Então, meus queridos amigos qq, esses são os últimos capítulos do mês (e possivelmente o último post também). Eu sei que vocês vão querer me matar quando lerem o fim do capítulo e pensarem "Pô, próximo capítulo só na primeira semana de agosto". Então, deixem seus comentários e elegeremos a melhor ameaça de morte! qq


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Ainda é Cedo
Ainda é Cedo - Legião Urbana

FEVEREIRO

Haviam se passado duas semanas desde Nathalia chegara á escola. Desde então, ela conseguira: conquistou tudo. Finalmente a escola toda estava a seus pés. Sua beleza conquistou os professores, que achavam que sua cara de anjo entregava sua personalidade. Metade dos garotos da sala babavam por ela, assim como metade das garotas babavam por Yago.

Ah, sim, Yago. Esse ainda era um problema. Seu coração acelerava toda vez que via aquele meio sorriso infantil e lindo. Sua pele passava do habitual bronzeado para vermelho no momento em que ele entrava na sala.

Ela lutava contra isso, e se recusava a admitir que sentia algo por seu melhor amigo na nova escola.

Numa sexta feira, ela se arrumava para ir na única boate de Costa Valença. Nem boate realmente era, era um "clube para jovens". Mas ela se interessara pelos flyers que estavam sendo distribuídos na frente de sua escola (na verdade, Yago implorara para todos irem irem lá).

- Mas porra! - disse Suzana, sua outra melhor amiga - Você realmente não quer nada com ele?

Suzana nem de longe era tão linda quanto Nathalia: era baixinha, e seus cabelos mal batiam nos seios. Seus olhos eram negros, assim como seus cabelos. Usava uma blusa roxa escrito "Me seduz" em lantejoulas, e uma calça jeans escura, quase preta. Ainda assim, era o que Felipe e Yago chamariam de "bonitinha" ou "dá pro gasto".

- Não é que eu não queira ficar - Nathalia respondeu - É só que... é meio complicado.

- O quão complicado pode ser? Ele vai te pegar e acabou! Ele te larga ou fica com você sério depois, sei lá, mas um beijo basta! Um só! Vai negar isso pra mim, vai fazer isso comigo? - ele respondeu, fazendo beicinho.

- Isso não é sobre você, e caramba, onde tá meu brinco?

- Naquela gaveta onde você guarda seu diário, e não, não é comigo, Mas ia ser tão fofo!

Nathalia revirou os olhos, e Suzana engrossou a voz.

- Se você não fizer nada, vai morrer gorda. Virgem. Sozinha. Cheia de poster de Crepúsculo colado na parede.

Ela revirou os olhos de novo, e riu. - Copiando Felipe Neto?

- Inspiração dos meus sonhos - ela disse, cheia de orgulho, desenhando uma nota musical no ar.

***

Yago já estava pronto. Estava sozinho em seu quarto, não tinha ninguém com quem conversar,e não demorava para se arrumar.

Ele odiava o silêncio, Ouvia tantas coisas que não existiam. Odiava ficar sozinho também, por que isso o fazia pensar, se lembrar de coisas que já deveria ter esquecido. Por isso estava sempre rodeado de amigos. Não por que gostava deles, Deus, não, seus únicos amigos verdadeiros eram Felipe, Suzana e Nathalia. Mas por que assim ele não pensava. Podia curtir, aproveitar, que as memórias estariam enterradas bem fundo em sua cabeça.

Mas não agora. Maldito silencio, pensou. Maldito Felipe, também, que não chagava logo. Ele não podia descer. Sua mãe não era boa companhia. Seu irmão ficaria de lengalenga sobre seu dia, e isso estava fora de questão.

Olhou-se no espelho, então. Logo voltou, não havia nada para arrumar mais. Sua camisa emoldurava perfeitamente seu tronco, e as calças faziam o mesmo com as pernas. Seu cabelo estava jogado para o lado, perfeitamente espetado em pequenos amontados de fios.

Passaram-se mais 30 minutos até Felipe chegar. Yago desceu, sem nem se despedir, e entrou no carro.

***

O carro de Felipe passou também na frente da casa de Nathalia. Ela já estava ficando cansada de Suzana tentando arrancar uma confissão apaixonada de seu amor por Yago, coisa que não acontecer. Desceu correndo quando chegaram, e arrependeu-se logo em seguida. Suzana ia encher o saco, pois "ela estava correndo por Yago". Não, ela pensou, não mesmo.

