E ae galera, capítulo 9 ae :D ó, pra quem não me segue no twitter não sabem o que tão perdendo HUAHUAUHAUHAUH -zoa, eu criei um cmm no Orkut pra "Silenciar": http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=105565836 Entrem lá. Graças a meus amigos e ao twitter baleia maravilhosa -NNN conseguimos chegar aos 100 membros em só uma semana :D Mas enfim leiam aí :D

9

Atrás de olhos azuis

Behind Blue Eyes - Limp Bizkit

Yago faltou o resto da semana. Nathalia preocupou-se, temendo ter feito algo errado. Será que fora demais ouvir tudo aquilo? Afinal, era a memória mais intima de Yago, e só ela ouvira. Mal o conhecia! E se ele agora a evitasse, para não ter de olhar todo dia em seus olhos e ver a compaixão - eufemismo para pena, era isso que sentia, nem podia imaginar como era viver com um pai morto - estampada, e ouvir cada palavra sua sendo uma mensagem subliminar?

Sexta, no entanto, ele veio. Com algo diferente nos olhos, brilhantes como nunca.


***


Acordou na terça ainda com os fones nos ouvidos. A música estava no repeat. Dormira ouvindo Rufus Wainwirght sussurrando Hallelujah. Sorriu novamente. Numa noite normal, se dormisse ouvindo essa música, teria pesadelos, talvez até piores do que o normal. Mas não. Dormiu uma noite sem sonhos, lembrando apenas da escuridão de suas pálpebras cerradas.

Faltou por motivo nenhum. Apenas queria trancar-se em seu quarto, ficar revirando fotos, textos, músicas, tudo que o lembrasse de seu pai.

Chegou na escola com a felicidade e a liberdade de sua maldição pessoal estampada nos olhos. Sentou-se logo ao lado de Nathalia, que o encarava. Sorriu, novamente, para o espanto da garota. A malícia realmente desaparecera. Aquele garoto mentiroso e fechado desapareceu diante de seus olhos, dando lugar ao verdadeiro Yago.

Suzana e Felipe perceberam isso também, encarando-o igualmente.

- Que foi? - perguntou.

- Cê tá feliz - falou Felipe.

- Isso é eufemismo pra "tem um demônio na sua cara" - completou Suzana.

Yago riu baixo, revirando os olhos. O professor entrou na sala no exato momento. Era sorte ser o professor de inglês, o mais calmo e preferido da turma. Mesmo assim, os quatro - ou três, já que Nathalia apenas encarou-o - calaram-se, pegando seus livros.

Antes do professor começar sua aula, Yago sussurrou um tímido "Obrigado" no ouvido de Nathalia, fazendo-a corar.

***


No intervalo, todos continuaram calados até o momento em que Felipe e Suzana foram á cantina, que finalmente esvaziara.

- Vou contar pra eles - falou Yago.

- O que?

- Que o cachorro da Suzana não foi pra uma fazenda - respondeu, tirando a amargura da frase com um sorriso.

Nathalia riu, mas logo seu rosto voltou a expressão séria.

- Tem certeza?

Yago assentiu. - Cansei. Eles são meus amigos também. Se alguém deve saber, são eles.

Nathalia abriu um meio sorriso, assentindo também.

No momento que os dois voltaram, Yago falou.

- Mas ele não trabalha... - perguntou Suzana, sendo interrompida por Yago.

- Não - disse simplesmente.

Suzana largou o hambúrguer e a coca com Felipe e abraçou Yago. Quem viu de longe imaginou ser mais uma das tiradas de Yago, mas os quatro sabiam que era mais. Era a consolidação da amizade, o momento em que o segredo mais obscuro de sua vida era revelado.

- Sinto muito - ela disse, no ouvido de Yago, com poucas lágrimas de compaixão formando-se em seus olhos.

- Eu também - respondeu.

Felipe pigarreou, entregando os lanches para Suzana e apertando a mão de Yago. Era suficiente para os dois. Não havia compaixão em seus olhos, mas orgulho se seu amigo. Ele conseguira superar isso - mesmo que só agora, pensou, depois de quase três anos. Tinha coragem o suficiente pra dividir isso com seus amigos, e vontade o suficiente para superar.

Yago então deu uma desculpa esfarrapada qualquer - eles sabiam que era, mas sabiam também que significava que queria privacidade - e puxou Nathalia para a árvore. A árvore do primeiro dia, e daquela conversa de segunda-feira. Considerava o lugar dos dois. Ninguém ficava ali por causa das folhas, que constantemente caíam. Para Yago não. Era um lugar bonito, tão pequeno e tão grande ao mesmo tempo. O lugar perfeito.

Não falou nada de inicio. Sentou-se nos degraus apenas. Nem precisava. Nathalia olhava em seus olhos, impossíveis de decodificar. Mas Yago sabia. Sabia que a amava, agora mais do que nunca. Sabia que queria ser feliz, ao seu lado. Poderia beijá-la novamente - dessa vez de verdade, sem raiva ou objetivos - naquele momento, mas não faria isso. Havia muita gente que poderia atrapalhar aquele momento.

- Tem algo pra fazer hoje? - perguntou.

Nathalia não estava surpresa. Já esperava isso. Simplesmente fez que não com a cabeça.

- Quer, sei lá, fazer alguma coisa?

A garganta de ambos queimaram. A respiração tornou-se pesada, bem como as pálpebras tornaram-se inquietas. Naqueles poucos segundos, todas as possibilidades do que aconteceria passaram-se em sua cabeça. Ele a pegaria em casa, a levaria para qualquer lugar onde poderiam comer. Talvez iriam ao cinema, ver qualquer filme sem ver-lo de verdade. Quando a sessão acabasse, voltariam para casa, onde seriam atropelados por um caminhão. Não. Essa não era a pior coisa que poderia acontecer. Ele poderia estar usando-a. Talvez estivesse mentindo, com toda aquela história de felicidade e superação.

- Não sei - respondeu, por fim.

A expressão de Yago, esperançosa e impaciente, tornou-se então decepcionada. Era a última coisa que queria ouvir. Até mesmo um "não" serviria, pois negações podem ser revertidas. Mas isso apenas piorava a situação. As borboletas em seu estomago reviraram-se novamente, do mesmo modo que continuariam revirando-se até ter uma resposta.

- Até o fim da aula cê me dá uma resposta?

Nathalia assentiu, sem conseguir falar nada. Yago apertou os lábios e baixou os olhos, levantando-os novamente para encarar Nathalia. O sinal tocou.

- Te ajudaria a decidir se eu falasse que aquele beijo significou algo, sim? - falou Yago, assim que se levantou.

Nathalia olhou-o, sem dizer nada. Continuou parada por poucos segundos, e passou por ele, sem dizer nada. Yago também entrou na sala com um sorriso no rosto, impossível de controlar depois de tal cena, porém com o coração quase saindo pela garganta.
Reações: