em qualquer lugar que fosse seria aceito. E deu certo. No momento em que ele deu as costas, Nathalia levantou-se e foi á cadeira de Suzana.

- Levanta - disse para Felipe.

- Hein?

- Levanta, anda, quero falar com a Suzana.

Felipe voltou-se para Suzana, como se ela soubesse do que estava falando. Ela mesma olhou com dúvida no olhar para Nathalia, que piscou como quem dizia "É, é isso que cê tá pensando".

- Levanta logo ou vai conhecer o significado da expressão "Com as bolas na boca" - disse Suzana, com sua característica voz grossa, mas com um sorriso confidente nos lábios, fazendo Felipe levantar-se e trocar de lugar com o mesmo sorriso esboçado.

- Então, fala - Suzana disse, assim que Felipe colocou os fones no ouvido.

- O Yago me chamou hoje. Pra sair - completou, abobalhada por esquecer-se dessa parte, de tão nervosa que estava.

Suzana ficou branca no mesmo momento, com os olhos arregalados.

- Sem chance.

- Como queria que fosse isso mesmo.

Suzana então voltou-se para o próprio material, como que para esconder a surpresa nos olhos.

- Mas já? - disse logo em seguida.

- Aham.

- Quando ele disse que vocês iam sair?

- Hoje á noite.

- Hoje?

- Hoje.

Suzana engoliu em seco.

- Esse menino deve estar mesmo querendo algo com você.

- Obrigado, me sinto bem menos apavorada - disse Nathalia com a voz carregada de sarcasmo e tensão.

- Ah, deixa disso, você também queria isso.

O pior é que queria mesmo. Desde sexta sentia-se diferente, extasiada até. Mas segunda que sentiu a mudança de verdade. Viu quem era Yago, e apesar de todo o sofrimento a seu redor, gostou. Tinha o coração de uma criança com saudades do pai e, ao mesmo tempo, sentira na pele o que era ser adulto. Sofreu em três anos mais do que ela sofrera na vida toda, e finalmente levantara a cabeça pra bater de frente com isso.

- Não - mentiu.

- Então tá, é "não". Fala isso pra ele.

- Nããão!

- Ahá.

Nathalia revirou os olhos, respirando fundo.

- Não foi pra isso que eu vim falar com você.

- Então foi pra que?

- Pra me ajudar a decidir!

- Então você admite que está em dúvida.

Respirou fundo novamente, tentando evitar ficar vermelha.

- É, Suzana, admito! Não sei o que quero, porra, ajuda!

- Você disse "porra", você nunca diz porra - respondeu Suzana, divertindo-se com a amiga.

Nathalia então não conseguiu mais se controlar e ficou vermelha.

- Presta atenção, por-ra!

Suzana sorriu como quem dizia "Tá, parei" e continuou em silêncio, esperando o desabafo da amiga. Nathalia então voltou a respirar fundo, piscando rapidamente, como se isso a acalmasse.

- Eu não sei o que quero - repetiu, num sussurro que parecia um gemido - Não sei se ele falou isso sério ou se quer só me usar. Eu sei que ele faz isso, vi o que ele faz com as outras garotas aqui.

- Você percebeu como ele chegou na escola hoje, né? - Suzana perguntou retoricamente. Claro que percebera. Era ela o motivo de tamanho êxtase, pelo que Yago tinha dito.

- Óbvio - respondeu, concordando com os pensamentos da amiga - Só não sei se isso é verdade.

- Tipo, ele mentir? Pra que isso?

- Não sei - Era verdade. Sabia que seu medo era irracional, afinal, qual é, ela olhou nos azuis olhos de Yago e não viu mentiras ou tristeza. Apenas a tola felicidade de uma criança enfim livre. Mas tal dúvida tinha um por que. Jamais admitiria isso até que tivesse certeza de ser correspondida. Mas que o amava, amava. Ah sim. Sonhava quase toda noite com ele, e as únicas noites que não o fazia, tinha pesadelos com ele, de perdê-lo, ou mesmo de nunca ter-lo. Odiava preocupar-se tanto quanto ao primeiro passo. Ao primeiro "Eu te amo", ao primeiro tudo. Já passara por muitas coisas ruins antes, e nunca mais queria passar de novo.