Eles riram uns dos outros no caminho. Fizeram piadas sem sentido, palhaçadas


O lugar estava vazio, pensaram todos juntos, já que não havia segurança na porta da frente. Simplesmente passaram pela primeira porta. Lá dentro, também não havia ninguém. Passaram pela segunda e última porta, entrando na boate.


5

Tão Bom Assim

Just That Good - The Calling
Ao contrário do que achavam, o lugar estava cheíssimo. Havia pelo menos duzentas pessoas ali, se agarrando na frente de todos, sem se importar. As luzes eram como drogas: hipnotizavam, deixando todos eufóricos. A música parecia apenas um som de fundo, como buzinas de carros em filmes de ação. Mesmo se ela não estivesse ali, todos continuariam dançando. O bar também estava aberto, mesmo que mais da metade das pessoas ali ainda fossem crianças, e servia a todos.

Yago não bebeu nada. Não gostava de alcool. Mas Felipe bebeu. E muito. Virou pelo menos 4 latas de cerveja - mesmo que, para ele, "essa porra ainda tinha gosto de bafo do capeta". Ele, que costumava ficar em seu canto, falando apenas quando falavam com ele, naquela noite se juntara à multidão. Estava dançando, se agarrando com três ou quatro garotas ao mesmo tempo. E elas nem ligavam.

Os quatro mal se viram a noite inteira. Enquanto Felipe claramente se divertia bêbado, Yago trocava de garotas como uma menininha troca de laços. Uma hora depois de chegarem, ele já tinha ficado com pelo menos dezoito garotas. Nathalia não queria se destacar ali (uma tarefa um pouco impossível), mas foram doze garotos que chegaram para ela. E ela lá ia recusar? Suzana se afastara de todos, ficando apenas com uns poucos garotos, e prendendo-os pelo resto da noite.

Num dos poucos momentos que estiveram juntos, Yago e um Felipe bêbado conversaram.

- Tô te falando - disse Felipe, antes de soltar um arroto excessivamente alto - Todos aqui irão pra porra de um inferno.

Yago levantou as sobrancelhas. - Você está aqui.

- Essa é a graça - respondeu, e virou sua quinta lata de cerveja.

- Ok, você realmente precisa parar de tomar esse negócio.

- Preciso não.

- Você nem gosta de cerveja e tá virando uma latinha como se fosse uma porra de uma mulher!

- Mulheres não vazam cerveja - Felipe respondeu, com um sorriso maroto no rosto.

Yago abriu a boca, mas logo a fechou. - Você tem que parar agora antes que fique mais parecido comigo.

Felipe jogou a cabeça para trás e começou a rir histericamente, fazendo Yago puxá-lo de volta por seus cabelos. Felipe olhou-o feio, como um velho rabugento pronto para briga. Seu olhar logo amansou-se, e ele voltou a virar a latinha, até que Yago a tirou de sua mão e bebeu o resto.

- Ei - Felipe protestou, mas riu quando Yago se engasgou.

- Tem gosto de alface mal lavado batido com suco de ovos - ele disse, forçando-se a beber.

Felipe riu de novo, tombando sobre a mesinha do bar até o barman avisá-lo novamente das "consequências que suas ações podem causar" (lê-se "se comporta ou te expulso á porrada daqui"). Ele fez uma careta assim que o homem se virou, fazendo Yago soltar uma risadinha sarcastica.

***

Nathalia separou seus lábios da boca de um rapaz. Sequer sabia seu nome, nem ele deveria saber o dela. Ele sorriu maliciosamente para ela, e deu as costas, saindo como se nada tivesse acontecido.

Ela não gostava disso. Não gostava de ficar com qualquer um que houvesse na frente. Ela queria alguém sério, para amar. Alguém que pudesse apresentar para sua mãe. Uma pessoa com a qual pudesse dividir seus segredos mais profundos, aqueles qu nem Suzana sabia. Alguém que a entenderia quando estivesse com problemas, um ombro para chorar quando precisasse

Lambeu os lábios, sentindo o gosto do batom de morango. Continuaria com aquilo essa noite, mas não se divertiria.

Um outro rapaz caminhou em sua direção, e ela voltou a esboçar um sorriso angelical, sem nenhuma imperfeição. Um sorriso falso e triste.

