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Simples
Simple and Clean - Utada Hikaru

JANEIRO


O despertador tocou, anunciando que eram seis da manhã. Yago se revirou na cama, grogue. Com preguiça, abriu os olhos lentamente, sussurrando um sonoro "Saco". Levantou-se, sem a mínima vontade. Afinal, era apenas o primeiro dia de aula. Quem ia no primeiro dia de aula? Não haveria nenhuma matéria nova - e mesmo se houvesse, ele praguejaria contra o "maldito horário do inferno". Tomou um banho rápido. Se arrumou. Em trinta minutos, estava pronto.
Yago desceu as escadas, de dois em dois degraus. Estava morrendo de fome. Beijou sua mãe no topo da cabeça, e socou de leve o braço de seu irmão. Lucas olhou-o, e deu um quase imperceptível sorriso.

- Não faça isso com seu irmão - sua mãe disse.

Os dois responderam "É brincadeira" ao mesmo tempo, e riram baixinho.

Não comentaram nada sobre a escola. Não era um assunto bem-vindo na casa. O café seguiu-se silencioso, a não ser pelas batidas de colheres e xicaras de vidro.

- Está frio - a mãe disse, quebrando o silêncio.

- Eu sei - respondeu Lucas.

- Nem tanto.

O silêncio caiu sobre a sala novamente, até o momento em que o relógio deu um último tic-tac. Eram seis e cinquenta.

Yago se levantou e beijou novamente sua mãe. Recolheu os livros espalhados - na noite anterior, ele tentara encapar-los, sem sucesso - e enfiou na mochila, junto com sua carteira e celular. Soltou um "Tchau" para sua mãe, e foi para porta, sem esperar por seu irmão.

- Ei, espera - sua mãe o interrompeu - Eu disse que estava frio. Leva um casaco, pode pegar uma gripe.

Após um momento de (falsa) reflexão, ele disse: - Não, precisa não - e saiu rapidamente pela porta, e esperou por dois segundos até ouvir sua mãe: - Quer ficar doente, seu filho da puuuuuuta?!

Lucas saiu logo depois, e corou de leve quando viu o irmão. Ambos fizeram uma careta de susto, e riram. Os dois, ainda rindo, continuaram andando para a escola.

***


O despertador de Nathalia tocou ainda mais cedo, ás cinco e meia da manhã. Ela levantou-se, sem preguiça, e demorou-se no banho, lavando seus longos cabelos loiros com cuidado. Seus livros já estavam organizados na mochila. Sua roupa já estava separada á semanas: seu jeans preferido, a camisa-uniforme da escola, tênis All-Star e um casaco novo, que quase nunca usaria. Comprara-o apenas pra o primeiro dia.

Não estava com fome. Seu estomago estava ocupado demais revirando-se para roncar do jeito habitual. Afinal, era o primeiro dia. Não apenas isso, era o primeiro dia na nova escola. Estava nervosa, claro. Na outra escola, era a mais comentada pela turma inteira. Pela escola inteira. Ninguém não olhava quando Nathalia Rodrigues passava. Todos a queriam - mesmo que alguns a quisessem por apenas alguns minutos, coisa que ela desprezava. Ela nunca pediu por isso, mas adorava ser o centro das atenções. Mas e nessa nova escola? Será que haveria espaço para ela? Ela conseguiria conquistar a tudo e a todos com um só olhar, e ter tudo que quisesse?

Ela se olhou novamente no espelho. Estava linda. Nem maquiagem passara ainda, mas era naturalmente linda. Ela sorriu. Claro que conseguirei, pensou. Ela sabia que tudo isso era fútil demais, mas pouco se importava. Ela nunca criara laços com quem a desejava apenas como troféu. Nunca fora fácil. Seus amigos eram muito bem selecionados, apesar de andar com qualquer grupo que chamasse sua atenção.

Ela sorriu para si mesma ao terminar. Estava pronta. Parecia uma deusa, sobrenaturalmente linda. Jogou o cabelo por cima dos ombros, e saiu do banheiro, deixando o vapor do banho quente para trás.

***

Não tomou café. Mesmo estando mais confiante, seu estomago ainda revirava. Seu coração subia até a garganta com o menor barulho, a menor reação inesperada. Ele checou e rechecou os livros na sua mochila, as músicas em seu celular, o cabelo milimetricamente ondulado. Passaram-se apenas cinquenta minutos desde que havia acordado. Faltava muito ainda para poder ir para a escola, mesmo que ela tivesse que andar quase meio quilometro para chegar. Ligou a televisão, e passou os canais. Não havia nada além de noticiários e desenhos estúpidos.
Quando deu seis e quarenta, enfim, ela levantou. Voltou para cima, e deu um beijo de leve no rosto de sua mãe. Ela sorriu como uma criança, e se revirou na cama. Nathalia também sorriu. Desceu, e saiu para o vento gélido na rua.

***

Yago chegou faltando cinco minutos para a aula começar. Havia mais umas vinte pessoas na sala. Todas cumprimentaram-o no momento que o viram. Duas garotas o abraçaram, cheias de malícia no olhar. Ele olhou para o outro lado da sala, e congelou. Havia uma garota, loira, linda demais. Mesmo sentada, ele podia dizer que ela era baixinha em comparação a seus um metro e setenta e tantos. Seu cabelo era perfeitamente ondulado. Ela o jogou por cima dos ombros, revelando mais do próprio rosto. Yago poderia babar ali mesmo. Mas quando ela o viu, ele apenas deu um meio sorriso - seu meio sorriso, aquele o qual ninguém resistia.

Nathalia sentiu o coração pular. Esse deveria ser Yago, pelo que as garotas da sala falavam. Ela ignorara os comentários - Aaaaaah, ele é TÃÃÃÃÃO fofo -, mas não poderia ignorar ele. Sentiu-se enojada com aquele sorriso - a fez lembrar-se dos garotos de sua antiga escola, que queriam apenas dormir com ela. Mas ao mesmo tempo, a fez se derreter toda. Aquele rosto infantil não transmitia nenhuma malícia, e ela gostava disso.

Nathalia desviou o olhar. Não por desejo, mas por instinto. Seria lindo uma desconhecida o encarar pelo resto da aula, ela pensou. Mas quando ouviu passos irregulares e confiantes indo em sua direção, e um "Oi" num tom de voz baixo e calmo, ela olhou de volta. Yago estava lá, na sua frente.

Ela sorriu enquanto se afastava para deixá-lo sentar ao seu lado.

Pois é, esse capítulo ficou uma merda. Eu tento compensar no próximo. Ah, e eu adicionei o meu twitter e o do Marcos no blog.
Nosso e-mail o Marcos posta todo dia, então acho que não preciso, né ^^
PS: Quero agradecer ao Paulo e sua mãe por me inspirarem com a frase "QUER FICAR DOENTE SEU FILHO DA PUUUUUUTA" XD
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