- Nathalia - disse Suzana - Será que você pode esquecer isso? Tipo, deixar de ser você? Só hoje? - levou a mão ao ombro da amiga - Se você se preocupar tanto, nada nunca vai acontecer. E pode parar, que eu sei que você quer algo, nós três sabemos - apontou com o queixo pra Felipe, que fingia ouvir música. Ele levantou o dedão, num sinal afirmativo - Então, vai lá, diz sim pra ele. E, se ele te chamou pra sair, pode ter certeza, ele quer por que quer algo contigo. Se fosse só pra ficar uma noite, ele ia te levar de novo pro clube ou algo assim.

Ficaram mais dez minutos sem aula, dez quietos e barulhentos minutos. Se Nathalia estivesse no humor para pensar, chegaria àquela conclusão mais cedo, ainda no intervalo, talvez. Pensou tanto no que podia acontecer de ruim, que esqueceu-se das coisas boas. Por Deus, aquele moleque podia amar ela! Podiam ser felizes! Suzana, num de seus raros momentos, dissera que assim que percebera isso, Nathalia ficara radiante. Os olhos ganharam mais brilho, assim como o sorriso.

E a questão era que ela também estava cansada. Os poucos momentos "foda-se" que tivera na vida haviam sido os melhores. Sexta, por exemplo. Poderia ter sido um inferno pra resolver depois - e sentimentalmente foi, a pressão quase a matara -, mas na hora fora incrível. Por que aquele não podia ser mais um momento, então? Podia chover granizo que estaria bem, estaria com ele. Podia dar tudo errado. Eles voltariam á amizade então, mas ia tentar. Uma só vez. Ia fazer o que Suzana tinha dito, e deixar de ser A Nathalia por um dia só, por hoje. Talvez até desse certo. A professora entrou em sala enquanto pensava nisso. Ela mesma reparou a felicidade no rosto de sua aluna, e quando perguntou, a garota respondeu com um "Nada" igualmente alegre, voltando á seu lugar.


***


Imaginou milhares de modo de falar com ele, mas não conseguiu até a hora da saída. Parou-o no meio da escada, e disse, numa voz sussurrante, um "sim". Apenas isso. E ele entendeu. Ambos sorriram, como coleguinhas que tramavam alguma brincadeira para depois da aula. Mas, com alguma sorte, não seriam apenas coleguinhas, não depois daquela noite. Desceram então, lado a lado, e despediram-se no portão da escola.


***


Yago chegou em sua casa ás sete, como combinado. Já havia escurecido, e a lua iluminava vagamente a rua, quase deserta. Sentia a bile subindo o peito, tamanho nervosismo que sentia. Bateu na portão da casa de Nathalia, aumentando a melancolia da espera. Quando ela finalmente abriu o portão, estava vermelho e suando. Sua chegada não pareceu amenizar a situação. Estava linda, mais do que o habitual. O rosto levemente maquiado tentava transmitir calma, porém estava tão vermelho quanto o seu. Estava de jeans e camisa vermelha, sua cor favorita.

- Oi - disseram os dois, quase ao mesmo tempo, Yago com a voz levemente embargada e Nathalia com a voz falhada, fazendo-os rir de si mesmos. Não abraçaram-se, tinham medo de qualquer coisa apressar o encontro - afinal, por mais piegas que soe, era isso que era, um encontro. Nathalia jogou seus cabelos para o lado, espalhando seu doce perfume. Yago sorriu então, e pegou sua mão, tímido. Ela respirou fundo, como tinha feito tantas vezes naquele dia, e sorriu de volta, igualmente tímida. Yago conduziu-a para a noite então, a que prometia ser a melhor de todas.
 
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