***

Felipe levantou-se bruscamente, quase caindo.

- Onde cê vai? - perguntou Yago, que quase dormira tomando conta do amigo.

- Tem uma garota me olhando já faz uns dois minutos - ele disse, apontando para o canto direito do salão - acho que ela quer alguma coisa comigo.

- Vai lá então.

E Felipe foi. No momento que chegou lá, a garota tascou-lhe um beijo, grande e molhado. Os dois não se soltaram até que suas pernas tremessem - e Yago ficasse entediado novamente -, e quando fizeram, trocaram apenas algumas palavras, abafadas pela música, agora ensurdecedora, e Felipe voltou para o bar, recolhendo as coisas que esquecera lá.

- Pra onde você vai agora?

- Subir, pros quartos lá de cima.

Yago suspirou. Sabia que Felipe não era mais virgem, e nem se importava com isso. Mas também sabia que não era uma boa ideia fazer qualquer coisa ali, naquela noite.

- Você sabe que álcool pode causar problemas na ereção. Vai fazer você broxar - Yago completou, depois de ver a expressão confusa que cruzara o rosto de Felipe - E, além do mais, eu não posso tirar o olho de você. Tipo, você tá muuuuuuuuuuito bêbado. Então fica aqui, pega quem quiser aí no salão mesmo.

- Eu não, já fiquei com quase trinta aqui, é partir pra outras agora.

A boca de Yago caiu. Trinta? Trinta? Seu amigo, Felipe, o retardado que por ironia do destino não era virgem tinha ficado com trinta garotas enquanto ele só ficou com vinte e poucas? Ele nem prestou atenção em Felipe quando ele foi embora. Do alto da escada, ele deu um sorriso bobo, que irritou ainda mais Yago. Era inaceitável. Ele ia ter que pegar mais umas dez, no mínimo, pelo bem de sua moral e amor-próprio. E talvez levaria alguma pros quartinhos também. Por que não? Nunca namorou sério, e nem pretendia, não num futuro próximo. E ela lá ia esperar ter namorada pra transar?

Então, levantou-se. Deixou uma nota de cinquenta na mesa do bar, pouco se importando com o troco. Quase marchou para o meio do salão, espremendo-se contra os contra os corpos de outros jovens, dançando. Passou por quase quarenta garotas/mulheres. Nenhuma boa: com as bonitas ele já ficara, e as feias eram, bem, feias.

Havia, no entanto, uma garota do outro lado do salão. Mal conseguia ver o topo de sua cabeça, Ela estava de costas, escondendo o rosto. Simplesmente andou até ela, e beijou-a, já de olhos fechados. Seu rosto não importava, pensou, e logo se arrependeu. Se fosse tão linda quanto beijasse bem, porra, tinha ganhado o dia. Ele pressionou sua boca com mais força contra a dela, e empurrou seu corpo contra o dela. Sua respiração falhou. Ele não queria largá-la. Sim, ele com certeza dormiria com ela naquela noite. Queria sentir aquilo sempre. O gosto do seu batom de morango e...

Espera, ele pensou. De morango? Quem que eu conheço tem esse batom?

No momento em que ele se lembrou, abriu os olhos, ao mesmo tempo que a garota.

***

Num dos únicos momentos que Suzana esteve sozinha, ela estava no bar. Bebia água sem gás. Vomitaria qualquer coisa com álcool. O rapaz com que ficava estava do outro lado do salão. Ele chamou-a, e ela devolveu com um sorriso falsamente confiante. Sinalizou para que ele espera-se ela terminar de beber da garrafa, que estava na metade. Em dois segundos, ela levantou-se e correu para ele, engasgando-se com tanta água. Mas parou no meio do caminho. Olhou para um casal se beijando. Reconheceu o garoto como Yago, mas a garota estava nas sombras. Demorou um pouco para identificá-la, e quando o fez, disse, sem ar:

- Aimeudeus.

***

Yago separou sua boca da de Nathalia. Olharam um para o outro, sem jeito. Não era para isso acontecer. Não agora, ele pensou. Ela respirava pesadamente, e suava. Seu olhar estava com um brilho estranho. Um brilho de quem ocultava um sorriso não-desejado.

- Você beija bem - Yago disse, sem jeito.
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